terça-feira, 11 de novembro de 2008

http://www.youtube.com/watch?v=vlLh8K6FF8A

O MENESTREL
Você aprende...

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida
são tomadas de você muito depressa,
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos
com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós,
mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,
e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
mas se você não sabe aonde está indo,
qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência
que se teve e o que você aprendeu com elas
do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia
se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não dá a você o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer
que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores

E você aprende que realmente pode suportar...
que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Bombeiro, a Mulher e a Vida Humana


O Bombeiro, a Mulher e a Vida Humana


Valter de Oliveira




A você, bombeiro.

Era quarta feira. Ele estava andando pela região do mercado central, junto ao Tamanduateí. Talvez estivesse pensando na esposa... ou nos filhos. De repente, ouviu gritos. Uma mulher se afogava no rio. Ele agiu rápido. Em pouco tempo atirou-se à água a fim de tentar salvar uma pobre desconhecida. A força das águas era grande. Chovera muito em São Paulo. Foi uma luta árdua. Ele finalmente a segurou e conseguiu salvá-la. Deve ter sentido um grande alívio quando a viu ser içada por pessoas que a ajudaram da margem do rio. Tentou subir. Escorregou, caiu na água do rio e foi arrastado um pouco. Tentou novamente. Difícil. O afluente do Tietê fora canalizado com laterais de concreto. Faltavam pontos de apoio para ele dar um impulso e salvar-se. As pessoas, na margem, não conseguiam ajudá-lo. Ele sentiu a morte próxima. Deve ter, de novo, pensado na esposa e nos filhos. Lembrou-se do último adeus. As águas impetuosas o arrastaram ainda mais e o puxaram para o fundo do rio. Não o viram mais. O soldado José Barbosa de Andrade desaparecera. No dia seguinte seu corpo foi encontrado por seus colegas..Os jornais publicaram uma breve biografia. Publicaram também que a mulher que salvara era uma pobre catadora de papelão, Salete Aparecida Rodrigues. Não sei se noticiaram que era também moradora de rua. Não importa. Era uma dessas pobres infelizes que vemos andar por nossa cidade. Teria valido a pena morrer por ela?

Quando o fato ocorreu, vi, como nunca, a beleza de uma carreira que, no mundo todo é admirada. A queda das torres gêmeas em Nova York nos mostrou em grande escala o valor dos bombeiros. São homens de fibra, de incomparável coragem, que todos os dias, em qualquer lugar, com ou sem meios, estão dispostos a salvar vidas humanas. Não importa se as vidas são de ricos ou pobres, sábios ou ignorantes, brancos ou negros, homens ou mulheres, velhos ou crianças, pessoas saudáveis ou doentes. Estão sempre dispostos a dar a vida por seres humanos que não conhecem! Não são filósofos nem teólogos, mas compreendem e sentem no fundo de suas almas a sublime dignidade da vida humana!

Lembrei-me de médicos e policiais. Os primeiros, fiéis ao juramento de Hipócrates, também se dedicam a salvar seus semelhantes. Sacrificam suas vidas, não são senhores de seu tempo para fazer o bem. É belo, muito belo. Mas, em geral, não sacrificam diretamente suas vidas.

Policiais lutam contra criminosos, inúmeras vezes em condições adversas, para proteger a sociedade. Muitos também deixam suas esposas e filhos quando são alvos de criminosos. O mundo de hoje não tem o devido respeito por eles. Mas os anjos do Céu reverenciam a todos aqueles que caem íntegros no cumprimento do dever.

A todos, médicos, policiais, bombeiros, a você José Barbosa, temos que dizer: “Obrigado, muito obrigado”.

A você mulher.

Estas reflexões me ocorreram por ocasião da morte do jovem soldado que pós mortem foi promovido a cabo por seu ato de bravura. Em seu funeral o comandante geral da PM, coronel Carlos Alberto de Camargo ressaltou que a morte de Barbosa foi um “maravilhoso exemplo de solidariedade.” Solidariedade tão pouco presente em nossa sociedade. Pensei na falta de amor e no grande vazio ao qual somos arrastados pela cultura da morte. E na violência praticada contra as mulheres. Violência de certo tipo de propaganda que nelas quer extirpar a grandeza de sua generosidade.

Sim, pensei nas mulheres, seres maravilhosos que dão à luz outras vidas. E também naquelas que, jovens ou não, por mil circunstâncias da vida pensam em eliminar a vida que trazem em seus ventres. E lembrei-me com dor das que levaram a termo seus desejos.

Por que, Deus meu, há quem morra por outros seres humanos que nunca viram, com quem jamais falaram, do qual nada sabem? E por que há mulheres – incentivadas por homens egoístas e irresponsáveis – que eliminam seus filhos e impedem-nos de vir a conhecer as grandezas de Deus? Não é próprio dos pais dar a vida por seus filhos? Não é dever nosso lutar pelos inocentes? O que aconteceu conosco?

Vivemos em um mundo hedonista no qual perdemos a noção de Deus e do próximo mesmo que este seja nosso filho. Há quem os veja como estorvos. Há quem os deixe de lado porque precisam descansar... ou curtir a vida. Porque precisam trabalhar, crescer na carreira. Ou para bater papo na internet. Vivemos felizes no mundo virtual. Irritamo-nos ao ter de dar atenção a filhos, irmãos, amigos no mundo real... Não queremos ver que generosidade implica em sacrifício. E que os dois juntos nos trazem felicidade. Especialmente se temos em mente que nascemos para fazer o bem. Todos os dias. Todos os momentos. Sem férias. Sem descanso. Na suprema doçura do dever cumprido. Cumprido com amor.

Hoje, você mulher, que está me lendo, talvez você esteja grávida. Ou venha a estar um certo dia.

Talvez você tenha a tentação de achar que não vale a pena dar seu tempo e sua atenção a seu filho que vai nascer. Talvez você seja tentada a seguir os conselhos dos arautos da morte, dos que dizem que o corpo é seu, que você não deve “sacrificar” sua vida e seus prazeres pelo ser humano que cresce dentro de você e que quer abraçá-la e beijá-la. E quem sabe venha a ser seu amparo e sua honra na sua velhice.

Nesta hora, cara amiga, lembre-se dos bombeiros. Lembre-se do soldado Barbosa que deu sua vida pela pobre Salete.
Diga sim à vida. À verdadeira vida. Sem egoísmos, sem medo de sofrer. Acolha seu filho. Proteja-o. Lute por ele. Morra por ele. E tenha assim, já nesta vida, a doçura do dever cumprido. E o cêntuplo no outro mundo.