GUERRA CONTRA
O IRÃ VISTA PELA MÍDIA CATÓLICA CONSERVADORA/TRADICIONALISTA
No artigo 3 da série, postado dia 26 de abril
p.p., vimos que a mídia católica progressista julga que a doutrina social da
Igreja condena fortemente a guerra. Há até quem pergunte se não é hora de
proclamar que toda guerra moderna é imoral.
Por outro lado, como veremos hoje, a mídia
conservadora é mais contida em suas críticas e mais cuidadosa ao analisar cada
ponto da DSI sobre a guerra a fim de ver se a ética está sendo violada. Apesar
de divergências pontuais, há unanimidade quando se trata da condenação dos
males praticados contra civis. São tidos por inadmissíveis. Concluem que, a
guerra contra o Irã, do modo como está sendo praticada por Netaniahu e Trump,
não pode ser apoiada por católicos.
Vamos sintetizar o que dizem alguns dos
principais órgãos dessa mídia.
A MÍDIA CONSERVADORA/TRADICIONALISTA
Destacamos: National Catholic Register, Where Peter is, The Catholic Thing e The Wanderer Newspaper.
Todos esses veículos tendem a publicar
análises mais variadas; não rejeitam a guerra de modo absoluto, mas há linhas
críticas relevantes.
1.
É uma crítica prudencial.
Seguem a doutrina tradicional da guerra justa. Não há pacifismo. No
caso concreto consideram a guerra contra o Irã como arriscada e mal calculada.
Ademais
encontramos em seus artigos uma pergunta central: os objetivos da guerra são
alcançáveis?
2.
Quando se trata de discutir
se os critérios clássicos da guerra justa são cumpridos são mais
cuidadosos na análise, mas concluem que os critérios não são satisfeitos.
3.
Preocupação com a ordem
internacional. Em geral critica-se a guerra preventiva de
Trump e Netaniahu porque podem estar infringindo normas internacionais e abrindo
brechas para legitimar futuros conflitos. Sendo assim estaríamos correndo o
risco de aceitar um mundo regido pela “lei do mais forte”.
4.
Risco de escalada e caos regional
Os artigos expressam o temor que venhamos a ter uma guerra prolongada
com todas as suas negativas consequências. Podemos ter o colapso do Irã com um
futuro difícil de prever e a desestabilização do Oriente Médio. Tudo produzindo
um possível impacto global na energia e na segurança internacional.
5.
Crítica à falta de objetivos
claros. Sabemos que um dos critérios para julgarmos
uma guerra justa são os objetivos claros de quem as inicia. Ora, dizem eles,
não é o que parece acontecer. Uma hora a meta é a mudança do regime iraniano e
o advento de uma democracia em seu território. Noutra o mais importante é o
combate ao terrorismo e, finalmente, a necessidade de contenção nuclear.
Contraditoriamente, Trump uma hora diz que a implantação da democracia é
importante, depois nega. Em suma, o que é realmente urgente, perguntam?
É lembrado
também que a estratégia de guerra tem que ser conforme o objetivo apontado.
Consideram que isso não está claro ou suficientemente demonstrado. Isso
explicaria a ausência de uma estratégia coerente.
Resultado:
O conjunto compromete o critério de “intenção justa” da guerra.
6.
Preocupação com custos
humanos e sociais.
É o ponto
onde estão as objeções mais fortes. Neste ponto, é bom ressaltar, estão bem de
acordo com o que têm expressado os bispos norte-americanos e o Santo Padre.
São os
pontos mais constatáveis. Com efeito, é difícil para quem escreve sobre o
assunto saber se o Irã, por exemplo, estaria a ponto de produzir bombas
atômicas, e lançá-las sobre Israel, por exemplo, em um, dois ou seis meses. Já
o mesmo, dizem, não acontece com os bombardeios brutais no Irã e no Líbano. Aí
sabemos que tem havido a morte de grande número de inocentes. Seres humanos sem
possibilidade de defesa diante de bombardeios brutais.
Em suma: mais do que nunca a guerra deve ser
evitada. O último recurso deve ser real, não apenas retórico.
Poderia, agora, fazer pelo menos uma citação
de cada órgão mencionado, mas temo que o artigo fique longo demais. Talvez, mais
para a frente faça um artigo só de citações. De qualquer modo, como dou os
links de alguns artigos, o amigo leitor poderá ali encontrar mais informações.
Agora, a conclusão geral dos 4 artigos
Apesar de certas diferenças de abordagens podemos concluir que:
🔴 Progressistas. Tendem a ter um juízo
moral negativo já nas premissas: a guerra aparece como desproporcional,
imprudente e eticamente injustificável. Ela não cumpre os critérios da DSI.
🔵 Conservadores → A DSi e o Catecismo da Igreja
são usados para abrir uma avaliação rigorosa. Os critérios são exigentes e
levam a concluir que provavelmente os critérios de guerra justa não são
cumpridos.
Uma convergência
significativa. Ambas as correntes manifestam profundo
ceticismo quanto à legitimidade moral de uma guerra contra o Irã nas condições
concretas analisadas.
Apesar das diferenças é bom
ver no debate a força da tradição católica. E a beleza de uma doutrina que
exige, antes de tudo, e sempre, um juízo moral exigente, prudente e
profundamente atento à realidade.
FONTES:
1.https://thewandererpress.com/a-leaven-in-the-world-dont-get-distracted-from-the-real-war/
É considerado conservador e tradicionalista.
2.https://wherepeteris.com/attacking-iran-fails-to-meet-catholic-just-war-teaching/
Atacar o Irã não está de acordo com o ensinamento católico
da “guerra justa”.
3.https://www.thecatholicthing.org/2026/03/02/war-just-and-unjust/
The catholic thing é considerado conservador
Guerra, justa e injusta
4.https://www.ewtn.com/catholicism/library/conditions-of-a-just-war-11050
Condições de uma guerra justa
EWTN é considerado conservador crítico. Conforme artigo
que escrevemos sobre as correntes na Igreja ele seria considerado um
conservador resistente. National Catholic Register é deste grupo. Ele tem
enorme alcance. Atinge mais de 100 milhões de pessoas.
Teólogos católicos instam Trump a seguir a doutrina da
guerra justa
Neste outro link você encontrará longo e interessante
artigo do venerável Fulton Sheen sobre a guerra justa. É bem completo e com
ótimos exemplos.
6.https://www.ewtn.com/catholicism/library/conditions-of-a-just-war-11050
Fulton Sheen. Condições de uma guerra justa
Observação: nos
artigos sobre as guerras mencionamos três correntes teológicas que existem no
interior da igreja. Caso queira entender melhor cada uma delas veja o que
escrevi em meu site claravalcister:
1.https://www.claravalcister.com/igreja/correntes-doutrinarias-dentro-da-igreja-1/
Aborda também o tradicionalismo e o
sedevacantismo
17 de julho de 2020
2.https://www.claravalcister.com/igreja/correntes-doutrinarias-dentro-da-igreja-2-os-conservadores/
02 de agosto de 2020
10
de outubro de 2020
10
de outubro de 2020
5.https://www.claravalcister.com/historia-da-igreja/correntes-ideologicas-na-igreja-4-o-progressismo/
13 de janeiro de 2021
6.Ainda
pode ser feito um juízo da guerra a partir da perspectiva protestante, muçulmana
e da ética judaica. Especialmente nesta há muita coisa a ser vista. Vou
publicar depois.
No próximo
artigo, para descansarmos um pouco do tema, explanarei a visão de Trump sobre
os EUA. Com base em palestra de J. Vance.

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