quinta-feira, 7 de maio de 2026

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA. POLÍTICA. GUERRA TERRORISMO. VIOLÊNCIA – 4.

 

GUERRA CONTRA O IRÃ VISTA PELA MÍDIA CATÓLICA CONSERVADORA/TRADICIONALISTA

Valter de Oliveira

Introdução

No artigo 3 da série, postado dia 26 de abril p.p., vimos que a mídia católica progressista julga que a doutrina social da Igreja condena fortemente a guerra. Há até quem pergunte se não é hora de proclamar que toda guerra moderna é imoral.

 

Por outro lado, como veremos hoje, a mídia conservadora é mais contida em suas críticas e mais cuidadosa ao analisar cada ponto da DSI sobre a guerra a fim de ver se a ética está sendo violada. Apesar de divergências pontuais, há unanimidade quando se trata da condenação dos males praticados contra civis. São tidos por inadmissíveis. Concluem que, a guerra contra o Irã, do modo como está sendo praticada por Netaniahu e Trump, não pode ser apoiada por católicos. 

 

Vamos sintetizar o que dizem alguns dos principais órgãos dessa mídia.

 

 

A MÍDIA CONSERVADORA/TRADICIONALISTA

 

Destacamos: National Catholic Register, Where Peter is, The Catholic Thing e The Wanderer Newspaper. 

 

Todos esses veículos tendem a publicar análises mais variadas; não rejeitam a guerra de modo absoluto, mas há linhas críticas relevantes.

 

1.    É uma crítica prudencial. Seguem a doutrina tradicional da guerra justa. Não há pacifismo. No caso concreto consideram a guerra contra o Irã como arriscada e mal calculada.

 

Ademais encontramos em seus artigos uma pergunta central: os objetivos da guerra são alcançáveis?

 

2.    Quando se trata de discutir se os critérios clássicos da guerra justa são cumpridos são mais cuidadosos na análise, mas concluem que os critérios não são satisfeitos.

 

3.    Preocupação com a ordem internacional. Em geral critica-se a guerra preventiva de Trump e Netaniahu porque podem estar infringindo normas internacionais e abrindo brechas para legitimar futuros conflitos. Sendo assim estaríamos correndo o risco de aceitar um mundo regido pela “lei do mais forte”. 

4.   


Risco de escalada e caos regional

 

Os artigos expressam o temor que venhamos a ter uma guerra prolongada com todas as suas negativas consequências. Podemos ter o colapso do Irã com um futuro difícil de prever e a desestabilização do Oriente Médio. Tudo produzindo um possível impacto global na energia e na segurança internacional.

 

    5.    Crítica à falta de objetivos claros. Sabemos que um dos critérios para julgarmos uma guerra justa são os objetivos claros de quem as inicia. Ora, dizem eles, não é o que parece acontecer. Uma hora a meta é a mudança do regime iraniano e o advento de uma democracia em seu território. Noutra o mais importante é o combate ao terrorismo e, finalmente, a necessidade de contenção nuclear. Contraditoriamente, Trump uma hora diz que a implantação da democracia é importante, depois nega. Em suma, o que é realmente urgente, perguntam?

 

É lembrado também que a estratégia de guerra tem que ser conforme o objetivo apontado. Consideram que isso não está claro ou suficientemente demonstrado. Isso explicaria a ausência de uma estratégia coerente.

 

Resultado: O conjunto compromete o critério de “intenção justa” da guerra.

 

6.    Preocupação com custos humanos e sociais.

 

É o ponto onde estão as objeções mais fortes. Neste ponto, é bom ressaltar, estão bem de acordo com o que têm expressado os bispos norte-americanos e o Santo Padre.

 

São os pontos mais constatáveis. Com efeito, é difícil para quem escreve sobre o assunto saber se o Irã, por exemplo, estaria a ponto de produzir bombas atômicas, e lançá-las sobre Israel, por exemplo, em um, dois ou seis meses. Já o mesmo, dizem, não acontece com os bombardeios brutais no Irã e no Líbano. Aí sabemos que tem havido a morte de grande número de inocentes. Seres humanos sem possibilidade de defesa diante de bombardeios brutais.

 

Em suma: mais do que nunca a guerra deve ser evitada. O último recurso deve ser real, não apenas retórico.

 

Poderia, agora, fazer pelo menos uma citação de cada órgão mencionado, mas temo que o artigo fique longo demais. Talvez, mais para a frente faça um artigo só de citações. De qualquer modo, como dou os links de alguns artigos, o amigo leitor poderá ali encontrar mais informações.

 

Agora, a conclusão geral dos 4 artigos

 


Apesar de certas diferenças de abordagens podemos concluir que:

 

🔴 Progressistas. Tendem a ter um juízo moral negativo já nas premissas: a guerra aparece como desproporcional, imprudente e eticamente injustificável. Ela  não cumpre os critérios da DSI.

🔵 Conservadores → A DSi e o Catecismo da Igreja são usados para abrir uma avaliação rigorosa. Os critérios são exigentes e levam a concluir que provavelmente os critérios de guerra justa não são cumpridos.  

 

Uma convergência significativa. Ambas as correntes manifestam profundo ceticismo quanto à legitimidade moral de uma guerra contra o Irã nas condições concretas analisadas.

Apesar das diferenças é bom ver no debate a força da tradição católica. E a beleza de uma doutrina que exige, antes de tudo, e sempre, um juízo moral exigente, prudente e profundamente atento à realidade.

 

FONTES:

1.https://thewandererpress.com/a-leaven-in-the-world-dont-get-distracted-from-the-real-war/

É considerado conservador e tradicionalista.

 

2.https://wherepeteris.com/attacking-iran-fails-to-meet-catholic-just-war-teaching/

Atacar o Irã não está de acordo com o ensinamento católico da “guerra justa”.

 

3.https://www.thecatholicthing.org/2026/03/02/war-just-and-unjust/

 

The catholic thing é considerado conservador

 

Guerra, justa e injusta

 

 

4.https://www.ewtn.com/catholicism/library/conditions-of-a-just-war-11050

Condições de uma guerra justa

EWTN é considerado conservador crítico. Conforme artigo que escrevemos sobre as correntes na Igreja ele seria considerado um conservador resistente. National Catholic Register é deste grupo. Ele tem enorme alcance. Atinge mais de 100 milhões de pessoas.    

 

5.https://www.ncregister.com/cna/catholic-theologians-urge-trump-to-follow-just-war-doctrine-as-iran-conflict-continues

Teólogos católicos instam Trump a seguir a doutrina da guerra justa

 

Neste outro link você encontrará longo e interessante artigo do venerável Fulton Sheen sobre a guerra justa. É bem completo e com ótimos exemplos.

6.https://www.ewtn.com/catholicism/library/conditions-of-a-just-war-11050

Fulton Sheen. Condições de uma guerra justa

 

 

Observação: nos artigos sobre as guerras mencionamos três correntes teológicas que existem no interior da igreja. Caso queira entender melhor cada uma delas veja o que escrevi em meu site claravalcister:

1.https://www.claravalcister.com/igreja/correntes-doutrinarias-dentro-da-igreja-1/

Aborda também o tradicionalismo e o sedevacantismo

17 de julho de 2020

2.https://www.claravalcister.com/igreja/correntes-doutrinarias-dentro-da-igreja-2-os-conservadores/

02 de agosto de 2020

 

3.https://www.claravalcister.com/igreja/correntes-teologicas-na-igreja-3-os-conservadores-resistentes-parte-1/

10 de outubro de 2020

 

4.https://www.claravalcister.com/igreja/correntes-teologicas-na-igreja-3-dissidencia-conservadora-e-resistencia-parte-2/

10 de outubro de 2020

 

5.https://www.claravalcister.com/historia-da-igreja/correntes-ideologicas-na-igreja-4-o-progressismo/

13 de janeiro de 2021

 

6.Ainda pode ser feito um juízo da guerra a partir da perspectiva protestante, muçulmana e da ética judaica. Especialmente nesta há muita coisa a ser vista. Vou publicar depois.

No próximo artigo, para descansarmos um pouco do tema, explanarei a visão de Trump sobre os EUA. Com base em palestra de J. Vance.

 

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