sexta-feira, 11 de setembro de 2026

POLÍTICA. CONCEITOS. PRINCÍPIOS. DISCUSSÃO

 

DISCUTINDO POLÍTICA SERIAMENTE


Valter de Oliveira


Terminamos mais uma eleição. E, como sempre, as interpretações são bem diferentes.

Para uns, escolhemos mais democracia, mais justiça social, mais atenção aos pobres e mais prosperidade. Além disso, teríamos evitado a volta do fascismo.

Para outros, a manipulação venceu. Lula, irresponsavelmente, teria procurado comprar o eleitorado com seu pacote de bondades. Aumentou ainda mais a dívida pública, o que poderá piorar a economia do país. E a vitória ainda favorecerá a chamada “ditadura da toga”.

Procurei abordar essas questões em alguns artigos publicados nos sites Claravalcister e Olivereduc. Também discuti o assunto com amigos do Facebook, de esquerda e de direita.

Ética e manipulação

Imagem de IA
Como sabem, procuro discutir os assuntos sob a ótica do Direito Natural e da Doutrina Social da Igreja. Por isso, busco conhecer o que há de melhor nas ciências humanas, para compreender melhor a realidade. Afinal, elas oferecem informações importantes para analisar, por exemplo, a política contemporânea.

Não é tarefa fácil. Primeiro, pela complexidade dos problemas. Segundo, pela manipulação política. Terceiro, pelas próprias dificuldades da sociedade e pelas paixões que influenciam a opinião pública.

Pessoas sérias como você, que está lendo este texto, certamente gostariam de ter acompanhado um debate político elevado, entre adversários que respeitassem as regras do jogo. Mais do que isso, gostariam de ter visto programas de governo concretos, capazes de mostrar ao nosso povo sofrido como sair da crise atual e construir um futuro viável e melhor para todos.

Aconteceu?

Debates nas redes sociais. 

Encontrei muita coisa deplorável. Algumas, imperdoáveis.

Todos sabemos que nosso sistema educacional tem graves falhas. Por causa delas, milhões de brasileiros, mesmo tendo concluído o Ensino Médio ou até uma faculdade, enfrentam dificuldades para compreender textos. Naturalmente, isso também dificulta a compreensão da política.

Quantos sabem, por exemplo, o que é uma reforma fiscal ou tributária? Quantos conhecem as diferentes formas de democracia e de socialismo? Quantos sabem definir fascismo? E quantos compreendem como funciona nosso sistema eleitoral?

Por isso, não costumo condenar nossos irmãos brasileiros por suas escolhas políticas, mesmo quando as considero equivocadas. Todos temos defeitos e paixões; todos podemos agir bem ou mal. Basta lembrar que muitos eleitores que votaram em Lula já votaram em Bolsonaro. Vemos isso entre familiares, colegas e amigos.

Se compreendo as dificuldades do povo comum, tão assoberbado por problemas, tenho mais dificuldade em compreender certos colegas e ex-alunos. São pessoas com formação universitária, algumas até com mestrado e doutorado, que participaram dessas discussões nas mídias sociais.

A democracia admite e até exige a diversidade e o pluralismo. Por isso, aceito o debate com todos. Mas há condições: seriedade, respeito e ética. Isso vale tanto para nosso relacionamento pessoal quanto para a maneira de apresentar nossa visão de mundo e, em especial, nossas ideias políticas.

Encontrei isso?

Em parte, sim. No essencial, não.

Explico-me.

Minhas principais discussões foram com ex-colegas de esquerda e alguns ex-alunos, de diferentes áreas de formação. Minhas principais queixas são estas:

1. Falta de clareza nos posicionamentos.

Em muitos casos, não fica claro qual é o posicionamento ideológico da pessoa. Ela é apenas contra o “fascismo”? É social-democrata? Defende alguma corrente socialista? A discussão não esclarece.

Imagem de IA
Em lugar de argumentos, aparecem os chavões. “O rico é explorador!”, por exemplo. Mas de que estamos falando? De casos concretos de abusos do capitalismo ou da adesão à teoria marxista da exploração? São coisas que precisam ser esclarecidas e discutidas, não apenas repetidas.

Tive e tenho colegas com bom nível acadêmico que são marxistas de carteirinha. Apesar das divergências, tivemos e temos bom relacionamento. Mas há uma questão que nunca consegui esclarecer nos debates: em que princípios éticos se baseiam para defender sua ação política?

2. Ética, manipulação e fake news 

Sabemos que, na prática, essa ação muitas vezes desrespeita a ética sem nenhum pudor. Apontei isso, por exemplo, quando vi a divulgação de fake news. Infelizmente, alguns pareciam impermeáveis à crítica. Três ou quatro dias depois, lá vinham mais notícias falsas!

É lamentável. E mais lamentável ainda quando se considera que são pessoas cujas qualidades acadêmicas e pessoais, admiro.

Disse claramente a alguns deles que nós, como professores, temos uma nobre missão: educar. Isso significa convidar as pessoas a aprofundar seus conhecimentos, com amor à verdade, ao bem e à beleza.

Não podemos fechar os olhos para a manipulação. Muito menos aceitar um debate político raso e simplista.

Como não foi possível realizar esse debate nas condições que considero necessárias, vou usar este blog  para apresentar conceitos e princípios de uma verdadeira política. Um dos temas centrais será a ética, examinada à luz de diferentes correntes filosóficas. Também veremos o que pensadores e estudiosos dizem sobre as principais formas de manipulação política.

Vocês me acompanham?

Deixo um desafio aos que não quiseram aprofundar o assunto no FB: vamos continuar por aqui.

Neste espaço há mais tempo para conversar — e não é preciso escrever muito. Depois de cada artigo, basta dizer: Fato ou Fake?

Combinado?