DISCUTINDO POLÍTICA SERIAMENTE
Valter de Oliveira
Terminamos mais uma eleição. E, como sempre, as
interpretações são bem diferentes.
Para uns, escolhemos mais democracia, mais justiça social, mais
atenção aos pobres e mais prosperidade. Além disso, teríamos evitado a volta do
fascismo.
Para outros, a manipulação venceu. Lula, irresponsavelmente,
teria procurado comprar o eleitorado com seu pacote de bondades. Aumentou ainda
mais a dívida pública, o que poderá piorar a economia do país. E a vitória
ainda favorecerá a chamada “ditadura da toga”.
Procurei abordar essas questões em alguns artigos publicados
nos sites Claravalcister e Olivereduc. Também discuti o assunto com amigos do
Facebook, de esquerda e de direita.
Ética e manipulação
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Não é tarefa fácil. Primeiro, pela complexidade dos
problemas. Segundo, pela manipulação política. Terceiro, pelas próprias
dificuldades da sociedade e pelas paixões que influenciam a opinião pública.
Pessoas sérias como você, que está lendo este texto,
certamente gostariam de ter acompanhado um debate político elevado, entre
adversários que respeitassem as regras do jogo. Mais do que isso, gostariam de
ter visto programas de governo concretos, capazes de mostrar ao nosso povo
sofrido como sair da crise atual e construir um futuro viável e melhor para
todos.
Aconteceu?
Debates nas redes sociais.
Encontrei muita coisa deplorável. Algumas, imperdoáveis.
Todos sabemos que nosso sistema educacional tem graves
falhas. Por causa delas, milhões de brasileiros, mesmo tendo concluído o Ensino
Médio ou até uma faculdade, enfrentam dificuldades para compreender textos.
Naturalmente, isso também dificulta a compreensão da política.
Quantos sabem, por exemplo, o que é uma reforma fiscal ou
tributária? Quantos conhecem as diferentes formas de democracia e de
socialismo? Quantos sabem definir fascismo? E quantos compreendem como funciona
nosso sistema eleitoral?
Por isso, não costumo condenar nossos irmãos brasileiros por
suas escolhas políticas, mesmo quando as considero equivocadas. Todos temos
defeitos e paixões; todos podemos agir bem ou mal. Basta lembrar que muitos
eleitores que votaram em Lula já votaram em Bolsonaro. Vemos isso entre
familiares, colegas e amigos.
Se compreendo as dificuldades do povo comum, tão assoberbado
por problemas, tenho mais dificuldade em compreender certos colegas e
ex-alunos. São pessoas com formação universitária, algumas até com mestrado e
doutorado, que participaram dessas discussões nas mídias sociais.
A democracia admite e até exige a diversidade e o
pluralismo. Por isso, aceito o debate com todos. Mas há condições: seriedade,
respeito e ética. Isso vale tanto para nosso relacionamento pessoal quanto para
a maneira de apresentar nossa visão de mundo e, em especial, nossas ideias
políticas.
Encontrei isso?
Em parte, sim. No essencial, não.
Explico-me.
Minhas principais discussões foram com ex-colegas de
esquerda e alguns ex-alunos, de diferentes áreas de formação. Minhas principais
queixas são estas:
1. Falta de clareza nos posicionamentos.
Em muitos casos, não fica claro qual é o posicionamento
ideológico da pessoa. Ela é apenas contra o “fascismo”? É social-democrata?
Defende alguma corrente socialista? A discussão não esclarece.
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Tive e tenho colegas com bom nível acadêmico que são
marxistas de carteirinha. Apesar das divergências, tivemos e temos bom
relacionamento. Mas há uma questão que nunca consegui esclarecer nos debates: em
que princípios éticos se baseiam para defender sua ação política?
2. Ética, manipulação e fake news
Sabemos que, na prática, essa ação muitas vezes desrespeita
a ética sem nenhum pudor. Apontei isso, por exemplo, quando vi a divulgação de fake
news. Infelizmente, alguns pareciam impermeáveis à crítica. Três ou quatro
dias depois, lá vinham mais notícias falsas!
É lamentável. E mais lamentável ainda quando se considera
que são pessoas cujas qualidades acadêmicas e pessoais, admiro.
Disse claramente a alguns deles que nós, como professores,
temos uma nobre missão: educar. Isso significa convidar as pessoas a aprofundar
seus conhecimentos, com amor à verdade, ao bem e à beleza.
Não podemos fechar os olhos para a manipulação. Muito menos
aceitar um debate político raso e simplista.
Como não foi possível realizar esse debate nas condições que
considero necessárias, vou usar este blog para apresentar conceitos e princípios de uma
verdadeira política. Um dos temas centrais será a ética, examinada à luz de
diferentes correntes filosóficas. Também veremos o que pensadores e estudiosos
dizem sobre as principais formas de manipulação política.
Vocês me acompanham?
Deixo um desafio aos que não quiseram aprofundar o assunto
no FB: vamos continuar por aqui.
Neste espaço há mais tempo para conversar — e não é preciso
escrever muito. Depois de cada artigo, basta dizer: Fato ou Fake?
Combinado?


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