sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Alegria (por Javier Velazco)
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Percival Puggina
Um transeunte resolveu penetrar na intimidade daquele recinto. Tendo identificado o mestre escultor, aproximou-se e contemplou o que fazia. Era a estátua de uma figura humana de porte soberbo, entalhada em fino mármore. Quedou-se ali, silencioso, acompanhando a meticulosa tarefa cujos detalhes – o rigor do artista bem o indicava – ainda ocupariam longas semanas. Lá pelas tantas, atreveu-se a indagar: “Essa é a imagem que irá para o altar-mor?” O escultor voltou-se para ele como quem emergisse de profunda concentração e contestou: “Não, este é um dos doze apóstolos que serão colocados ao longo do alinhamento mais elevado da cobertura”.
O visitante não pode conter seu espanto e voltou a interpelar: “Nesse caso, as imagens ficarão a grande altura do solo e jamais poderão ser apreciados os detalhes nos quais o senhor tanto se detém e que longo tempo ainda lhe irão tomar”. A resposta do escultor veio rápida, encerrando em duas palavras a sabedoria de uma parábola: “Ele verá!”
Ouvi essa história há muitos anos, mas a curta resposta do escultor ainda ecoa em minha mente: “Ele verá”. Tanta contradição entre ela e os critérios do mundo! Quantas vezes dedicamos nosso esforço e zelo buscando a perfeição nas coisas dos homens (e é bom que assim façamos) sem que nada semelhante, em zelo e esforço, reservemos para as coisas de Deus? Bem ao contrário, para Ele costumamos deixar migalhas das sobras do tempo e os restos da nossa vitalidade.
Entre as muitas esculturas que surgem como obras de nossas próprias mãos encontramo-nos nós mesmos. E aqui, quase sempre, a busca da perfeição é deixada de lado: “Somos como somos” costumamos dizer, desleixados e desatentos em perceber que a santidade é a catedral que mais agrada a Deus, a obra que se eleva acima dos telhados mundanos, e cujo campanário repica a glória do Senhor que tudo vê.
_____________________
* Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.
Fonte: puggina.org
terça-feira, 30 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Para surpresa minha, ao ler seus artigos nesta semana, vi que abordaram a Campanha da Fraternidade de modo diferente. Aleksandro mostra o que vê de positivo. Puggina vê perigo no modo como a CNBB aborda o tema da economia e da justiça social. Terá razão? Leiam e tirem suas conclusões. Ou aguardem eventual resposta do Vaticano...

FRATERNIDADE, ECONOMIA E VIDA
Aleksandro Clemente
A CF deste ano ensina que a economia deve ser orientada antes de tudo para o bem comum e que não se deve aceitar um modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com as pessoas. Segundo os dados apresentados pela CNBB, chegaremos ainda este ano a 1,02 bilhões de pessoas passando fome (ONU); há no Brasil mais de 10 milhões de indigentes e mais de 40 milhões de pobres (IETS). Esses números mostram que a pobreza e a exclusão social atingiram índices intoleráveis e incompatíveis com a fraternidade cristã. Não é possível ao cristão ficar indiferente a essa situação que reforça a desigualdade e amplia o abismo existente entre ricos e pobres. O pior é saber que toda essa pobreza não é obra do acaso, mas o resultado de opções por modelos econômicos intrinsecamente injustos.
A Igreja lembra-nos que a sociedade precisa se guiar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e de valorização da vida como o bem mais precioso. Para isso é preciso investir na relação entre as pessoas; a economia deve estar a serviço do ser humano e deve-se dar oportunidades iguais para todos. Não por acaso a Campanha da Fraternidade desde ano é ecumênica, para conclamar todas as Igrejas, todas as religiões e a sociedade em geral para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça.
Ser rico não é pecado, desde que os bens tenham sido conquistados com honestidade. Mas a avareza e a indiferença para com o irmão necessitado são algumas das piores ofensas que se pode praticar contra Deus e contra o próprio homem.
Dr. Aleksandro Clemente é Advogado, Professor de Direito e Bioética em São Paulo. Pós-graduado em Direito pela Universidade Mackenzie e em Governo e Poder Legislativo pela UNESP. É membro da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB/SP e Coordenador da Comissão de Bioética e Defesa da Vida da Diocese de São Miguel Paulista
Blog: http://aleksandroclemente.blogspot.com
Msn: dr.aleksandro@hotmail.com
E-mail: aleksandroclemente@hotmail.com
ERROS DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

Percival Puggina
A minha consternação se agrava, contudo, pela reiteração de certos equívocos que ficam bem nítidos na atual Campanha da Fraternidade. Um deles está na confusão entre os campos da Economia e da Política. Os documentos da CNBB são useiros e vezeiros em misturar essas duas esferas da atividade humana, atribuindo à primeira aquilo que é próprio da segunda. Como consequência, pretendem conferir aos agentes econômicos obrigações inerentes às instituições políticas. Trata-se de uma desatenção ao próprio pensamento católico, que reconhece a autonomia das duas esferas. De um sistema econômico se espera que produza, ao máximo de suas possibilidades, riqueza, desenvolvimento, postos de trabalho, tributos e renda, ou seja, condições materiais para a melhoria dos padrões de vida da sociedade. É o que pede a Campanha da Fraternidade de 2010? Não. Ela, enquanto aponta idolatrias e excessos que todos condenam, quer que o sistema econômico nacional, priorizando a partilha e a solidariedade, rejeite as exigências do mercado, do consumo e do lucro. E gere empregos e tributos com penitência e oração?
Toda consciência bem formada se revolta com as tragédias da pobreza material, feitas de analfabetismo, baixo nível educacional e cultural, más condições habitacionais e sanitárias, abandono dos aposentados. Feitas também por corrupção, esbanjamentos, mordomias, absurdos desníveis na remuneração do serviço público e maus governos. Não é com a superação desses embaraços que venceremos a miséria e os desníveis sociais? Pois é tudo campo da Política! Miséria e desníveis sociais são temas para os poderes públicos, que se apropriam de 40% do PIB nacional! As justas preocupações com partilha e solidariedade deveriam focar, principalmente, essa brutal ruptura com o Princípio da Subsidiariedade. É grave erro da Campanha não dizer que os problemas do Brasil são muito mais políticos do que econômicos. Muito mais institucionais do que empresariais. Bons governos, com boas políticas, enfrentam essas dificuldades valendo-se da competente operação do setor privado.
Outro erro, ainda, está na influência marxista que se derrama sobre boa parte dos documentos da CNBB. Neles, o pobre, o pobre do Evangelho, sob influxo da mais do que reprovada Teologia da Libertação (TL), vira excluído. E fica subentendido que o excluído está excluído porque o incluído não o quer dentro. Assim, o apelo evangélico à caridade se converte em luta de classe. E saiba leitor, que Bento XVI, ainda agora, no dia 5 de dezembro, olho no olho, advertiu os bispos brasileiros do Sul III e IV contra “os princípios enganadores da TL” e para “o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas”. Será preciso dizer mais?
ZERO HORA, 28/02/2010
Senhores,
Na condição de fiel leigo, atuante em movimentos da nossa Igreja Católica, levo a essa nobre Congregação a minha inconformidade perante o que vem acontecendo na Conferência dos Bispos do Brasil. Os fatos não são estranhos ao conhecimento de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Falando aos bispos brasileiros do Sul III e IV, em visita ad limina, no dia 5 de Dezembro do ano passado, ele usou palavras muito claras ao adverti-los contra “os princípios enganadores da Teologia da Libertação” e para “o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas”.
Pois bem, nestes dias quaresmais, está em curso uma nova Campanha da Fraternidade, desta feita ecumênica, sob cujas sombras brilham citações evangélicas e sob cujas luzes se insinuam leituras marxistas da realidade social brasileira, afinadas com aquela reprovada subteologia.
Soma-se a tais distorções, na Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, um profundo desconhecimento das autonomias inerentes a duas esferas da atividade humana – a da economia e a da política. Assumindo critérios de interpretação próprios do marxismo, ela busca atribuir à economia de mercado tarefas que são próprias da política – esta sim, responsável pelos principais fatores que dão causa à miséria e às profundas desigualdades sociais do nosso país: analfabetismo, baixo nível intelectual, péssimo sistema educacional, deficiências culturais, má distribuição de renda, políticas monetárias, desníveis salariais do setor público, apropriação de 40% do PIB nacional pelo Estado, corrupção, descontrole do gasto público, bem como mordomias, luxos e prodigalidades custeados com recursos dos contribuintes. Não, não é a economia de mercado que dá causa aos problemas sociais brasileiros. É da má política e da inadequação de nossas instituições que tais males derivam.
Muito conviria a essa Congregação conhecer o desconforto e a rejeição suscitada pela atual Campanha, que, de modo solerte, confunde idolatria com economia de mercado e recua em relação à Doutrina Social da Igreja quando propõe vagos modelos “alternativos” de organização da atividade econômica “que privilegiem a solidariedade e a partilha”, sem nada explicitar concretamente ou apontando para instrumentos consagrados há mais de um século (como o cooperativismo em harmonia com a economia de mercado) ou, ainda, para o retorno às fracassadas experiências do socialismo. E, por outro viés, silencia sobre a firme orientação que o Santo Padre João Paulo II explicitou com tanta clareza nos nºs 41 e 42 da Centesimus Annus.
É preciso atentar para a gravidade da situação. A totalidade da opinião pública e da imprensa brasileira confunde a CNBB com “a” Igreja. Quando alguém se manifesta nessa organização, seja o presidente, seja um assessor, as manchetes falam em manifestação “da” Igreja. A Campanha da Fraternidade é “da” Igreja. Seus temas e seus lemas também são vistos assim. Jamais, alguém da estrutura da organização faz a necessária distinção e esclarecimento, estimulando uma fusão e uma confusão que, ao que se infere, bem lhes convém.
Não bastasse furtar a riqueza espiritual da Quaresma para fazer dela um tempo de polêmica e radicalização política e ideológica, envolvendo o ano litúrgico em questões temporais e políticas desviadas da sã doutrina e da orientação pontifícia, a CNBB acaba de providenciar aos leigos brasileiros uma nova surpresa.
Periodicamente, a assessoria da instituição (o mesmo grupo de assessores que fornece a carne, os ossos, as cartilagens e o animus de seus documentos oficiais) emite “Análises de conjuntura”. São textos que, se despidos dos eventuais recursos ao léxico religioso, poderiam constituir editoriais do Granma. Vêm, é verdade, com a observação de que não constituem “opinião oficial da entidade”. Mas são acolhidas no site da CNBB, redigidas no seu estilo e pisam nas mesmas areias movediças por onde andam muitos de seus textos oficiais e oficiosos.
Agora, em plena efervescência das contestações à CFE de 2010, a mais recente “Análise de conjuntura” sugere, claramente, a continuidade do governo Lula, através da pessoa indicada por ele para o suceder, posto que a eleição do oposicionista José Serra representaria “o retorno da política neoliberal anteriormente efetivada por Fernando Henrique Cardoso, dialogando com os interesses do empresariado nacional e do capital internacional”.
O assunto trouxe a CNBB novamente ao noticiário, com ela arrastando “a” Igreja Católica para o torvelinho do debate político e para as matérias de opinião. Esse não é o campo próprio da Igreja. Mas, repita-se, o ingresso da CNBB e de suas pastorais nesse jogo, com tal fardamento ideológico, não é novidade na cena brasileira. A CNBB e a maior parte de suas pastorais, seus documentos oficiais e não oficiais, sempre serviram às partidas disputadas pelo Partido dos Trabalhadores e pelas organizações da sociedade por ele lideradas. Mudam a música, mas não a letra. A identificação é tanta que a imprensa brasileira surpreendeu-se quando a CNBB veio a público reprovar certos preceitos do decreto presidencial que instituiu o Plano Nacional de Direitos Humanos, nos últimos dias do ano passado. A coisa soou como arrufos entre parceiros.
É uma pena. E penso que esteja a demandar uma atitude da Santa Sé para coibir abusos e desvios que tumultuam a vida da Igreja em nosso país, espalhando entre os fiéis a rebelião, a divisão, o dissenso, a ofensa e anarquia tão precisamente apontadas por nosso querido pontífice Bento XVI. Os problemas criados “na” e “pela” CNBB só se resolverão com uma total remodelação das estruturas de sua burocracia funcional e com a substituição dos atuais assessores. Eles evidenciam ter com seus vínculos ideológicos um compromisso muito superior do que com as angústias pastorais das dioceses. E arrastam a imagem da Igreja por esses descaminhos.
Em união de fé e amor ao Cristo Redentor.
Percival Puggina
Arquiteto, empresário e escritor em Porto Alegre, Brasil.
E-mail: puggina@puggina.org
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Recebi de um amigo, por e-mail, o texto que segue. Trata-se de uma experiência "socialista".
1. UM EXPERIM
Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira. Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e “justo”.
O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam "justas". Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A".
Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".
As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por "justiça" dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano. Para sua total surpresa.
O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós."
Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”
2. EXPERIMENTO SOCIALISTA NO CAMPO
Sei que alguém pode dizer que as informações que recebemos via internet são difíceis de ser checadas. Nesse sentido alguém poderia duvidar da veracidade da experiência realizada pelo professor da Universidade do Texas.Acontece que a experiência feita pelo professor obteve o mesmo resultado da experiência do chamado socialismo real, ou seja, nos países
socialistas o trabalho coletivo rendia menos que o trabalho individual. Jorge Lojacono, em sua obra “O marxismo” (1), cita fontes soviéticas que mostram que a produtividade por hectare na Rússia, em 1929 eram inferiores àquelas de 1913, antes da Revolução.Citando várias fontes ele faz a seguinte comparação entre a manutenção agrícola privada e a coletiva na antiga URSS.
"a) Nos Kolkhozes
(2) concede-se a toda família camponesa cultivar como “pedaço particular” um quarto ou um terço de hectare.1. Tais terrenos de manutenção particular constituem apenas 2,8% do terreno cultivado na URSS (Revista Soviética,março de 1964, p. 64).
2. É claro que eles deveriam dar, na justa proporção, menos de 3% de todos os produtos agrícolas da URSS.
3. Entretanto, eles rendem (em 1959) conforme relatório da FAO:
- batatas: 60% de toda a colheita nacional.
- ovos: 80% de toda a colheita nacional.
- verduras: 40% de toda a colheita nacional.
- carne: 47% de toda a colheita nacional.
- leite: 50% de toda a colheita nacional."
A Coréia do Norte, é outro país onde a experiência coletivista foi catastrófica. Na última grande fome ocorrida no país, houve um número enorme de mortos. Nossa imprensa pouco comentou...
Eis aí uma simples lição da História. Lição para muitos iludidos. Lição para o MST e seus simpatizantes...
Notas:
2. Após a Revolução de 1917 foi feita uma distribuição de propriedade rural na Rússia. Com a NEP (Nova Política Econômica) de Lenin, foi feita uma reabertura para a iniciativa privada. Incentivados, pequenos agricultores voltaram a intensificar a produção e os abastecimentos melhoraram.
Stalin pôs termo à NEP e resolveu nacionalizar totalmente a economia. Surgia a economia planificada. Em menos de um ano a classe dos kulaks (camponeses que haviam progredido) foi eliminada.
Todos os agricultores perderam suas terras e tiveram que trabalhar em sovkhozes (propriedades agrícolas do Estado) e kolkhozes (cooperativas de camponeses). Houve resistência (não havia sido prometida terra aos camponeses?). O resultado foi desastroso. Houve terrível período de fome entre 1932 e 33. Grande número de camponeses foram deportados para a Sibéria.
Diz Victor Serge, em “Memórias de um revolucionário”: “Um sábio russo, Proopovitch, efetuou um cálculo, segundo as estatísticas oficiais soviéticas: Em sete anos, perto de cinco milhões de famílias terão desaparecido”. (in DINIZ, Maria Emilia et allii. História 9. Lisboa, Editorial o Livro s/d).
Outra lição para quem acha que o MST só quer distribuir lotes individuais...
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Recebi de um sacerdote amigo um e-mail com as seguintes afirmações:

(...)."a estratégia das revoluções de hoje, nos países capitalistas desenvolvidos, tem que orientar-se no sentido de ganhar os aparatos ideológicos do Estado - e não destruí-los como prevê a doutrina leninista - para transformá-los e utilizá-los contra o poder do Estado do capital monopolista. Entre os aparatos ideológicos que atuam sobre a consciência humana estão os religiosos, os familiares, os jurídicos, os políticos, os de informação - imprensa escrita, rádio e televisão - e os culturais. A experiência moderna mostra que isso é possível . E aí está a chave para transformar o Estado por uma via democrática.
(...) atualmente a Universidade e os docentes se convertem com freqüência em focos de impugnação da sociedade capitalista graças ao nosso persistente trabalho..
(...) a Universidade ocupa um lugar privilegiado na atividade das forças políticas revolucionárias. Não apenas pela grande concentração de massas jovens, disponíveis para a ação, como também por ser ali que se formam os quadros para integrarem os aparatos ideológicos da sociedade e onde se semeiam as idéias marxistas e progressistas com um dos meios mais eficazes para assegurar e ganhar, pelo menos parcialmente, esses aparatos. À medida que as novas gerações se incorporarem à profissão esse fenômeno se estenderá e a impugnação à justiça burguesa tradicional se fará mais amplamente (...).
(...) .entre os aparatos ideológicos do Estado e da sociedade capitalista moderna estão os meios de comunicação: a televisão , o rádio e a imprensa escrita. Estas são hoje as armas ideológicas mais eficazes, porque penetram em todos em todos os lugares, umas vezes de modo agressivo e outras de forma sutil, desempenhando um papel alienante e embrutecedor ....
(...) a condição prévia é lutar por uma autêntica liberdade da cultura.(sic) O florescimento e a extensão da cultura são o terreno em que as idéias revolucionárias e progressistas podem firmar-se e influir cada vez mais, decisivamente, na marcha da humanidade penetrando e transformando os aparatos ideológicos da sociedade para as idéias revolucionárias ....
(...) a atitude que devemos adotar é, em substância, a luta pela conquista de posições, na medida do possível, nos aparatos ideológicos da sociedade, para as idéias revolucionárias ....
(...) uma das grandes tarefas históricas atuais para a conquista do poder do Estado e seus componentes, pelas forças socialistas, é a luta determinada, resoluta, inteligente, para voltar contra as classes que estão no poder a arma da ideologia e, consequentemente, os aparatos ideológicos, pois nenhuma classe pode conservar o poder do Estado se perde a hegemonia dos aparatos ideológicos (...).
(...) torna-se necessário que o Partido Comunista e todos os partidos que lutam pelo socialismo e, em geral, as forças transformadoras da sociedade assumam ante os aparatos coercitivos do Estado e seus componentes, um atitude distinta da que tem historicamente adotado. Quando há uma manifestação ou uma greve, não são os dirigentes do Banco do Estado que vão à rua enfrentar os grevistas ou os manifestantes. São as forças da ordem, a polícia e , em casos extremos, o Exército que o fazem. É esse papel que o poder do Estado do capital monopolista confere as Forças Armadas que devemos impugnar. Trata-se de lutar, por meios políticos e ideológicos, a fim de impor um novo conceito de ordem pública mais democrático e, de levar esse conceito à mente dos componentes das forças da ordem(...)
(...) é verdade que nós, comunistas , revisamos teses e fórmulas que, em outros tempos, eram artigos de fé. Mas não abandonaremos as idéias revolucionárias do marxismo: as noções de luta de classes, o materialismo histórico e o materialismo dialético. Não estamos retomando à social-democracia. Em primeiro lugar porque não descartamos de nenhuma maneira a possibilidade de chegar ao poder revolucionariamente, se as classes dominantes fecharem os caminhos democráticos e se surgir uma conjuntura em que essa via seja possível."
É isso aí, em resumo, diz Jorge Baptista, a metodologia de ação dos que tentam, sorrateiramente, de maneira pérfida, assassinar a alma de um povo, aniquilando sua liberdade - um direito fundamental do Homem. Infelizmente, muitos só a valorizam quando a perdem.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

MARC FERRO, O PT E A HISTÓRIA VIGIADA
Ao ler o plano de ação do governo petista e do seu desejo de reescrever a História do Brasil lembrei-me de um livro de Marc Ferro: A História vigiada*. Diz o autor no Prefácio:
“Hoje, mais do que nunca, a história é uma disputa. Certamente, controlar o passado sempre ajudou a dominar o presente”. E logo depois: “O conteúdo, os procedimentos e a função de uma obra histórica variam consideravelmente conforme os focos que a secretam (1). Não apenas as análises que se referem a um mesmo problema podem mudar completamente, como também a escolha dos fenômenos analisados é diferente.” (op.cit. p.2,3).Não é de hoje que a esquerda brasileira procura manipular os jovens pela ideologia revolucionária que impregna inúmeros livros didáticos. Agora o PT, com o III PNDH, resolveu radicalizar impondo sua visão de mundo nos programas escolares. A nova história oficial precisa legitimar os atuais governantes e seus paradigmas. A História da esquerda se institucionaliza. Por quê? A resposta está em outra página do livro de Marc Ferro:
“Pode-se completar esta opinião de Michel de Certeau: a história institucional é também a transcrição de uma necessidade, de certa forma instintiva, de cada grupo social, de cada instituição, que assim justifica e legitima sua existência, seus comportamentos, quer se trate da Igreja, do Estado, do Islão ou do Partido”. (op.cit.p.11).
O Pt não é o PCB, o Partidão, ou o PC da antiga URSS. Eles foram suas matrizes. Vêem a história da mesma forma que seus velhos mentores:
“Quando o foco que secreta a história é o Partido, como na U.R.S.S., a história torna-se, então, na própria acepção da palavra, um assunto de Estado. De fato, a legitimidade do poder do Partido baseia-se na História, e apenas nela, visto que o partido comunista se apresenta como a vanguarda e a expressão da classe operária a quem, segundo a visão marxista da história, cabe a tarefa de realizar a passagem ao comunismo”. (op.cit.p.17)
Continuando a lógica revolucionária:
“Desde 1917 “o partido no poder não aceita que a história dos historiadores, mesmo marxistas, refute as análises dos dirigentes sobre a história que está se fazendo; assim, estes vigiam a produção histórica e seus autores, “pessoas perigosas”, dizia Kruchtchev, pois esses historiadores constituem a única instância suscetível de questionar a legitimidade dos dirigentes” (op.cit.p.17,18)
Passaram-se quase cem anos. É isso que estão instaurando no nosso Brasil.
Curioso que os ideólogos do governo petista, no III PNHD, tenham decidido criar uma comissão da Verdade. Os campeões do relativismo querem a verdade...
Lembra o Ministério da Verdade, de Orwell, com seu famoso duplipensar. O que hoje é verdade amanhã pode ser mentira, e vice versa. Dependia dos interesses do Big Brother. Aqui também é hora dos bandidos virarem heróis. Institucionalmente. E quem defendeu o país contra a investida totalitária de esquerda passa a ser bandido. (2) Seus nomes deverão desaparecer. Em tese porque foram coniventes ou culpados por violações brutais dos direitos humanos.

Paradoxalmente isso não vale para as vítimas do terrorismo. As daqui ou as de qualquer lugar do mundo. Fidel, Guevara, Ho Chi Min, Stalin, Mao Tse Tung, Pol Pot e todos os grandes criminosos marxistas não violaram direitos humanos. Eliminaram inimigos do povo. Na lógica do socialismo “científico” foi algo necessário e justo. Essas figuras “míticas” devem ser veneradas. Lembram-se de Lula e Dilma embasbacados diante do general Giap? (3)
Não contentes em firmar sua “verdade” histórica os tiranetes querem vigiar e controlar os meios de comunicação. Todo órgão da mídia que violar os direitos humanos, leia-se: a visão de mundo que eles têm, deve ser punido.
Claro que não ficaremos por aí. O torniquete será apertado contra os que não se enquadrarem.
Chegarão até lá? Vão ficar só na intenção?
Vai depender da reação dos que realmente defendem o Estado de Direito, a Justiça, a Liberdade, os Verdadeiros Direitos Humanos. Depende de cada um de nós.
Notas:
Os destaques em negrito são do blog
* Ferro, Marc. A História Vigiada. São Paulo, Martins Fontes, 1989.
(1) No sentido de elaborar, produzir. Aqui a palavra secreta vem de secreção. Uma glândula, por exemplo, secreta, produz uma substância.
(2) Na ocasião Lula o apresentou à ministra Dilma dizendo: “ela tem pelo senhor uma verdadeira adoração”
(3) “Reprovar um lado não significa aprovar tudo que foi feito pelo outro”. Veja, neste sentido, o que escreve Percival Puggina em seu artigo “A Esquerda em Armas de 17 de janeiro”.

