segunda-feira, 19 de julho de 2010


É MELHOR CORRER RISCOS DO QUE DEIXAR DE VIVER


Sonia Rosalia Refosco de Oliveira


Se você pensa que essa frase foi dita por Amyr Klink ou Reinhold Messner está muito enganado. A pessoa que disse isso, entretanto, é tão corajosa, tão aventureira quanto o grande navegador brasileiro ou o famoso alpinista ítalo-austríaco.

A história de Eliana e Paulo que moram há 40 anos no Hospital das Clínicas de São Paulo poderia ser, a princípio, uma história triste, de muito sofrimento e angústia. Esses heróis da vida real, contudo, sabem que são muito mais do que pernas e braços, são seres humanos extraordinários, com sonhos a serem realizados, com sorrisos a serem distribuídos, com a alegria contagiante de quem sabe que a vida é o maior dom de Deus e que não podemos desperdiçá-la com lamentações e tristezas.

Eliana e Paulo são os únicos sobreviventes da última grande epidemia de paralisia infantil ocorrida na década de 70. Por motivos maiores residem no Hospital desde o início da doença. Lá, estudaram e formaram-se no Ensino Médio, mas os sonhos continuam, porque a vida deve ser bem vivida em todas suas fases e momentos.

Gostaria de ressaltar, nessa história encantadora, a importância dos funcionários do HC de São Paulo na vida dessas pessoas. Quando o trabalho é feito com amor e dedicação, temos as consequências claras e visíveis transbordando nos gestos e rostos de todos. Como é dito por Eliana, esses funcionários "são como família" e família não mede esforços para ajudar e fazer crescer em todos os sentidos. Sem eles tudo seria muito mais difícil. Parabéns a esses funcionários exemplares que sabem o valor do trabalho e, especialmente, do ser humano.

Assistam ao vídeo e façam suas próprias reflexões sobre a vida, o que é importante, o que nos traz a paz e o que nos dá felicidade.



segunda-feira, 5 de abril de 2010


A BUSCA DA PERFEIÇÃO




Percival Puggina

A proximidade da Páscoa me trouxe à mente história ouvida há muitos anos. Construía-se alhures, na Baixa Idade Média, uma grande catedral. A obra já elevava suas torres e lançara seus arcobotantes. Verdadeira multidão de operários se ocupava das cuidadosas tarefas de acabamento. Um pavilhão fora especialmente construído, próximo dali, para outro importante trabalho, que exigia quietude e concentração especiais. Era o atelier dos escultores das imagens que iriam apontar as devoções a que o templo estava destinado.

Um transeunte resolveu penetrar na intimidade daquele recinto. Tendo identificado o mestre escultor, aproximou-se e contemplou o que fazia. Era a estátua de uma figura humana de porte soberbo, entalhada em fino mármore. Quedou-se ali, silencioso, acompanhando a meticulosa tarefa cujos detalhes – o rigor do artista bem o indicava – ainda ocupariam longas semanas. Lá pelas tantas, atreveu-se a indagar: “Essa é a imagem que irá para o altar-mor?” O escultor voltou-se para ele como quem emergisse de profunda concentração e contestou: “Não, este é um dos doze apóstolos que serão colocados ao longo do alinhamento mais elevado da cobertura”.

O visitante não pode conter seu espanto e voltou a interpelar: “Nesse caso, as imagens ficarão a grande altura do solo e jamais poderão ser apreciados os detalhes nos quais o senhor tanto se detém e que longo tempo ainda lhe irão tomar”. A resposta do escultor veio rápida, encerrando em duas palavras a sabedoria de uma parábola: “Ele verá!”

Ouvi essa história há muitos anos, mas a curta resposta do escultor ainda ecoa em minha mente: “Ele verá”. Tanta contradição entre ela e os critérios do mundo! Quantas vezes dedicamos nosso esforço e zelo buscando a perfeição nas coisas dos homens (e é bom que assim façamos) sem que nada semelhante, em zelo e esforço, reservemos para as coisas de Deus? Bem ao contrário, para Ele costumamos deixar migalhas das sobras do tempo e os restos da nossa vitalidade.

Entre as muitas esculturas que surgem como obras de nossas próprias mãos encontramo-nos nós mesmos. E aqui, quase sempre, a busca da perfeição é deixada de lado: “Somos como somos” costumamos dizer, desleixados e desatentos em perceber que a santidade é a catedral que mais agrada a Deus, a obra que se eleva acima dos telhados mundanos, e cujo campanário repica a glória do Senhor que tudo vê.



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* Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.

Fonte: puggina.org



terça-feira, 30 de março de 2010













LIBERAIS E CONSERVADORES
UM DEBATE PELA UNIÃO

Valter de Oliveira

Publicamos hoje dois artigos de autores que têm se destacado em defender a liberdade e o direito natural. É mais um “debate”. De um lado Klauber Cristofen defende os liberais da crítica conservadora e afirma que conservadores europeus, por exemplo, na questão da propriedade, estão caindo em posições socializantes. Nivaldo Cordeiro, por sua vez, que em seu blog se intitula um liberal, passou, devido aos estudos que tem realizado, a considerar que o liberalismo é causa da Revolução que nos ameaça, com a conseqüente destruição dos valores morais tão odiados pelos socialistas...

A discussão é importante, entre outras coisas, porque vemos hoje bons pensadores discutir seriamente a causa da crise do mundo moderno. É ponto sobre o qual, o Papa Bento XVI tem pedido que dediquemos nossa atenção.

Para terminar: espero sinceramente que Klaus, Nivaldo Cordeiro e muitos outros continuem a aprofundar o tema. Que procurem a união na verdade, num diálogo sério e fraterno, de modo que o talento de todos seja utilizado cada vez mais em defesa dos mais nobres valores da civilização e do homem.


LIBERALISMO E REVOLUÇÃO

12 de março de 2010
Nivaldo Cordeiro

Da obra de Hobbes (e de seu discípulo dissimulado, Locke, o o “sage” Locke) emerge a idéia do contrato social, dos direitos fundamentais e da igualdade. De Grocius a idéia de que a lei natural deve ser compreendida como uma equação matemática e que o direito deve emergir de sistemas gerais aplicados a todos os casos. De Maquiavel a idéia de que a obtenção do poder é ato voluntarista do “novo” príncipe, cujo único compromisso é com a manutenção do poder, uma vez esse conquistando, abandonando qualquer ilusão de justiça ou de equidade que se esperava dos governantes até então.

Como pano de fundo o laicismo e o ateísmo, militante ou camuflado, que tem acompanhado a ciência política desde então. E, claro, o desdobramento inexorável dos direitos fundamentais em direitos humanos e a busca obsessiva pelo dogma da igualdade. Esse é o receituário liberal desde a origem e aqui podemos ver nele contido todo o germe revolucionário jacobino, que vai se desdobrar nas revoluções.

As três maiores revoluções ─ a Reforma, a Francesa e a marxista, no século XX ─ foram derivações dessa rebelião original contra os fundamentos metafísicos da ciência política e do direito. Não por acaso que Leo Strauss fará na sua obra maior – DIREITO NATURAL E HISTÓRIA – a demonstração de que a modernidade é, ela mesma, um mergulho integral na loucura coletiva, já descrita na obra imortal de Miguel de Cervantes.

Na mesma linha está a obra de Eric Voegelin. Aqui quero sublinhar seu ensaio “Liberalismoand history”, publicado originalmente em “Thereview of politics”, Vol 36, nº 4 (Outubro de 1974). Com elegância e erudição Voegelinmostrou aqui o movimento interno da modernidade depois da ruptura com o cristianismo e a filosofia clássica. Desde então haverá uma sucessão de revoluções, contra-revoluções, restauração e conservadorismo,todos elementos do drama moderno oriundos da ruptura original. O liberalismo é ele mesmo essencialmente revolucionário, mas toda revolução gera o seu contrário e o próprio liberalismo acabou por ser ele mesmo a variante que precisa controlar a anarquia revolucionária, estabilizando-a.

Voegelin sublinhou quatro dimensões ou conceitos associados ao liberalismo: o político, o econômico, o religioso e o científico. Há uma tendência a se olhar a doutrina liberal apenas sob a ótica dos dois primeiros. O liberalismo político logrou grande parte da sua aceitação e legitimidade porque a luta contra os abusos do poder absolutista carregava em si um elemento óbvio de justiça, propondo a separação de poderes e a limitação do tamanho do Estado. Da mesma forma, o liberalismo econômico, que demonstrou cientificamente a superioridade da ordem fundada no Estado mínimo e nas livres trocas, com o mínimo ou a total ausência de regulação.

O aspecto religioso do liberalismo, que inicialmente se identificou com a Reforma e, posteriormente, com o materialismo ateu, é a sua ponte mais ostensiva com os movimentos coletivistas revolucionários da mesma natureza. Por isso que os liberais estão na linha de frente em questões como o aborto, gaysismo, a eutanásia, a liberação das drogas e a livre sexualidade (e a destruição do casamento monogâmico tradicional, sua conseqüência inevitável). Talvez por isso que nos EUA “liberal” equivale a esquerdista, pois aqui não há que se fazer distinção: ambos comungam da rebelião contra Deus. A adoção das doutrinas epicurista e estóica (utilitarismo e centralidade imanentista no ego como um substituto de Deus) é elemento que torna o liberalismo e o marxismo, por exemplo, uma única e mesma realidade política doutrinal.

No âmbito da pesquisa científica a coisa é ainda mais clara. Voegelin demonstra que Augusto Comte será o filósofo que influenciará fortemente as ciências no século XX (aqui nos referimos às ciências sociais), de tal sorte que se projeta no mundo científico todas as conseqüências do materialismo ateu. O resultado é duplo: o relativismo e o niilismo, conforme o autor demonstrará em outra obra (A NOVA CIÊNCIA DA POLÍTICA).

É por isso que o argumento liberal não pode ser usado eficazmente para combater o irracionalismo e a anarquia revolucionária. É o mesmo que querer apagar fogo com querosene. É por isso que a tese degenerada dos direitos humanos prospera em todo o mundo, sob o patrocino da ONU e os braços cruzados dos liberais. Nenhum comentário político hoje deixa de se remeter a essa tolice teórica dos direitos humanos. Veja-se o recente caso da morte do cubano em greve de fome, coincidente com a visita de Lula a Fidel. Todos os comentaristas disseram que Lula se esqueceu dos direitos humanos, por ele outrora defendidos. Não viram que a locução “direitos humanos”não passa de slogan revolucionário que tem plasticidade suficiente para se aplicar a qualquer situação no rumo da revolução.

Direito humanos estão além do cinismo habitual da política, situam-se na crença profunda dos revolucionários de que vale tudo para se chegar à perfeição revolucionária. Tudo se legitima para se chegar a esse objetivo que, se sabe de antemão, é inatingível. Só tolos que não conhecem o conteúdo teórico escondido por detrás da locução para se escandalizar com gestos como os de Lula.

O liberalismo dito “clássico”, basicamente aquele compreendido na dimensão econômica e política, foi derrotado inexoravelmente desde o século XX. O agigantamento do Estado mostra que mesmo na sua dimensão econômica ele desapareceu. Não serve mais de elemento de estabilização política. A única força capaz de fazer frente ao movimento revolucionário em curso é o retorno à ciência política clássica. Ou seja, contra os direitos humanos revolucionários existe apenas o direito natural clássico.



VAMOS TRABALHAR JUNTOS?

18 de fevereiro de 2010
Klauber Cristofen Pires


Eu vou comentar mais uma vez sobre as constantes críticas que os conservadores lançam sobre os liberais. A idéia corrente entre eles é a de que os liberais oferecem como proposta para a sociedade tão somente um plano formal de eficiência econômica, e são destituídos de coisas como valores morais ou religião. Não tendo nada o que oferecer além disso, sobra o oco, que é preenchido pelos movimentos sociais tais como o gayzista, o abortista, o ateísta, o feminista, o ambientalista e outros de estirpe parecida.

Eu preciso dizer que os conservadores incorrem em engano de perspectiva. Para que se entenda melhor como isto se processa na prática, utilizemo-nos, como estudo de caso, da questão da luta pela retirada dos crucifixos das repartições públicas, promovidas recentemente pelo 3º PNDH (e desde muito antes, que se diga). Os conservadores querem mantê-los, e acusam os liberais de apatia. Entretanto, por que motivo um liberal haverá de lutar pela permanência de crucifixos nas repartições, se são elas o que ele quer extinguir? Quem pensa em colocar rodas de liga leve em um carro à venda?

É preciso que se diga algo sobre o assunto em questão: é verdade que os conservadores se ocupam mais com estes assuntos do que os liberais. Que bom que o mundo tem conservadores para lutar contra todas estas coisas. Todavia, eu ouso dizer que estes movimentos constituem uma força secundária, estando para a revolução socialista como a cavalaria para um campo de batalha. A cavalaria, aquela ainda montada, não era usualmente uma tropa de frente, mas de limpeza de terreno; os cavalarianos entravam em combate num segundo momento, pelos flancos, para cortar a cabeça dos inimigos já cansados, e muitas vezes resignados.

Se olharmos para as conquistas do Foro de São Paulo, veremos que em todos os países, à exceção do Brasil - e talvez da Argentina - a estratégia foi partir pra cima logo de cara com a "infantaria": a destruição da propriedade privada.

A propriedade privada não serve apenas como um fator de desenvolvimento econômico. Ela serve principalmente para o cidadão dar um chute no traseiro de quem ouse se meter na sua vida ou bulir com os seus filhos. Os liberais entendem que, dentro de uma sociedade que proteja a propriedade privada de acordo com o seu fundamento, os grupos de pressão coletiva gayzistas, abortistas e afins não têm o que reivindicar (ou impor).

Hoje, a Igreja Católica e provavelmente outras evangélicas se opõem ao aborto. Porém, quando a propriedade privada for para o farelo, o governo comunista passará por sobre padres e pastores com um trator, e pode ser que isto aconteça literalmente. Aliás, ele fará o que quiser com qualquer um.

A infantaria comunista - o ataque à propriedade privada - ataca com três divisões: a tributação, a regulação e o controle das comunicações.

Muitas pessoas talvez não saibam, mas o antigo Código Comercial, aquele editado no tempo do Brasil Império, proibia, por qualquer motivo, "por mais especioso" que fosse, que os livros contábeis dos comerciantes fossem abertos. No tempo do Império, a maior parte dos impostos era cobrada, como eu aqui vou cunhar, "da porta pra fora": os tributos recaíam sobre importações e exportações, sobre selos e outras atividades externas às portas do negócio. Com o advento da República, aos poucos começaram a ser instituídos impostos sobre o faturamento, os lucros e a folha de pagamentos, até que hoje os fiscais do governo têm entrada (e conhecimento) livre do que se passa nas empresas, vulnerando-as quanto às suas estratégias comerciais e seu acervo tecnológico. Digo mais: um fiscal pode até mesmo ocupar a cadeira do diretor e mandar ele arranjar o que fazer enquanto ele vasculha os documentos que precisa.

Hoje o estado se comporta como o sócio majoritário das empresas. No Pólo Industrial de Manaus, cada peça do Processo Produtivo Básico (PPB) precisa da anuência do governo para que a licença para a produção de um produto seja concedida. Nas fábricas de bebidas, medidores são instalados nas tubulações para registrar in loco a vazão e ali mesmo ser levantado o crédito tributário. Com a Substituição Tributária Progressiva, a propriedade privada deixou de vez de ser de seus donos, pois o estado já ordena a cadeia produtiva, estipula de antemão os preços das operações seguintes e cobra na fábrica os tributos tanto do fabricante quanto do atacadista e do varejista, como se eles fossem simples departamentos de um só negócio (claro, não sem razão: o negócio do governo).

No lado regulatório, comendo o mingau pelas bordas, de tal forma o estado foi tomando o lugar dos donos originais que literalmente hoje não há praticamente nada que possa estar sob a criatividade da livre iniciativa. As relações trabalhistas são definidas nos mínimos detalhes. Muitas vezes, as empresas são obrigadas a contratar só porque o estado lhes impõe este ônus. Na verdade, elas se amontoam de forma que às vezes, se se senta cumprir um artigo, descumpre-se outro: o empresário está enquadrado de qualquer jeito! Quer um exemplo? Tente organizar uma escala de serviço de turno ininterrupto de trabalho à risca da lei: simplesmente é impossível. Porém, não acaba aí: toda a contabilidade é definida pelo governo; o modo de comercializar também, assim como até regras para embalar, fazer propaganda e até receber!

Do lado das comunicações, a história é conhecida: o governo leva os louros e as empresas pagam a conta. Quando contratam mais gente, é o governo que se apresenta na tevê como o responsável pela criação de milhares de empregos, e por qualquer coisa que não vá indo bem, a culpa vai para os empresários gananciosos. A idéia de uma imprensa atuante é um sonho, desde que as tevês e rádios operam sob concessão pública. No sistema de ensino, a grade curricular é ensinada conforme os ditames estatais.

Tomemos um conservador ilustre. Será que assim podemos considerar o presidente Castelo Branco? Eu tenho uma profunda admiração por este grande brasileiro: foi primeiro lugar no Colégio Militar, na Academia, e em toda a carreira. Herói de guerra, homem de reputação ilibada, liderança indiscutível, cultura ímpar e coragem de sobra. Eu tenho certeza que debaixo de sua caneta toda esta turma de gays, abortistas e caçadores de crucifixos não teria vez. Porém, foi em seu governo que foi sancionado o Estatuto da Terra, e com ele, a sujeição da propriedade privada à estipulação de um índice de produtividade. Desde este dia não existe mais a propriedade rural privada, senão como uma concessão hoje sob os critérios discricionários do MST.

Eu apresento este exemplo para demonstrar como em geral os conservadores defendem a propriedade privada, mas o fazem amiúde sob considerações as mais das vezes meramente generalistas e perfunctórias. Não há um aprofundamento da questão, e por isto, ano após ano, fatias bem finas têm sido retiradas deste instituto que nasceu para nos proteger das garras do estado.

Se alguém perguntar a um conservador qual a sua receita para a economia, ele dirá que defende o..."liberalismo econômico", um conceito, claro, emprestado da doutrina liberal. E olhe que aqui estamos falando de conservadores vindos da tradição norte-americana; na Europa, o conservadorismo está ligado a um sistema que o filósofo Hans-Hermann Hoppe reputa como...socialista! O conservadorismo europeu, segundo o pensador alemão, consiste no sistema voltado para a proteção ao valor da propriedade, isto é, à proteção da propriedade dos atuais donos contra o ingresso de novos no mercado. Regulações, subsídios, quotas e produção sob prévia licença são seus principais instrumentos.

Há alguns meses atrás, eu enviei uma mensagem à CNA, explicando tim-tim por tim-tim como e porquê a propriedade privada deve ser considerada e defendida, e sugeri o fim do índice de produtividade, e parece que fui ouvido, pois este item constou da pauta de temas sob discussão daquela entidade. É o início, depois de quase cem anos de influência socialista.

Concluindo, eu francamente não pretendo injuriar os conservadores. De novo, repito, tenho como nobre a missão que cada um deles atribui a si mesmo. Apenas o que peço é que compreendam que os liberais também fazem a sua parte, atuando em uma frente por eles pouco guarnecida. Se o movimento revolucionário é multidisciplinar, porquê também nós, os seus oponentes, não devemos ser? Pois eu digo que devemos combatê-los com a máxima amplitude.




quinta-feira, 4 de março de 2010



A CAMPANHA DA FRATERNIDADE VISTA POR DOIS CATÓLICOS


Valter de Oliveira



Nosso amigo leitor já leu em nosso blog artigos de Aleksandro Clemente e Percival Puggina. O primeiro, bastante jovem, é um grande batalhador católico em defesa da vida. Conheço-o pessoalmente e espero que nossa jovem amizade cresça cada vez mais. O segundo é um veterano na defesa da fé, da liberdade e da democracia. Como ele mora no Rio Grande do Sul só tenho o prazer de ler seus artigos. Também o considero um amigo que gostaria de abraçar.

Para surpresa minha, ao ler seus artigos nesta semana, vi que abordaram a Campanha da Fraternidade de modo diferente. Aleksandro mostra o que vê de positivo. Puggina vê perigo no modo como a CNBB aborda o tema da economia e da justiça social. Terá razão? Leiam e tirem suas conclusões. Ou aguardem eventual resposta do Vaticano...





FRATERNIDADE, ECONOMIA E VIDA






Aleksandro Clemente


03/03/2010


Mais uma vez a Igreja brinda o povo brasileiro com uma importante reflexão. Nesta quaresma, tempo de penitência e conversão, a Campanha da Fraternidade (CF) aborda o tema: Economia e Vida, com o lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (Mt. 6,24). A campanha ressalta, mais uma vez, a importância de defendermos a vida e a dignidade do ser humano, bens que estão acima de todos os outros, inclusive dos bens materiais que por ventura o dinheiro possa comprar. Lembra-nos a palavra: "Cuidado! Guardai-vos de toda ganância; não é pelo fato de um homem ser rico que ele tem a vida garantida pelos seus bens" (Lucas 12,15).


A CF deste ano ensina que a economia deve ser orientada antes de tudo para o bem comum e que não se deve aceitar um modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com as pessoas. Segundo os dados apresentados pela CNBB, chegaremos ainda este ano a 1,02 bilhões de pessoas passando fome (ONU); há no Brasil mais de 10 milhões de indigentes e mais de 40 milhões de pobres (IETS). Esses números mostram que a pobreza e a exclusão social atingiram índices intoleráveis e incompatíveis com a fraternidade cristã. Não é possível ao cristão ficar indiferente a essa situação que reforça a desigualdade e amplia o abismo existente entre ricos e pobres. O pior é saber que toda essa pobreza não é obra do acaso, mas o resultado de opções por modelos econômicos intrinsecamente injustos.


A Igreja lembra-nos que a sociedade precisa se guiar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e de valorização da vida como o bem mais precioso. Para isso é preciso investir na relação entre as pessoas; a economia deve estar a serviço do ser humano e deve-se dar oportunidades iguais para todos. Não por acaso a Campanha da Fraternidade desde ano é ecumênica, para conclamar todas as Igrejas, todas as religiões e a sociedade em geral para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça.


Ser rico não é pecado, desde que os bens tenham sido conquistados com honestidade. Mas a avareza e a indiferença para com o irmão necessitado são algumas das piores ofensas que se pode praticar contra Deus e contra o próprio homem.



Dr. Aleksandro Clemente é Advogado, Professor de Direito e Bioética em São Paulo. Pós-graduado em Direito pela Universidade Mackenzie e em Governo e Poder Legislativo pela UNESP. É membro da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB/SP e Coordenador da Comissão de Bioética e Defesa da Vida da Diocese de São Miguel Paulista

Blog: http://aleksandroclemente.blogspot.com

Msn: dr.aleksandro@hotmail.com

E-mail: aleksandroclemente@hotmail.com





ERROS DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE





Percival Puggina


Entristece-me o fato de a CNBB jamais esclarecer que ela não é a Igreja Católica. A CNBB é um ente burocrático, um órgão de apoio, de auxílio aos bispos. No entanto, o silêncio sobre sua verdadeira natureza faz com que, entendida como “a” Igreja Católica (algo infinitamente superior ao que a CNBB de fato é), ela se misture e nivele a outras organizações da sociedade (OAB, ABI, CUT, MST, etc. e tal). É uma pena.

A minha consternação se agrava, contudo, pela reiteração de certos equívocos que ficam bem nítidos na atual Campanha da Fraternidade. Um deles está na confusão entre os campos da Economia e da Política. Os documentos da CNBB são useiros e vezeiros em misturar essas duas esferas da atividade humana, atribuindo à primeira aquilo que é próprio da segunda. Como consequência, pretendem conferir aos agentes econômicos obrigações inerentes às instituições políticas. Trata-se de uma desatenção ao próprio pensamento católico, que reconhece a autonomia das duas esferas. De um sistema econômico se espera que produza, ao máximo de suas possibilidades, riqueza, desenvolvimento, postos de trabalho, tributos e renda, ou seja, condições materiais para a melhoria dos padrões de vida da sociedade. É o que pede a Campanha da Fraternidade de 2010? Não. Ela, enquanto aponta idolatrias e excessos que todos condenam, quer que o sistema econômico nacional, priorizando a partilha e a solidariedade, rejeite as exigências do mercado, do consumo e do lucro. E gere empregos e tributos com penitência e oração?

Toda consciência bem formada se revolta com as tragédias da pobreza material, feitas de analfabetismo, baixo nível educacional e cultural, más condições habitacionais e sanitárias, abandono dos aposentados. Feitas também por corrupção, esbanjamentos, mordomias, absurdos desníveis na remuneração do serviço público e maus governos. Não é com a superação desses embaraços que venceremos a miséria e os desníveis sociais? Pois é tudo campo da Política! Miséria e desníveis sociais são temas para os poderes públicos, que se apropriam de 40% do PIB nacional! As justas preocupações com partilha e solidariedade deveriam focar, principalmente, essa brutal ruptura com o Princípio da Subsidiariedade. É grave erro da Campanha não dizer que os problemas do Brasil são muito mais políticos do que econômicos. Muito mais institucionais do que empresariais. Bons governos, com boas políticas, enfrentam essas dificuldades valendo-se da competente operação do setor privado.

Outro erro, ainda, está na influência marxista que se derrama sobre boa parte dos documentos da CNBB. Neles, o pobre, o pobre do Evangelho, sob influxo da mais do que reprovada Teologia da Libertação (TL), vira excluído. E fica subentendido que o excluído está excluído porque o incluído não o quer dentro. Assim, o apelo evangélico à caridade se converte em luta de classe. E saiba leitor, que Bento XVI, ainda agora, no dia 5 de dezembro, olho no olho, advertiu os bispos brasileiros do Sul III e IV contra “os princípios enganadores da TL” e para “o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas”. Será preciso dizer mais?

ZERO HORA, 28/02/2010




CARTA À CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ


Percival Puggina

Senhores,

Na condição de fiel leigo, atuante em movimentos da nossa Igreja Católica, levo a essa nobre Congregação a minha inconformidade perante o que vem acontecendo na Conferência dos Bispos do Brasil. Os fatos não são estranhos ao conhecimento de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Falando aos bispos brasileiros do Sul III e IV, em visita ad limina, no dia 5 de Dezembro do ano passado, ele usou palavras muito claras ao adverti-los contra “os princípios enganadores da Teologia da Libertação” e para “o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas”.

Pois bem, nestes dias quaresmais, está em curso uma nova Campanha da Fraternidade, desta feita ecumênica, sob cujas sombras brilham citações evangélicas e sob cujas luzes se insinuam leituras marxistas da realidade social brasileira, afinadas com aquela reprovada subteologia.

Soma-se a tais distorções, na Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, um profundo desconhecimento das autonomias inerentes a duas esferas da atividade humana – a da economia e a da política. Assumindo critérios de interpretação próprios do marxismo, ela busca atribuir à economia de mercado tarefas que são próprias da política – esta sim, responsável pelos principais fatores que dão causa à miséria e às profundas desigualdades sociais do nosso país: analfabetismo, baixo nível intelectual, péssimo sistema educacional, deficiências culturais, má distribuição de renda, políticas monetárias, desníveis salariais do setor público, apropriação de 40% do PIB nacional pelo Estado, corrupção, descontrole do gasto público, bem como mordomias, luxos e prodigalidades custeados com recursos dos contribuintes. Não, não é a economia de mercado que dá causa aos problemas sociais brasileiros. É da má política e da inadequação de nossas instituições que tais males derivam.

Muito conviria a essa Congregação conhecer o desconforto e a rejeição suscitada pela atual Campanha, que, de modo solerte, confunde idolatria com economia de mercado e recua em relação à Doutrina Social da Igreja quando propõe vagos modelos “alternativos” de organização da atividade econômica “que privilegiem a solidariedade e a partilha”, sem nada explicitar concretamente ou apontando para instrumentos consagrados há mais de um século (como o cooperativismo em harmonia com a economia de mercado) ou, ainda, para o retorno às fracassadas experiências do socialismo. E, por outro viés, silencia sobre a firme orientação que o Santo Padre João Paulo II explicitou com tanta clareza nos nºs 41 e 42 da Centesimus Annus.

É preciso atentar para a gravidade da situação. A totalidade da opinião pública e da imprensa brasileira confunde a CNBB com “a” Igreja. Quando alguém se manifesta nessa organização, seja o presidente, seja um assessor, as manchetes falam em manifestação “da” Igreja. A Campanha da Fraternidade é “da” Igreja. Seus temas e seus lemas também são vistos assim. Jamais, alguém da estrutura da organização faz a necessária distinção e esclarecimento, estimulando uma fusão e uma confusão que, ao que se infere, bem lhes convém.

Não bastasse furtar a riqueza espiritual da Quaresma para fazer dela um tempo de polêmica e radicalização política e ideológica, envolvendo o ano litúrgico em questões temporais e políticas desviadas da sã doutrina e da orientação pontifícia, a CNBB acaba de providenciar aos leigos brasileiros uma nova surpresa.

Periodicamente, a assessoria da instituição (o mesmo grupo de assessores que fornece a carne, os ossos, as cartilagens e o animus de seus documentos oficiais) emite “Análises de conjuntura”. São textos que, se despidos dos eventuais recursos ao léxico religioso, poderiam constituir editoriais do Granma. Vêm, é verdade, com a observação de que não constituem “opinião oficial da entidade”. Mas são acolhidas no site da CNBB, redigidas no seu estilo e pisam nas mesmas areias movediças por onde andam muitos de seus textos oficiais e oficiosos.

Agora, em plena efervescência das contestações à CFE de 2010, a mais recente “Análise de conjuntura” sugere, claramente, a continuidade do governo Lula, através da pessoa indicada por ele para o suceder, posto que a eleição do oposicionista José Serra representaria “o retorno da política neoliberal anteriormente efetivada por Fernando Henrique Cardoso, dialogando com os interesses do empresariado nacional e do capital internacional”.

O assunto trouxe a CNBB novamente ao noticiário, com ela arrastando “a” Igreja Católica para o torvelinho do debate político e para as matérias de opinião. Esse não é o campo próprio da Igreja. Mas, repita-se, o ingresso da CNBB e de suas pastorais nesse jogo, com tal fardamento ideológico, não é novidade na cena brasileira. A CNBB e a maior parte de suas pastorais, seus documentos oficiais e não oficiais, sempre serviram às partidas disputadas pelo Partido dos Trabalhadores e pelas organizações da sociedade por ele lideradas. Mudam a música, mas não a letra. A identificação é tanta que a imprensa brasileira surpreendeu-se quando a CNBB veio a público reprovar certos preceitos do decreto presidencial que instituiu o Plano Nacional de Direitos Humanos, nos últimos dias do ano passado. A coisa soou como arrufos entre parceiros.

É uma pena. E penso que esteja a demandar uma atitude da Santa Sé para coibir abusos e desvios que tumultuam a vida da Igreja em nosso país, espalhando entre os fiéis a rebelião, a divisão, o dissenso, a ofensa e anarquia tão precisamente apontadas por nosso querido pontífice Bento XVI. Os problemas criados “na” e “pela” CNBB só se resolverão com uma total remodelação das estruturas de sua burocracia funcional e com a substituição dos atuais assessores. Eles evidenciam ter com seus vínculos ideológicos um compromisso muito superior do que com as angústias pastorais das dioceses. E arrastam a imagem da Igreja por esses descaminhos.

Em união de fé e amor ao Cristo Redentor.


Percival Puggina
Arquiteto, empresário e escritor em Porto Alegre, Brasil.
E-mail: puggina@puggina.org


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

EXPERIÊNCIAS SOCIALISTAS: EM SALA DE AULA E NO CAMPO



Valter de Oliveira


Recebi de um amigo, por e-mail, o texto que segue. Trata-se de uma experiência "socialista".


1. UM EXPERIMENTO SOCIALISTA EM SALA DE AULA

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira. Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e “justo”.

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam "justas". Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A".

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por "justiça" dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano. Para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós."

Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”

Adrian Rogers, 1931


2. EXPERIMENTO SOCIALISTA NO CAMPO


Sei que alguém pode dizer que as informações que recebemos via internet são difíceis de ser checadas. Nesse sentido alguém poderia duvidar da veracidade da experiência realizada pelo professor da Universidade do Texas.

Acontece que a experiência feita pelo professor obteve o mesmo resultado da experiência do chamado socialismo real, ou seja, nos países Alinhar à direitasocialistas o trabalho coletivo rendia menos que o trabalho individual. Jorge Lojacono, em sua obra “O marxismo (1), cita fontes soviéticas que mostram que a produtividade por hectare na Rússia, em 1929 eram inferiores àquelas de 1913, antes da Revolução.

Citando várias fontes ele faz a seguinte comparação entre a manutenção agrícola privada e a coletiva na antiga URSS.

"a) Nos Kolkhozes (2) concede-se a toda família camponesa cultivar como “pedaço particular” um quarto ou um terço de hectare.

1. Tais terrenos de manutenção particular constituem apenas 2,8% do terreno cultivado na URSS (Revista Soviética,março de 1964, p. 64).

2. É claro que eles deveriam dar, na justa proporção, menos de 3% de todos os produtos agrícolas da URSS.
3. Entretanto, eles rendem (em 1959) conforme relatório da FAO:

- batatas: 60% de toda a colheita nacional.
- ovos: 80% de toda a colheita nacional.
- verduras: 40% de toda a colheita nacional.
- carne: 47% de toda a colheita nacional.
- leite: 50% de toda a colheita nacional."


O autor mostra o fracasso da agricultura coletivizada nos antigos países socialistas do leste europeu.

A Coréia do Norte, é outro país onde a experiência coletivista foi catastrófica. Na última grande fome ocorrida no país, houve um número enorme de mortos. Nossa imprensa pouco comentou...

Eis aí uma simples lição da História. Lição para muitos iludidos. Lição para o MST e seus simpatizantes...



Notas:

1. LOJACONO, Jorge. O Marxismo. São Paulo, Paulinas, 1968

2. Após a Revolução de 1917 foi feita uma distribuição de propriedade rural na Rússia. Com a NEP (Nova Política Econômica) de Lenin, foi feita uma reabertura para a iniciativa privada. Incentivados, pequenos agricultores voltaram a intensificar a produção e os abastecimentos melhoraram.
Stalin pôs termo à NEP e resolveu nacionalizar totalmente a economia. Surgia a economia planificada. Em menos de um ano a classe dos kulaks (camponeses que haviam progredido) foi eliminada.
Todos os agricultores perderam suas terras e tiveram que trabalhar em sovkhozes (propriedades agrícolas do Estado) e kolkhozes (cooperativas de camponeses). Houve resistência (não havia sido prometida terra aos camponeses?). O resultado foi desastroso. Houve terrível período de fome entre 1932 e 33. Grande número de camponeses foram deportados para a Sibéria.

Diz Victor Serge, em “Memórias de um revolucionário”: “Um sábio russo, Proopovitch, efetuou um cálculo, segundo as estatísticas oficiais soviéticas: Em sete anos, perto de cinco milhões de famílias terão desaparecido”. (in DINIZ, Maria Emilia et allii. História 9. Lisboa, Editorial o Livro s/d).

Outra lição para quem acha que o MST só quer distribuir lotes individuais...



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ESQUERDA BRASILEIRA E REVOLUÇÃO GRAMSCIANA



Valter de Oliveira



Recebi de um sacerdote amigo um e-mail com as seguintes afirmações:


"O artigo é muito bom. Creio que para entender a situação atual se deve ler Antonio Gramsci. O domínio do marxismo virá não pela luta de classes, mas pela conquista da cultura. cfr.Brasil atual. Não querem a ditadura do proletariado (já viram que não funciona), querem o domínio da cultura e estão a caminho".


Respondi dizendo que concordava com ele e que iria colocar no site texto de um líder comunista - Santiago Carrillo, Secretário Geral do Partido Comunista Espanhol que encontrei, tempos atrás, em artigo do Coronel Jorge Baptista Ribeiro, no site Sacralidade. (1) Os trechos que vou colocar foram retirados por ele do livro de Carrillo, intitulado Eurocomunismo e Estado, publicado em 1977.


Nele é explicado como o neocomunismo marxista pode e deve tomar o poder nas sociedades capitalistas.


Seguem os trechos traduzidos por Jorge Baptista. Os destaques em negrito são do site:

(...)."a estratégia das revoluções de hoje, nos países capitalistas desenvolvidos, tem que orientar-se no sentido de ganhar os aparatos ideológicos do Estado - e não destruí-los como prevê a doutrina leninista - para transformá-los e utilizá-los contra o poder do Estado do capital monopolista. Entre os aparatos ideológicos que atuam sobre a consciência humana estão os religiosos, os familiares, os jurídicos, os políticos, os de informação - imprensa escrita, rádio e televisão - e os culturais. A experiência moderna mostra que isso é possível . E aí está a chave para transformar o Estado por uma via democrática.

(...) atualmente a Universidade e os docentes se convertem com freqüência em focos de impugnação da sociedade capitalista graças ao nosso persistente trabalho..

(...) a Universidade ocupa um lugar privilegiado na atividade das forças políticas revolucionárias. Não apenas pela grande concentração de massas jovens, disponíveis para a ação, como também por ser ali que se formam os quadros para integrarem os aparatos ideológicos da sociedade e onde se semeiam as idéias marxistas e progressistas com um dos meios mais eficazes para assegurar e ganhar, pelo menos parcialmente, esses aparatos. À medida que as novas gerações se incorporarem à profissão esse fenômeno se estenderá e a impugnação à justiça burguesa tradicional se fará mais amplamente (...).

(...) .entre os aparatos ideológicos do Estado e da sociedade capitalista moderna estão os meios de comunicação: a televisão , o rádio e a imprensa escrita. Estas são hoje as armas ideológicas mais eficazes, porque penetram em todos em todos os lugares, umas vezes de modo agressivo e outras de forma sutil, desempenhando um papel alienante e embrutecedor ....

(...) a condição prévia é lutar por uma autêntica liberdade da cultura.(sic) O florescimento e a extensão da cultura são o terreno em que as idéias revolucionárias e progressistas podem firmar-se e influir cada vez mais, decisivamente, na marcha da humanidade penetrando e transformando os aparatos ideológicos da sociedade para as idéias revolucionárias ....

(...) a atitude que devemos adotar é, em substância, a luta pela conquista de posições, na medida do possível, nos aparatos ideológicos da sociedade, para as idéias revolucionárias ....

(...) uma das grandes tarefas históricas atuais para a conquista do poder do Estado e seus componentes, pelas forças socialistas, é a luta determinada, resoluta, inteligente, para voltar contra as classes que estão no poder a arma da ideologia e, consequentemente, os aparatos ideológicos, pois nenhuma classe pode conservar o poder do Estado se perde a hegemonia dos aparatos ideológicos (...).

(...) torna-se necessário que o Partido Comunista e todos os partidos que lutam pelo socialismo e, em geral, as forças transformadoras da sociedade assumam ante os aparatos coercitivos do Estado e seus componentes, um atitude distinta da que tem historicamente adotado. Quando há uma manifestação ou uma greve, não são os dirigentes do Banco do Estado que vão à rua enfrentar os grevistas ou os manifestantes. São as forças da ordem, a polícia e , em casos extremos, o Exército que o fazem. É esse papel que o poder do Estado do capital monopolista confere as Forças Armadas que devemos impugnar. Trata-se de lutar, por meios políticos e ideológicos, a fim de impor um novo conceito de ordem pública mais democrático e, de levar esse conceito à mente dos componentes das forças da ordem(...)

(...) é verdade que nós, comunistas , revisamos teses e fórmulas que, em outros tempos, eram artigos de fé. Mas não abandonaremos as idéias revolucionárias do marxismo: as noções de luta de classes, o materialismo histórico e o materialismo dialético. Não estamos retomando à social-democracia. Em primeiro lugar porque não descartamos de nenhuma maneira a possibilidade de chegar ao poder revolucionariamente, se as classes dominantes fecharem os caminhos democráticos e se surgir uma conjuntura em que essa via seja possível."


É isso aí, em resumo, diz Jorge Baptista, a metodologia de ação dos que tentam, sorrateiramente, de maneira pérfida, assassinar a alma de um povo, aniquilando sua liberdade - um direito fundamental do Homem. Infelizmente, muitos só a valorizam quando a perdem.


Completo com outra observação: a revolução gramsciana é tão bem orquestrada que engana não poucas pessoas que, sem dúvida, jamais pactuarian, conscientemente, com os princípios marxistas e a cultura da morte.


Com efeito, a revolução cultural gramsciana produzida pelos chamados intelectuais orgânicos, ao conquistar o monopólio do discurso, ao modificar o "senso comum" consegue que muitos se tornem reféns do patrulhamento ideológico e do políticamente correto. Os cidadãos, inclusive os de bom nível intelectual, diz Sérgio Augusto de Avellar Coutinho - especialista no tema - "acabam sendo convencidos de certas "verdades" e concordando com certas explicações que trazem enganoso apelo patriótico, (ou social ), e tornam-se prisioneiros da ideologia da esquerda. (2)


Cabe a todos nós, como o tem feito de forma contínua documentos do Vaticano, alertar a sociedade para os perigos que ameaçam devorá-la.



Notas:


1. Site da Sacralidade - www.sacralidade.com

2. COUTINHO, Sergio Augusto de Avellar. Cadernos da Liberdade, uma visão do mundo diferente do senso comum modificado. Belo Horizonte. Ed. Sografe, 2003.

(o destaque incluído é do site).



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010




MARC FERRO, O PT E A HISTÓRIA VIGIADA




Valter de Oliveira


O 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH), poderia ter um subtítulo que mostra claramente seus objetivos: “A Marcha para o Totalitarismo”. Em um só documento há golpes claros contra a democracia e a liberdade. E principalmente contra os direitos humanos.

Ao ler o plano de ação do governo petista e do seu desejo de reescrever a História do Brasil lembrei-me de um livro de Marc Ferro: A História vigiada*. Diz o autor no Prefácio:

“Hoje, mais do que nunca, a história é uma disputa. Certamente, controlar o passado sempre ajudou a dominar o presente”. E logo depois: “O conteúdo, os procedimentos e a função de uma obra histórica variam consideravelmente conforme os focos que a secretam (1). Não apenas as análises que se referem a um mesmo problema podem mudar completamente, como também a escolha dos fenômenos analisados é diferente.” (op.cit. p.2,3).

Não é de hoje que a esquerda brasileira procura manipular os jovens pela ideologia revolucionária que impregna inúmeros livros didáticos. Agora o PT, com o III PNDH, resolveu radicalizar impondo sua visão de mundo nos programas escolares. A nova história oficial precisa legitimar os atuais governantes e seus paradigmas. A História da esquerda se institucionaliza. Por quê? A resposta está em outra página do livro de Marc Ferro:

“Pode-se completar esta opinião de Michel de Certeau: a história institucional é também a transcrição de uma necessidade, de certa forma instintiva, de cada grupo social, de cada instituição, que assim justifica e legitima sua existência, seus comportamentos, quer se trate da Igreja, do Estado, do Islão ou do Partido”. (op.cit.p.11).

O Pt não é o PCB, o Partidão, ou o PC da antiga URSS. Eles foram suas matrizes. Vêem a história da mesma forma que seus velhos mentores:

“Quando o foco que secreta a história é o Partido, como na U.R.S.S., a história torna-se, então, na própria acepção da palavra, um assunto de Estado. De fato, a legitimidade do poder do Partido baseia-se na História, e apenas nela, visto que o partido comunista se apresenta como a vanguarda e a expressão da classe operária a quem, segundo a visão marxista da história, cabe a tarefa de realizar a passagem ao comunismo”. (op.cit.p.17)

Continuando a lógica revolucionária:

“Desde 1917 “o partido no poder não aceita que a história dos historiadores, mesmo marxistas, refute as análises dos dirigentes sobre a história que está se fazendo; assim, estes vigiam a produção histórica e seus autores, “pessoas perigosas”, dizia Kruchtchev, pois esses historiadores constituem a única instância suscetível de questionar a legitimidade dos dirigentes” (op.cit.p.17,18)

Passaram-se quase cem anos. É isso que estão instaurando no nosso Brasil.

Curioso que os ideólogos do governo petista, no III PNHD, tenham decidido criar uma comissão da Verdade. Os campeões do relativismo querem a verdade...

Lembra o Ministério da Verdade, de Orwell, com seu famoso duplipensar. O que hoje é verdade amanhã pode ser mentira, e vice versa. Dependia dos interesses do Big Brother. Aqui também é hora dos bandidos virarem heróis. Institucionalmente. E quem defendeu o país contra a investida totalitária de esquerda passa a ser bandido. (2) Seus nomes deverão desaparecer. Em tese porque foram coniventes ou culpados por violações brutais dos direitos humanos.


Paradoxalmente isso não vale para as vítimas do terrorismo. As daqui ou as de qualquer lugar do mundo. Fidel, Guevara, Ho Chi Min, Stalin, Mao Tse Tung, Pol Pot e todos os grandes criminosos marxistas não violaram direitos humanos. Eliminaram inimigos do povo. Na lógica do socialismo “científico” foi algo necessário e justo. Essas figuras “míticas” devem ser veneradas. Lembram-se de Lula e Dilma embasbacados diante do general Giap? (3)

Não contentes em firmar sua “verdade” histórica os tiranetes querem vigiar e controlar os meios de comunicação. Todo órgão da mídia que violar os direitos humanos, leia-se: a visão de mundo que eles têm, deve ser punido.

Claro que não ficaremos por aí. O torniquete será apertado contra os que não se enquadrarem.

Chegarão até lá? Vão ficar só na intenção?

Vai depender da reação dos que realmente defendem o Estado de Direito, a Justiça, a Liberdade, os Verdadeiros Direitos Humanos. Depende de cada um de nós.



Notas:

Os destaques em negrito são do blog

* Ferro, Marc. A História Vigiada. São Paulo, Martins Fontes, 1989.

(1) No sentido de elaborar, produzir. Aqui a palavra secreta vem de secreção. Uma glândula, por exemplo, secreta, produz uma substância.

(2) Na ocasião Lula o apresentou à ministra Dilma dizendo: “ela tem pelo senhor uma verdadeira adoração”

(3) “Reprovar um lado não significa aprovar tudo que foi feito pelo outro”. Veja, neste sentido, o que escreve Percival Puggina em seu artigo “A Esquerda em Armas de 17 de janeiro”.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LULA, MORADORES DE RUA E PRESENTE DE NATAL:
DUAS FACES DO PRESIDENTE

Valter de Oliveira

Na manhã do último 23 de dezembro, quarta feira, o Presidente Lula veio a São Paulo onde participou da comemoração de Natal de moradores de rua e catadores de lixo. “Segundo nota da Presidência da República, a festa foi organizada pelo Movimento Nacional de População em Situação de Rua e pelo Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, em parceria com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a Pastoral de Rua e a Prefeitura de São Paulo”.

Elvira Freitas/O São Paulo (1)

Como era de se esperar nosso chefe de governo não esqueceu de enfatizar todo o seu amor pelos desvalidos de nossa sociedade.

Lula não deixou de criticar os ricos e a classe média que, segundo ele, não querem saber dos pobres. Segundo o presidente, o problema da moradia nos grandes centros é político e reflete a resistência de parte da sociedade à convivência com as pessoas mais pobres. “Pobre é bom para ver em filme”, acrescentou, em tom irônico.

Moro em Campos Elíseos, em frente à Toca de Assis, onde todos os dias há indigentes dormindo ao relento. Não vi ninguém parecido na imagem do jornal “O São Paulo”. Menos ainda com os abandonados da cracolândia...









Moradores de rua escolhidos para conhecerem Lula e moradores de rua que a gente conhece sem escolher...


LULA: FACE 1

Deixando de lado a ironia vejamos o lado positivo: O presidente, pela 6ª ou 7ª vez, participa de uma cerimônia de Natal com os mais pobres de nossa sociedade. E anuncia uma série de medidas para ajudá-los. Muito bom.

Certamente, a maioria dos que ali estavam, ficaram cativados pelo bondoso e alegre velhinho que também aproveitou o ensejo para brincadeiras sobre sua vida conjugal. Conheceram uma face de Lula. Se é que é uma face real. Faltou a outra, pouco divulgada pela mídia. Lula a mostrou em Brasília.

LULA: FACE 2

Dois dias antes, dia 21, segunda feira, o presidente, no Palácio do Itamaraty, lançou o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos. E o que defende tal programa? Eis aqui uma síntese que encontramos em artigo de Julio Severo: Artigo que merece ser lido. (2)

Enquanto a população e o Congresso Nacional estão ocupados e distraídos com a estação do Natal e reuniões de família, o governo Lula dá um presente para o Brasil. O documento faz as seguintes recomendações:

1. Criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos — como o crucifixo ou a Bíblia — em estabelecimentos públicos.

2. Inclusão no currículo escolar do ensino da "diversidade religiosa", com destaque especial para as religiões afro-brasileiras como o candomblé.

3. Criação de uma comissão para investigar os "crimes" cometidos durante a ditadura militar (...).

4. Modificação do Código Penal para garantir a "descriminalização do aborto".

5. Defesa de projeto de lei que regulariza o "casamento" de casais homossexuais. (3)

Deixemos de lado o ponto 3. Vamos comentá-lo em outro artigo.

Sobre o ponto 2 é estranha a imposição do Estado. Cabe ao estado laico dar destaque a uma religião? E por que esse destaque para uma religião pagã em um país de maioria cristã? O “católico” Lula julga que é mais importante conhecer orixás que o ensinamento de Cristo e dos Apóstolos?

Ponto 1. Proíbem-se os símbolos cristãos em estabelecimentos públicos.

Por que então favorecer os orixás nas escolas públicas? Será imposto também nas instituições privadas?

Pontos 4 e 5. Como é sabido a união civil homossexual e o descriminalização do aborto chocam-se violentamente com o direito natural e com a moral cristã.

O presidente, que não quer admitir que é abortista, afirma que não se trata de ser “pró ou contra o aborto”. Ele, como seu Ministro da Saúde José Gomes Temporão, afirma que é “questão de saúde pública”.

A afirmação é um monumento de insensatez.

O que estão defendendo é o assassinato de inocentes, E ambos sabem disso. Estão afirmando que matar um nascituro, que é um ser humano, é como cortar um pepino, ou uma melancia. É afirmar que a vida humana não é nada. É um brutal ato de covardia contra seres humanos que não podem se defender.

Quanto ao aborto e ao apoio a causa homossexual é compromisso do presidente e do PT. Basta ver o que disse em 2008 quando compareceu à 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (GLBT), Nela, o presidente, de modo blásfemo ainda ousa invocar o nome de Deus para defender o indefensável:

“Quero dizer a todos vocês, companheiros e companheiras: Deus ilumine vocês, e apresentem aqui a proposta que vocês entenderem seja a melhor e que possa garantir... Eu posso dizer a vocês: no que depender do apoio do governo, no que depender do apoio do Poder Executivo e dos Ministros, nós iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisar aprovar neste País”.

Tem mais. Na presença de seis ministros pediu para que todos os preconceituosos “arejem a cabeça e despoluam-na”.

Lula também defendeu o fim de toda a oposição ao comportamento homossexual e afirmou que a permanência da discriminação sexual "talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano".

LULA E OS PAPAS

Como se vê, conforme a lógica e a ética de nosso presidente, os Papas – e especialmente Bento XVI que tem insistido muito em combater os desvios morais de nosso tempo – são preconceituosos e têm a cabeça poluída. Pior: são seres humanos maldosos, perversos.


Acham que é pouco? Há uma pérola final: Lula afirmou que o Brasil passava por um momento de reparação. Primeiro referindo-se a tudo que devia ter sido feito pelos pobres. No que tem razão. Absurdo é usar o mesmo termo ao tratar da questão da prática homossexual. (4)


Um ano depois o presidente dá mais um passo à frente na concretização da agenda gay.


Foi esse programa ímpio que Lula deu de presente de Natal ao nosso povo cristão. Suas promessas de ajuda aos pobres não apagam o mal que praticou.


Pior do que praticar o mal é justificá-lo.


A doença mais perversa inoculada no coração humano não foi e não é a rejeição da imoralidade. É a anti-ética defendida por laicistas e totalitários. Como está no programa do PT.


Nada adianta dar algumas migalhas aos pobres e miseráveis quando pela imoralidade lhes arrancamos o que têm de mais fundamental: a dignidade humana. A dignidade de filhos de Deus.


Misteriosamente há católicos e movimentos dentro da Igreja que na sua preocupação em defender o bem material dos pobres esquecem do essencial: a vida da alma, a união com Deus. E parecem não ver todo o mal da política desumana e anticristã do atual governo. Também apoiado, convém lembrar, pelos mais diferentes setores da oligarquia brasileira.


Precisamos fazer atos de reparação? Sem dúvida. Reparação a Deus por permitirmos o avanço da cultura da morte, no campo físico e no campo moral. Por contribuirmos para que governos imorais se fortaleçam.


Levar pobres para aplaudir Lula é enganá-los. Não temos esse direito.


Nossa obrigação é lutar pelo bem material deles, e de toda a sociedade, com um olhar cristão, um olhar que não separa justiça social da verdadeira finalidade da vida humana que está na união amorosa com Deus.


E fica um apelo a todos que na Igreja têm autoridade: diante dos novos Julianos (5) é dever dos pastores defender suas ovelhas, mostrando ao povo a verdadeira face de muitos governantes.


É o que esperamos e pedimos. Com toda nossa alma.



Notas


1. Foto: jornal “O São Paulo, - Ano 53 • nº 2729 • 06 de janeiro de 2009

2. http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/06/421961.shtml

http://www.webservos.com.br/fcg/forum_posts.asp?TID=6891&PN=4

3. A numeração é nossa.

4. Fonte:http://www.imprensa.planalto.gov.br/download/discursos/pr714-2@.doc (texto)

http://www.imprensa.planalto.gov.br/media/audio/pr714-2@.mp3 (áudio)

5. Juliano – Imperador que tentou destruir o Cristianismo e restaurar o paganismo.

6. Os destaques em negrito no texto são nossos.