terça-feira, 3 de novembro de 2026

DISCUTINDO POLÍTICA. CONCEITOS, PRINCÍPIOS, REALIDADE



POLÍTICA: O QUE É? PARA QUE SERVE E QUAL A NOSSA RESPONSABILIDADE?

Parte 2

Valter de Oliveira


3. A política precisa respeitar princípios morais

Não só a política. A ética rege toda a vida humana. Todas as nossas ações, em nossa vida pessoal, na família, no trabalho e nas instituições, têm que ser éticas. Mais ainda: na concepção da Doutrina Católica, até mesmo o Estado tem a obrigação de ser ético.

Assim, não basta que um político ou partido proclame boas intenções ou que se diga ético. No passado, antes de conquistar o poder, quando um adversário dizia que algo criticado pela esquerda estava conforme a lei, a propaganda petista exclamava: “Não basta ser legal, tem que ser moral!”. É verdade. Só não diziam qual era a ética deles. Continua escondida...

Agora, voltando ao nosso tema: quando examinamos os candidatos e seus partidos, é necessário examinar suas propostas, suas ações e, principalmente, os meios utilizados para alcançar seus objetivos.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja, no número 407, tratando da democracia, lembra que seu caráter moral depende da conformidade com a lei moral, tanto em relação aos fins perseguidos quanto aos meios utilizados. Mais concretamente: a intenção tem que ser reta, os meios precisam ser corretos e os objetivos devem ser bons.

Esse princípio é fundamental. Não se pode justificar a mentira, a corrupção, a manipulação da opinião pública, a fraude ou o desrespeito aos direitos das pessoas, alegando que tudo isso é necessário para alcançar um objetivo considerado bom. Pura lógica maquiavélica ou de correntes revolucionárias afins.

A política precisa respeitar a verdade, a justiça, a liberdade e a dignidade humana. E essa exigência vale para todos: governantes, oposição, partidos e cidadãos.


4. O poder político é uma responsabilidade, não um privilégio

O exercício da autoridade é necessário à organização da sociedade. Sem regras ou leis justas, claras e praticáveis, estabelecidas pelo governo e pelas instituições com autoridade legítima, a convivência social fica comprometida. Entretanto, o poder não pode ser exercido arbitrariamente nem em benefício exclusivo de quem o detém.

A autoridade política encontra sua razão de ser na responsabilidade de promover o bem comum. Como ensina o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, no número 168, o bem comum é a razão de ser da autoridade política.

Eis aí um critério claro para avaliar os governos e os próprios políticos: não basta perguntar quem conquistou o poder, mas para que o conquistou, como o exerce e a quem suas decisões efetivamente beneficiam. Não é tarefa fácil, especialmente em nosso mundo complexo. Eu, você e todo o povo temos que enfrentar muitas dificuldades.

A política, portanto, é uma atividade nobre e necessária à vida em sociedade.

Sua importância exige cidadãos conscientes, governantes responsáveis e instituições que respeitem a lei e os direitos das pessoas.

Não devemos confundir política com a disputa pelo poder a qualquer preço, como vimos nas últimas eleições. A conquista e o exercício do poder são parte da atividade política, mas sua finalidade deve ser muito maior: organizar a sociedade de maneira justa, promover o bem comum e proporcionar condições para que as pessoas possam viver com dignidade.