domingo, 25 de março de 2012

O FRACASSO DE SUMMERHILL






Alfonso Aguilló


O famoso internato britânico Summerhill, escola que foi carro chefe da educação tolerante e antiautoritária, foi notícia nos últimos anos por suas repetidas ameaças de ser fechada devido ao baixo rendimento de seus escassos sessenta alunos.

Summerhill, fundado em 1921 por Alexander Neill, teve um auge espetacular na década de sessenta e depois foi gradualmente perdendo alunos até ficar semideserto.

Seu método pedagógico era realmente peculiar: não havia exames nem provas, a assistência à aula era voluntária e a vida do centro se regia em grande medida através de decisões dos próprios alunos.

A questão é que os alunos do internato de Summerhill não saiam dele bem preparados. Apenas iam às aulas, e sua formação acadêmica e humana, apresentava, segundo um informe do Ministério de Educação britânico, assombrosas deficiências.


Escola Summerhill - Inglaterra


A tentativa da escola em educar na tolerância e erradicar o autoritarismo merece todos os elogios. Contudo, seus resultados mostraram que nas bases de seu fundamento filosófico havia muita ingenuidade.

O fracasso dessa escola britânica nos faz lembrar – bem contra as previsões de seu fundador – o fracasso do permissivismo, e o fato de que toda pessoa tem de aprender a esforçar-se seriamente se, de verdade, quer conseguir qualquer objetivo válido em sua vida. Sobretudo nessas primeiras etapas da infância e adolescência nas quais é formado o caráter.

Por outra parte, para aprender a esforçar-se seriamente em algo, nada mais prático do que procurar submeter-se – livremente, mas submeter-se – a um plano exigente. E isso é assim porque fazer o que achamos que devemos fazer supõe muitas vezes um esforço considerável. Por isso, uma educação responsável tem que estabelecer um alto nível de exigência pessoal.

E isso não significa nenhum atentado contra a tolerância, mas simplesmente saber o que é educar.

Não teria muito sentido, por exemplo, partir da ideia de que é ótimo dar todas as facilidades para alguém atuar mal se quiser, com a desculpa de que assim a opção pelo bem seria mais plenamente livre e meritória. É tão inadequado uma cerceante e habitual privação da liberdade quanto, ingenuamente, dar facilidades para escolher o mal. (1)


Sala de aula em Summerhill

No caminho de qualquer processo formativo ou educativo é de grande importância facilitar prudentemente as boas escolhas. Não há educação nem formação sem uma certa constrição, e por isso não há porque escandalizar-se de que haja regras e normas, que expressam precisamente o tipo de educação que livremente se escolheu.

Por exemplo, se colocamos uma garrafa de gin ou whisky diante de uma pessoa alcoolizada, provavelmente não conseguirá deixar de tomá-lo. Talvez acredite que é uma pessoa livre, mas parece bem mais ter perdido uma grande parte da liberdade de escolha, pois suas decisões são cada vez menos livres.

Há restrições que ajudam a conservar a liberdade, a saber empregá-la positivamente, a dar-lhe apoio, a não perde-la seguindo caminhos que não têm saída ou que terminam subitamente em um precipício ou se perdem pouco a pouco nas areias de um deserto.

As utopias libertárias são como elixires que, depois de provar-se, mostram-se desencantadores e frustrantes. Não existem essas panaceias nem paraísos terrenos, e os que caíram em tais promessas se sentem enganados. O homem é um ser de capacidades limitadas, que vive em um meio adverso, e cuja liberdade somente se desenvolve quando adquire consciência do dever, autodomínio e ética, (2) não quando se deixa hipnotizar pelas promessas da permissividade.

NOTAS

1. Claro que, quando uma criança ou adolescente, decidem brincar em vez de estudar, quando deveriam fazê-lo, nem sempre percebem que optaram mal. (observação do blog).

2. Os destaques em negrito são do blog.

Fonte: www.interrogantes.net

sábado, 15 de outubro de 2011

A CONCEPÇÃO LUTERANA DO ESTADO





Valter de Oliveira


Ultimamente vários pensadores têm abordado a questão do papel ou das funções do Estado em uma sociedade pluralista. Dentro desta perspectiva tanto no âmbito político quanto no âmbito do judiciário destaca-se o debate sobre as relações do poder público com a religião. (1)

Podemos nos perguntar: para que tal discussão? Não é um debate de intelectuais, tão alheios, como se verifica com freqüência, às reais necessidades do povo?

Contrariamente ao que muitos podem imaginar o tema tem enorme importância. Para a democracia, para a sociedade, para o futuro do cristianismo e das religiões e inclusive para os que não têm fé.

Do que li e ouvi sobre o assunto nos últimos meses encontrei posicionamentos que trazem luzes e esperanças para o futuro. Por outro lado, encontrei afirmações que me deixaram preocupado. Por quê? Porque foram defendidas por católicos sérios e eruditos que, em minha modesta opinião, estão enganados.

Para discutir melhor o assunto decidi colocar no blog Olivereduc, a partir de hoje, textos que explicam os diferentes pensamentos sobre o papel do Estado na História Moderna e Contemporânea. Começo com a concepção de Lutero sobre a Igreja e o Estado. Estou certo que muitos amigos leitores ficarão surpresos com o pensamento do reformador.

Quem conhece a história da Reforma sabe que Lutero tinha uma visão profundamente pessimista do homem. A razão é simples: ele considerava que o pecado original afetara profundamente o homem corrompendo totalmente nossa natureza. Em sua obra, “O Servo Arbítrio”, negou nossa liberdade. Toda a ação humana, por nascer de uma natureza totalmente corrompida, seria sempre pecaminosa.

“Com a sua visão pessimista do homem, afirma o historiador Guido Zagheni, Lutero só podia mesmo conceber o Estado como o único e supremo guardião de uma vida ordenada e pacífica, e por isso o único capaz de permitir ao cristão dedicar-se ao culto a Deus e à vida espiritual”.

Como isso pode acontecer?


A resposta é simples: “Para que isso aconteça é necessário que a ordem espiritual e interior esteja totalmente separada da ordem política e exterior”. É o que fica plenamente claro nas palavras de Lutero:

“Entre o cristão e o homem de governo deve haver uma profunda separação. Certamente, o príncipe deve ser cristão, mas não é como cristão que ele é considerado, mas como príncipe. Esse homem é cristão, mas a sua função nada tem a ver com a religião. Embora encontrando-se no mesmo homem, os dois estados ou funções estão perfeitamente separados e até opostos (Ed. Weimar, II, 439). Não é a Cristo que deves perguntar, mas ao direito imperial ou local. Aí acharás a conduta a ser adotada” (Weimar, II, 391).



Zagheni comenta: “Dada essa incomunicabilidade entre ordem espiritual e ordem política, nada se pode e nada se deve fazer contra o triunfo do mal na política. Lutero está bem consciente de que os príncipes podem ser perversos: “Desde o princípio do mundo, um príncipe inteligente é um pássaro raro, e um príncipe bom é algo mais raro ainda. Geralmente os governantes são os maiores loucos e os maiores canalhas que a terra já hospedou”. (Ed. Weimar, II, 439)

E por que dar o poder a eles? (Lutero havia declarado que cada Príncipe era o chefe da Igreja em seu território).


“(...) pelo fato de que, com eles, cria-se e manifesta-se a ordem, isto é, aquele bem supremo que permite aos verdadeiros cidadãos dedicar-se à vida interior; portanto, a ordem permite a existência do único bem que pode existir no mundo das obras”. E ainda: “Os príncipes e a autoridade secular são os artífices da paz, permitem que se ensine a palavra de Deus e se batize, coisas que só a paz torna possíveis”.

O pessimismo de Lutero a respeito do homem “amplia-se para uma assustadora maldade coletiva: “É preciso que haja no mundo um governo duro e sério para forçar e subjugar os maus. O mundo não pode ser governado sem efusão de sangue, a espada do príncipe deve ser vermelha de sangue, porque o mundo quer e deve ser mau.”” (Zagheni 104).

O que fazer diante do governante mau e injusto?

“Por essa insubordinação do homem ao bem unida à impossibilidade de uma efetiva regra de justiça, só resta reconhecer a autoridade dos governantes independentemente de como estes se comportam: “Se sua Majestade Imperial é injusto e não cumpre os seus juramentos, seu poder não é afetado por isso. Um imperador ou príncipe pode violar todos os mandamentos divinos e nem por isso se torna menos imperador ou menos príncipe”. (Na Kurfust Johan, Ed. de Erlangen, LIV. 139). “Deus prefere suportar a autoridade injusta do que o povo rebelado por uma causa justa” (...). “O poder secular é uma pequena coisa diante de Deus. Justa ou injusta, não merece que lhe demos a pena da desobediência e da oposição” (destaque nosso).

Lutero e o poder do Estado: realizamos “o que os papas jamais fizeram nem quiseram fazer”.

O reformador “está orgulhosamente ciente de ter dado ao Estado “consciência de si”, de tê-lo glorificado e liberado dos vínculos que o condicionavam. “O nosso ensinamento deu à soberania secular a plenitude do seu direito e da sua força, realizando assim aquilo que os papas jamais fizeram nem quiseram fazer” (Bericht na einem guten Freund, Ed. Weimar, VI, 589). E mais: “Essa glória, essa luz que a envolve, a autoridade deve a mim; a mim é que devem gratidão” (Verantwortung, Ed. Weimar, VIII, 107).


A contribuição de Lutero para o absolutismo do poder temporal

Zagheni conclui afirmando: “Essa exaltação da autoridade do Estado – seja no seu aspecto positivo de mantenedora da ordem e da paz e, por isso, da vida espiritual, seja no seu aspecto político de qualquer julgamento terreno – é o que Lutero transmite ao absolutismo como um aspecto fundamental do espírito público característico dessa época”.


As idéias de Lutero sobre o problema das relações entre o Estado e a religião chocavam-se com o que a Igreja “ensinara durante os séculos anteriores, segundo a qual existem duas sociedades, a civil e a eclesiástica, ambas dirigidas por hierarquias que repartem entre si o governo do gênero humano.

Da concepção luterana resulta também uma clara separação entre o príncipe e o povo por ele governado, porque o primeiro é a manifestação de Deus no mundo exterior e visível, enquanto o segundo é um aglomerado de todos os males da humanidade decaída, manifestação exterior do pecado que corrompeu e arruinou a natureza humana. (...)

Para governar esse povo mau, a ser dominado através de “correntes e jaulas”, institui-se o príncipe luterano, que substitui Deus no mundo (mesmo quando é péssimo), enquanto poder organizador com o objetivo de, a qualquer custo, pacificar o mundo exterior: “A mão que dirige a espada secular não é uma mão humana, é a mão de Deus. Não é o homem, é Deus quem manda enforcar, torturar, decapitar, é Deus quem faz as guerras. Em todas essas coisas reconheçamos suas obras e os seus vereditos”. (destaque nosso)

Jacobinos da Revolução Francesa, marxistas e nazistas, em suma todos os laicistas adoradores do Estado, agradecem. Milhões de vítimas choraram amargamente. Outras tantas continuam a chorar.


Notas:

1. O Papa também tem tratado amplamente do assunto. Foi tema de seu discurso diante do Parlamento alemão no mês de setembro.

2. Zagheni, Guido. A Idade Moderna, Curso de História da Igreja, São Paulo, Paulus, 1999. As palavras de Lutero estão em itálico. As citações vão das p. 103 a 109).




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O CORINTHIANO E O ESTADO LAICO




Valter de Oliveira



Benê nasceu na periferia de S. Paulo, em Itaquera, não muito longe do futuro estádio do Timão. Nasceu pobre como tantos de nosso povo lutador. Também não teve escola boa, nem plano de saúde. Os pais foram um tanto rudes, é verdade, mas bons. Ensinaram-lhe que no mundo há o bem e o mal, o belo e o feio, a alegria e a dor, a fidelidade e a traição. Que tudo isso faz da vida uma bela luta. Que valia a pena vivê-la, a todo momento, plenamente, até o fim. Essas idéias marcaram profundamente a alma de Benê. Cresceu e vive como lutador, e, como conseqüência lógica, viu a beleza de ser corinthiano. Benê é feliz, muito feliz. E aqui começa nossa história, nas últimas rodadas do Brasileirão.


Era um domingo, 14h. Benê saiu de casa com a jovem esposa, com destino ao Pacaembu. Ambos bem uniformizados. Ele com a camisa branca, ela com a nova camisa vinho do Timão. O que ambos não imaginavam é que iriam se defrontar com os “vigilantes” do Estado laico, formados após oito meses de curso de “direitos humanos na perspectiva humana”. Benê e a esposa não sabiam que 800 homens e mulheres tinham sido treinados e que, a partir daquele dia, iriam patrulhar os bairros da capital.

O casal foi abordado pouco depois de sair de casa, antes ainda de chegar ao metrô. Curiosamente, em uma rua quase deserta.

- “Pare aí!” Gritou um dos 4 “vigilantes” ao lado de uma perua do tipo usada pela Rota.


Assustados, pararam. Que desejariam aqueles homens tão parecidos nos rostos quanto nas vestimentas? Por que pareciam sem alma?

Outro grito fez nosso corinthiano voltar a si:

- “Não lê jornal não? Não tem TV? Vai tirando a camisa!”

Benê, que não estava entendendo nada, tentou argumentar:

-“Que que é isso, seu moço. A gente só qué vê o jogo do Timão!”

-“Conversa fiada! Tá fingindo que não sabe de nada? Não viu a nova medida provisória? Não sabe que usar símbolo religioso atenta contra o Estado Laico?”

“Num acompanho política não seu guarda. Sou só um fiel do Timão!

“Pois é: vocês não dizem que Corinthians é religião? O Estado é laico, entendeu? E...

“Que diabos é laico?”, pensou Benê...

O vigilante continuou:

“E símbolo religioso não pode. Só na sua casa. Na rua não! É espaço público. E vai tirando a camisa!”

O tempo ia passando. Aflita, Chiquinha sussurrou ao marido:

“Vambora bem, a gente vai perdê o jogo. É aquele ditado que os rico fala: leva os aner, fica com os dedo. Deixa a camisa com os home. O importante é os jogadô vê que nóis tá lá com eles”...

“Tudo bem, tudo bem. Mas a camisa dela não... tentou dizer Benê. Na moral, seu guarda, e... também não é muito certo ela ficá sem camisa na rua, né?”

A resposta foi inesperada:

“Ficar sem camisa não é problema nenhum. Para nós não tem essa de certo e errado, de moral e imoral. Estado laico também não segue moral nenhuma. Nem sabe dizer o que é certo ou errado e...”

“Cruz credo!”, exclamou Chiquinha.

“e... chega de prosa. Dá aqui seu símbolo religioso.”

Chiquinha entregou a camisa. Benê também. Tirou uma toalha da mochila, colocou no ombro da mulher e ousou perguntar:

“Não é perseguição contra nóis não? Não é preconceito?”

O vigilante 2, cópia do 1, respondeu com voz metálica:

“Preconceito é contra minoria, entendeu? Vocês são maioria! Maioria tem que ficar quieta!”

Vendo que não tinha papo Benê perguntou:

“A gente pode ir?”

“Pode. Mas antes tem que ser fichado. E vai receber um folheto em casa com as novas regras para a torcida corinthiana no campo de futebol. E as primeiras começam hoje”.

-‘Hoje?! Que tem que fazer hoje?”

-“Tem que ficar no Tobogã”.

-“Mas eu comprei ingresso pra arquibancada!”

-“Problema seu. Se quiser ver o jogo vai pro Tobogã”. Vai e aguarda em casa o folheto com as regras.

Desconsolado Benê foi embora. Deu ainda para ouvir um grito:

“E não pode mais cantar o hino!”.

Foi muito triste, mas... o Timão ganhou. Benê, Chiquinha e mais 5.000 corinthianos voltaram felizes para casa. (os demais, barrados por outros vigilantes, ficaram de fora)...

Na semana seguinte chegou o livrinho com novas regras:

1. Era proibido torcer em voz alta. Incomodava os moradores do bairro que não gostam de futebol.

2. Também não se podia dançar. Poderia causar complexos em quem tivesse dificuldades motoras.

3. Regra para certos clubes: Nenhum time pode ter nome de santo! Nenhum nome religioso!

Pois é, numa penada acabaram com São Paulo, São Caetano, Santos...
E estava tudo bem claro: quem quer participar tem que colaborar. Tem que seguir as regras.

“E quem fez essas malditas regras, o governu?” Perguntava Chiquinha?

“Sei lá, dizia Benê. Qué dizê, é coisa dos político do tal de Estadu Laico. Ele diz que nóis tem fé demais”.

-“Cruz Credo!” exclamou Chiquinha persignando-se. E continuou: Magine só a gente jogando contra o Paulo, o Caetano, o André, o Bernardo, o... Ih! Como fica o Santos? Baleia Futebol Clube?

-“Sei não. O que sei é que a gente não vai desisti. E tá na hora du jogo. Vamo lá!”.

É minha gente, fé é fé. O amor falou mais alto. Foram lá mais uma vez. O Timão venceu! De novo saíram felizes.

Terceira semana.

Nova regra. Torcida corinthiana tinha que ficar em silêncio absoluto. Não podia fazer sinal da cruz nem mover as mãos secando o time adversário na hora de cobrar falta. E era para ficar o tempo todo de costas para o jogo.

-“E agora, Chiquinha?” perguntou Benê. “Que adianta ir lá?”

-“Adianta amô, adianta. Os jogadô vão vê que nóis tá lá. Vão ouvir a gente e os anjo cantando. E nóis ganha. Vamo sê campião. Acredita?”

“Acredito, meu bem, acredito”.

Foram. Não cantaram. Não viram. Ganharam!

Moral da história: Os fiéis sempre vencem.



segunda-feira, 7 de março de 2011

O USO DE ARMAS PELA POLÍCIA




07/03/2011

Passou praticamente despercebida do público a assinatura, no último dia do governo Lula, da Portaria Interministerial n.º 4.226/10, que limita a utilização de armas letais pelas forças policiais do País. Segundo as novas diretrizes, o agente de segurança pública só poderá disparar sua arma em caso de "legítima defesa própria ou de terceiro contra perigo iminente de morte ou lesão grave".

As diretrizes fixadas pela portaria devem ser obedecidas pelos agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, do Departamento Penitenciário Federal e da Força Nacional de Segurança Pública. Não têm, portanto, caráter compulsório para os órgãos estaduais de segurança pública.

Entre outras inovações, a Portaria n.º 4.226/10 determina que, a partir de abril, os agentes policiais devam portar, no mínimo, dois instrumentos de baixo potencial ofensivo, além de arma de fogo. Pelas novas regras, o uso da força deverá obedecer às convenções e tratados internacionais de proteção aos direitos humanos e "aos princípios da legalidade, da necessidade, da proporcionalidade, da moderação e da conveniência". Os tiros de advertência, portanto, não são "prática aceitável".

A Portaria n.º 4.226/10 recomenda ainda que os agentes policiais não apontem armas de fogo contra pessoas, durante os procedimentos de abordagem, e proíbe que atirem contra veículos que desrespeitarem bloqueios policiais em vias públicas - a não ser quando o ato representar risco imediato de morte ou lesão grave aos agentes ou a cidadãos.

As novas regras foram preparadas pelo Ministério da Justiça e pela Secretaria de Direitos Humanos, da Presidência da República, e seu alcance está provocando polêmica nas áreas de segurança pública. A portaria destina-se aos órgãos federais de segurança.

No entanto, seu artigo 4.º determina que os Estados que quiserem receber recursos federais para a área de segurança pública terão de enquadrar suas Polícias Civil e Militar nas novas regras. Os governos estaduais que não seguirem as determinações da portaria não receberão verbas federais para treinamento e para aquisição de viaturas, armas e equipamentos policiais. Vários secretários de Segurança Pública e dirigentes das polícias estaduais alegam que há muito tempo adotam técnicas de "uso progressivo da força", que são previstas por leis - e não por simples portarias.

É o caso do comandante da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, para quem a portaria é uma cópia do que já acontece no Estado. Segundo ele, desde 1999 os 100 mil homens da corporação fazem, em média, 30 mil abordagens com armas de fogo por dia, seguindo os procedimentos consagrados pela Portaria de 31 de dezembro. Já o secretário de Defesa Social de Minas Gerais, Lafayette Andrada, afirma que a polícia mineira, desde 2002, treina seus homens em técnicas de uso de armas não letais, capacitando-os para o policiamento comunitário.

As críticas mais contundentes à Portaria n.º 4.226/10 partem de entidades de delegados e de investigadores de polícia. Seus dirigentes afirmam que, por fazer exigências impossíveis de serem atendidas e conter dispositivos irrealistas, como a proibição do uso de armas de fogo em bloqueios policiais, ela teria sido escrita por quem não tem experiência na linha de frente do combate à criminalidade. "Por que assaltantes em fuga respeitariam um bloqueio, se não existe a possibilidade de interceptação do carro para identificação?" Faltou debate com aqueles que conhecem a atuação policial, afirma Reinaldo de Almeida Cesar, secretário de Segurança Pública do Paraná e ex-diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal. A entidade está propondo ao ministro da Justiça, Martins Cardozo, a revisão de algumas das novas regras.

Algumas dessas críticas são procedentes, mas a portaria tem o mérito de padronizar condutas e procedimentos. Isso ajuda a coibir abusos, evitando que os agentes exorbitem de suas prerrogativas, aumenta a eficácia das operações e dá mais segurança à sociedade.

Fonte: O Estado de São Paulo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

VOCÊ GOSTA DE ÓPERA?



Se a sua resposta foi SIM, vai gostar muito do que vai ouvir.

Se a sua resposta foi NÃO, assista ao vídeo.



DIA EUROPEU DA ÓPERA EM PAMPLONA. UMA SURPRESA AGRADÁVEL, NUMA TARDE DE PRIMAVERA, QUE PARECIA SER UM DIA COMO OUTRO QUALQUER...




Clique:



sábado, 30 de outubro de 2010

PROMESSAS DO PRESIDENTE LULA







Podemos confiar nelas?





Valter de Oliveira


Nosso presidente é um homem curioso. Loquaz, espontâneo, tem o dom de convencer muitos de seus ouvintes. Também adora fustigar veementemente o que afirma ser hipocrisia de quem o critica. Vocês se lembram quando ele afirmou que em nosso país não há ninguém mais ético do que ele?

Passemos dos “papos” aos fatos.

A questão da liberalização do aborto não é de hoje. Lula, como a candidata Dilma, se diz católico e pessoalmente contra o aborto. E jura que diz a verdade.

Carta do presidente a todos os bispos do Brasil - 8 de agosto de 2005


“Reafirmo nosso compromisso com a afirmação da dignidade humana em todos os momentos e circunstâncias e com a rigorosa proteção do direito dos indefesos. Nesse sentido quero, pela minha identificação com os valores do Evangelho, e pela fé que recebi de minha mãe, reafirmar minha posição em defesa da vida em todos os seus aspectos e em todo o seu alcance. Nosso governo não tomará nenhuma iniciativa que contradiga os princípios cristãos, como expressamente mencionei no Palácio do Planalto”.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil (1)

A promessa de Lula foi cumprida?


1. No mesmo mês de agosto o presidente enviou carta à ONU reconhecendo a prática do aborto como direito humano... (ver p. 30 do documento da Comissão em Defesa da Vida da regional sul 1. da CNBB com a citação da carta de nosso governo)

2. Em 27 de setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91 com o objetivo de liberalizar o aborto contradizendo tudo o que havia sido afirmado pouco antes sob juramento...

3. Documentos de 2006 e 2007 reiteram o apoio do governo e do PT à causa pró-aborto. Pior: o 3º Congresso Nacional do PT (de 31 de agosto a 2 de setembro confirma o empenho do partido nesse sentido afirmando que a resolução tem caráter obrigatório para todos os membros do PT. Como diz o texto da Comissão de Defesa da Vida: “Ninguém,portanto, a partir de setembro de 2007, pode candidatar-se pelo PT sem estar de acordo com a descriminação do aborto”.

A situação mudou com a atual eleição?



Nem um pouco. As declarações de Lula, Dilma e do PT só enganam a quem, misteriosamente, nega sistematicamente a verdade. E aqui não estamos a julgar a consciência de ninguém. Estamos expondo fatos. Entre eles publicamos o texto do Diário Oficial da União (2) com financiamento governamental a entidade que tem por objetivo descriminalizar o aborto.

Triste, senhor presidente, muito triste. Que nome o sr. daria a tal tipo de atitude?


Notas

1. fonte: Contextualização da Defesa da Vida no Brasil. Como foi planejada a introdução da cultura da morte no país. Comissão em Defesa da Vida da Diocese de Guarulhos, Comissão em Defesa da Vida da Diocese de Taubaté, Membros da Comissão em Defesa da Vida da Regional Sul-1 da CNBB, p. 37,38. Ver em:


RECOMENDAMOS VIVAMENTE A LEITURA DESSE PRECIOSÍSSIMO DOCUMENTO.


2. Ver artigo no site mundoemfoco: Governo Federal contrata assessoria para legalizar aborto no Brasil



Para mais informações sobre o assunto leia





sábado, 16 de outubro de 2010

EM DEFESA DE D. ALDO
CARTA ABERTA AOS MOVIMENTOS SOCIAIS DA PARAÍBA

Prezados senhores dirigentes dos movimentos sociais da Paraíba

Saudações

Li o manifesto dos senhores de repúdio a D. Aldo Pagotto. Apesar de conhecer a ousadia de alguns movimentos sociais não imaginei que chegassem ao extremo de pedir a repreensão de um arcebispo da Igreja Católica por discordar dos senhores em pontos específicos de política e economia. Vejamos algumas acusações:

1. D. Aldo é acusado de agir “em desacordo com as orientações pastorais da própria CNBB – desacata inclusive orientações de dioceses da Paraíba”

Resposta

1. Como ensina o cardeal Ratzinger a CNBB – por mais méritos que possa ter em sua atuação, é um organismo burocrático, não faz parte da estrutura docente da Igreja. O bispo, senhor de sua diocese, responsável por seus fiéis diante de Deus, não tem nenhuma obrigação jurídica ou moral de seguir um posicionamento da CNBB que ele, em sua consciência, julga não estar correto, quer técnica, quer doutrinariamente.

2. Conforme a doutrina católica o princípio da colegialidade não impõe a nenhum bispo a obrigação de seguir a orientação de prelados de outras dioceses. “Os bispos são, cada um por si mesmo, princípio e fundamento da unidade nas suas igrejas particulares” (LG 23). O poder que possuem “é um poder próprio, ordinário e imediato”. (LG 27). (1).Ele deve estar em união com o Papa e em conformidade com o magistério da Igreja.

O conceito de colegialidade defendido pelos senhores nada tem a ver com o que é ensinado pela Igreja. Basta olhar o Catecismo de João Paulo II.

O pretenso espírito democrático expresso pelos senhores reflete outra coisa, aliás, errônea e perigosa: reflete o chamado centralismo democrático segundo o qual, quando uma assembléia decide um tema, não se pode mais divergir do que foi decidido. É o que vimos no episódio pelo qual o PT suspendeu os deputados Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC) que continuaram criticando a descriminação do aborto mesmo após o partido ter fechado questão sobre este ponto. Para manter seus cargos tiveram que se desfiliar e procurar outros partidos.

É bom lembrar que o chamado centralismo democrático é o conceito marxista leninista de democracia. Nele não pode haver objeção de consciência. Obedece-se e pronto. É tirânico. Não tem nada de verdadeiramente democrático e menos ainda de católico.

2. Os senhores dizem que D. Aldo desrespeita a pedagogia de Jesus em favor dos mais necessitados

Resposta

Seria preciso provar que a posição do bispo em matéria da questão da propriedade está em desacordo com a doutrina social da Igreja. Não li nenhum argumento dos senhores neste sentido. Só há invectivas. Lembrem-se: ao acusador cabe o ônus da prova.

Sabemos que movimentos sociais como o MST defendem claramente o socialismo e pregam a abolição da propriedade privada dos meios de produção. O Sr. Stédile, que representa uma facção do movimento, defende inclusive, como ele declarou na TV e por escrito, que é necessária a reforma agrária em propriedades grandes, ainda que produtivas. Dá para entender, a partir disso, a manchete do artigo de D. Aldo.

É uma mentira que a aplicação do socialismo é mais favorável aos mais necessitados da sociedade. Isso só é “verdade” no mundo da propaganda manipuladora. O socialismo de Stalin levou à morte mais de 25 milhões de camponeses – os antigos kulaks – deportados para lugares terríveis na URSS. Qual o crime deles? Ter produzido muito!... Este foi o socialismo real. No que o socialismo do sr. Stedile difere do que concretamente existiu?

3. Conforme os senhores D. Aldo critica e desestimula as iniciativas que visem promover a justiça social, a dignidade e organização do Povo dos Pobres... as CEBs, a grande maioria das Pastorais Sociais e até padres comprometidos com a causa dos pobres.

Resposta

A Igreja sempre defendeu – e defende – toda atividade realmente a favor da justiça e da dignidade humana. Toda iniciativa que tenha esses objetivos – e que, portanto, devem estar conforme o direito natural e a doutrina social da Igreja devem ser apoiados e estimulados.

Ora, o que a assessoria de D. Aldo afirma – e tem razão – é que em nosso país muitos movimentos sociais afastaram-se da verdade para seguir ideologias relativistas e socialistas. Prova disso? Muito simples: o apoio dado por muitos movimentos sociais ao PNDH 3 proposto pelo PT; plano que defende a descriminação do aborto, aprovação da lei da homofobia, legalização da prostituição, união civil de homossexuais e muitos outros pontos que se chocam com a doutrina católica e o direito natural. É o que a CUT e o MST, que assinam o documento dos senhores contra D. Aldo, afirmam claramente no documento que citamos em nota. (2) O que há de católico nele? Nada. Muito pelo contrário.

Uma questão para os senhores, o que é mais: A vida ou a propriedade?

As encíclicas papais sempre criticaram violentamente os abusos do capitalismo. Sempre ensinaram que trabalho não é mercadoria. Sempre exigiram que o trabalhador fosse tratado com dignidade.

Todos sabem que os movimentos sociais criticam severamente o sistema econômico liberal. Certas críticas são verdadeiras; outras, absolutamente falsas.

A Igreja nos ensina que a propriedade é um direito natural secundário e a vida um direito natural primário. Este é superior àquele.

O homem comum sabe disso. Todo homem sensato, diante de um ladrão que o assalta, prefere entregar a carteira ou o carro do que correr o risco de perder a vida.

Ilógicos são aqueles que dizem defender a justiça ao promover a partilha (ou eliminação?) da propriedade e apóiam governos e outros movimentos que afirmam que a vida não é um direito natural inalienável. Pior: não só não se incomodam que se proponha a descriminação do aborto, mas ainda assinam declarações de apoio ao aborto.

Os movimentos sociais e pastorais da Paraíba podem mostrar a D. Aldo que o receio quanto à ortodoxia católica dos senhores é infundada. Basta promoverem grandes passeatas em favor da vida. Aliás, deveriam ter feito isso em Aparecida, no último dia 12 de outubro. Deveriam ter bradado contra todos os que defendem ou pregam a cultura da morte: PT, PSOL, PCdo B, e, porque não dizer, setores do PSDB e de partidos ditos liberais que rejeitam obstinadamente o direito natural.

Os senhores estão dispostos a fazer isso? Estão dispostos a lutar pelo principal direito humano? Se não lutarem pelo bem maior é porque o menor é falso. É só pretexto para afundar o Brasil num laicismo socializante fadado a aprofundar nossos males sociais e nos deixar ainda mais afastados de Deus.

Movimentos sociais e Plínio de Arruda Sampaio

No debate na Band Plínio disse que falava como representante dos movimentos sociais. Disse a verdade ou mentiu?

O que tem defendido Plínio e seu partido?

Laicismo que rejeita símbolos religiosos em locais públicos, lei da homofobia, casamento homossexual, liberalização do aborto, negação da propriedade dos meios de produção. Se ele disse a verdade ao dizer que os representa está confirmado que os senhores estão empenhados em aprovar a cultura da morte e um tipo de economia que há mais de cem anos é condenado pela doutrina social da Igreja. Nesse caso D. Aldo tem toda a razão em não colaborar com os senhores. Nenhum cristão sério colabora para a implantação de uma sociedade anti-cristã.

Cabe agora aos senhores continuarem o debate. Se é que estão dispostos a isso.

Se querem realmente ser católicos sejam fiéis à doutrina social da Igreja. Toda ela. Não apenas ao que julgam conveniente.

Que o bom Deus os ajude.

Atenciosamente,

Valter de Oliveira


Notas

1. RATZINGER, Joseph. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga. São Paulo, EPU, 1985, p. 40). Ver também nosso artigo em defesa de D. Cristiano.


2.
Nota Pública em defesa do III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3)

É avanço na luta por direitos humanos em defesa da democracia, dos direitos humanos
e da verdade.

As entidades e militantes dos Direitos Humanos e da Democracia de São Paulo-SP juntam-se ao Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), rede que reúne cerca de 400 organizações de direitos humanos de todo o Brasil, para manifestar publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições contrárias ao III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), e seu APOIO INTEGRAL a este Programa lançado pelo Governo Federal no dia 21 de dezembro de 2009.

(...)

Juntamente o ao MNDH, ainda que explicitando alguns outros detalhes que envolvem a integralidade do PNDH 3, nós, organizações, movimentos e militantes de São Paulo, entendemos que as reações veiculadas pela grande mídia comercial, com origem, em sua maioria, nos mesmos setores conservadores de sempre, devem ser tomadas como expressão de que o Programa tocou em temas fundamentais e substantivos, que fazem com que caia a máscara anti-democrática destes setores. Estas posições põem em evidência para toda a sociedade as posturas refratárias aos direitos humanos, ainda lamentavelmente tão disseminadas, e que se manifestam no patrimonialismo - que quer o Estado exclusivamente a serviço de interesses dos setores privados; (...) no patriarcalismo - que violenta crianças e adolescentes, e serve de alicerce para o machismo - que mantém a violência contra a mulher e sua submissão a uma ordem que lhes subtrai o direito de decisão sobre seu próprio corpo (como o direito ao aborto), lhes impõe salários sempre menores que os dos homens, ou a situações de violência em sua própria casa; no racismo - que discrimina negros, indígenas, ciganos e outros grupos sociais; nas discriminações contra outras orientações sexuais que não sejam apenas a heterossexualidade (considerada o único padrão de “normalidade” em termos sexuais) - estigmatizando a homossexualidade (masculina ou feminina), a bissexualidade, os travestis ou transexuais, e todas as demais manifestações de homoafetividade - o que impede o reconhecimento dos casamentos, ligações e constituição de famílias fora das “normas” (atualizadas ou não) do velho patriarcado supostamente sempre heterossexual, monogâmico e monândrico (...).

Juntamente com o MNDH, também manifestamos nosso apoio integral ao ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi (...)

Em suma, como organizações da sociedade civil, o MNDH e nós, que vivemos e militamos em São Paulo, estamos atentos e envidaremos todos os esforços para que as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás.

São Paulo, 14 de janeiro de 2010.


Movimentos, Organizações e Militantes pelos Direitos Humanos de São Paulo


LISTA DE ENTIDADES QUE SUBSCREVEM ESTA NOTA PÚBLICA

Excluímos grande parte delas. Deixamos, A CUT e o MST e as que, só pelo título, se mostram claramente contra a moral católica


ABGLBT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS
COLETIVO DE FEMINISTAS LÉSBICAS
CUT - CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES
FRENTE NACIONAL PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DA MULHER E PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
LBL - LIGA BRASILEIRA DE LÉSBICAS
MST - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA

Caso o leitor queira ver o texto e a lista completos acessar:


terça-feira, 7 de setembro de 2010


OS PRESIDENCIÁVEIS E O ABORTO





Valter de Oliv
ei
ra


Apresentamos a nossos amigos a opinião dos presidenciáveis encontrada em órgãos da mídia.

Após a exposição das idéias de cada um teceremos breves reflexões.

1.
“Até agora, nenhum dos três principais candidatos à presidência defendeu mudanças na atual legislação sobre o aborto. Em junho, durante entrevistas concedidas à imprensa em Porto Alegre, Dilma Rousseff, declarou que aborto é uma questão de saúde pública. "Um governo não tem de ser a favor ou contra o aborto. Tem que ser a favor de uma política pública", afirmou. "Aborto não é questão de foro íntimo meu, seu, da Igreja, de quem quer que seja. É uma questão de saúde pública." Nestes termos, segundo a ex-ministra, o “aborto para ser possível tem de estar previsto em lei”.


Comento:

Saúde pública é um eufemismo para evitar dizer que apóia o aborto. E ela sabe que é programa do PT e ser contra o aborto é

motivo de expulsão do partido. Também sabe que faz parte do ideário do Consenso de Brasília fomentado e apoiado pelo PT. Consenso que Lula se comprometeu recentemente a propagar pela América Latina.

A preocupação com a saúde da mãe não se estende ao feto. Ele é simplesmente esquecido, descartado. Coerente com a ideologia feminista radical que o considera, sem nenhuma base científica, simplesmente como parte do corpo da mãe.

Em suma: a mulher deve ter direito de abortar correndo menos riscos.



2.
Serra afirma que não quer mudar a legislação existente. Eis o que declarou “em maio, no programa do Ratinho: "Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na Legislação. Agora, qualquer deputado pode fazer isso.

Como governo, eu não vou tomar essa iniciativa”, declarou o tucano”.





Comento:

E caso alguém tome a iniciativa qual será sua posição? Se o Congresso aprovar um projeto de lei abortista o candidato irá vetá-lo? Por que não declara que faria isso? Por que não afirma que qualquer projeto abortista nega o mais fundamental dos direitos humanos? Por que não dizer que uma eventual “lei” que elimine inocentes fere a Convenção de S. José da Costa Rica, assinada pelo Brasil, na qual lemos que o direito à vida começa na concepção?


3.

Marina Silva se declara pessoalmente contrária à legalização, mas sugere a realização de uma consulta à sociedade. "Essa é uma responsabilidade do Congresso Nacional, mas considero que uma questão tão complexa e importante como essa deve ser decidida diretamente pela sociedade, através de um plebiscito", afirmou a candidata do PV”. (1)

Comento:
Lamentável, simplesmente lamentável. A candidata é contra a legalização baseada em qual princípio? Se considera que a vida humana desde a concepção é um direito inviolável, como aceitar que um plebiscito possa revoga-lo?

Absurdo. Marina Silva toma a posição de Pilatos que condenou um inocente. Cristo morreu devido a um plebiscito!


4.


De Plínio de Arruda Sampaio encontramos a seguinte afirmação:

“Apóio o movimento em favor da descriminalização do aborto porque, evidentemente, a lei atual demonstrou ser, não apenas ineficaz, mas claramente perniciosa, uma vez que obriga as mulheres a recorrer a pessoas despreparadas e inescrupulosas para interromper uma gravidez indesejada.” (2)


Comento:

É xérox piorado da candidata Dilma.

Intitulando-se católico não tem a mínima consideração para o que a Igreja diz sobre o tema. O que os Papas afirmam sobre moral não lhe interessa. Não aceita que a Igreja combata publicamente o aborto. Ela não teria o direito de influenciar a sociedade com seu ensinamento, pois o Estado é laico. É o filho que amordaça a mãe...

Tudo lógico. Quem apóia relativistas que negam o direito natural esquece que o respeito e o amor pela Igreja estão incluídos no quarto mandamento.



Esses são nossos principais candidatos. O que fazer? É possível aplicar nesta eleição para o Executivo o princípio do mal menor?

É tema para outro artigo.





sexta-feira, 27 de agosto de 2010



GLOBO, BAND, PRESIDENCIÁVEIS





Valter de Oliveira




No ultimo dia 06 de agosto tivemos o primeiro debate entre os candidates à Presidência da República. Que tristeza! Pobreza dos contendores. Pobreza da mídia cada vez mais conivente com o poder dominante.

O velho Estadão perdeu os dentes, esqueceu os velhos ideais democrático-liberais. Não sabe ou não quer mais fazer verdadeira oposição. Ou pelo menos retratar a realidade do melhor modo possível.

Na opinião do jornal tivemos um debate amistoso: "O primeiro debate entre os candidatos (...) surpreendeu pelo tom amistoso com que se trataram os participantes". Reconhece que ele foi "monótono" mas empenha-se em mostrar que foi "uma discussão sem ataques pessoais, jogadas ensaiadas de marketing e frases feitas destinadas a causar impacto na audiência eleitoral". Depois disso o artigo alinhava de modo tranqüilo o que foi dito por cada um dos candidatos. E no meio resolve dizer que "houve um certo amadurecimento da disputa eleitoral". A atuação dos candidatos foi, diz o articulista, um convite ao sono dos expectadores. Sono tão forte, dizemos nós, que se fez presente no próprio artigo do Estadão...

Já a Band teimava em dizer que o debate foi mais uma contribuição para nossa democracia. Nem uma explicação sobre o fato de se fazer um debate às dez da noite em noite de final de Libertadores...

A Globo - que se apresenta como defensora da democracia e da conscientização política de nosso povo - deu um jeitinho de transferir o jogo do São Paulo para as dez da noite...Parece que não convinha um possível fiasco de D. DIlma diante da audiência global.

Houve também quem propagasse com alegria o grande desempenho do Sr. Plínio de Arruda Sampaio. Repetir velhos e demagógicos chavões e chamar Marina de Polliana é, para certa mídia, um exemplo esfuziante de sagacidade...

E o nosso povo, o que pensa?

Entre as pessoas mais simples e até da classe média uma parte estava atenta ao jogo. Outra já tinha ido dormir. É preciso acordar cedo para ter o pão de cada dia. Menos de 3% dos expectadores assistiu os quatro presidenciáveis.

Leitores de jornal - em geral mais bem informados - viram a realidade melhor do que a mídia. Li a opinião dos leitores do Estadão. Dão um banho de visão política em jornalistas e analistas que se esqueceram da verdadeira missão da mídia.

Selecionei apenas 4 delas. Muitas outras poderiam ser citadas.



Extrema delicadeza



Como eleitor e cidadão brasileiro, fiquei decepcionado com o debate promovido pela Band. Não sei se foi engessamento por parte da emissora ou da assessoria dos candidatos, pois o que se viu foi uma delicadeza extremada dos dois principais concorrentes. Entendo que os brasileiros precisavam ouvir, com firmeza e em detalhes, o que a candidata do governo tem a dizer sobre o envolvimento do PT com as Farc e com o MST e sobre o programa de governo com relação à liberdade de imprensa e todas as formas de comunicação. Ninguém abordou esse tema! Por quê? Foi medo de enfrentar a petista? Medo por quê, se ela estava tremendo e gaguejando? Foi uma pena!

JOÃO MAGRO VENTURA


São Paulo



Partida provinciana


Como esperável, nosso "homem cordial" preferiu o embate entre o glorioso Tricolor Paulista e o combativo Colorado gaúcho ao debate dos presidenciáveis. Não perdeu muito. O modorrento confronto só foi quebrado por algumas pedaladas démodés de Plínio de Arruda Sampaio, cuja notória inteligência parece haver sido enterrada sob os escombros ideológicos dos anos 60. O que causou mais espécie foi a absoluta irrelevância a que os candidatos e os próprios jornalistas relegaram os temas internacionais e as desastradas intervenções do governo brasileiro no campo das liberdades públicas e dos direitos humanos em suas relações com os outros países, como, por exemplo, a ameaça global - e, por evidente, aos brasileiros - que hoje representam as ditaduras de Coreia do Norte e Irã. Enfim, o futebol da Libertadores preponderou sobre uma partida provinciana.


AMADEU R. GARRIDO DE PAULA


São Paulo




MUDANÇA DE DATA


Parabéns, Rede Globo! Vocês alcançaram o objetivo. Com a força que têm, conseguiram mudar a data do jogo entre São Paulo e Inter (noticiado em 17/6/2010) e o resultado foi o Ibope de 28 a 5 para a Globo. É claro que o povão (e não estou nem falando dos que recebem a bolsa-esmola) prefere assistir a uma semifinal (com gosto de final) de Libertadores a um debate para presidente. Com isso a candidata chapa-branca continuou pouco conhecida por aqueles que podem fazer a diferença na hora do voto. Quem conhece a situação da dívida que a Globo tem com o BNDES não pode imaginar que tenha sido mera coincidência a mudança da data. Eu não me lembro de ter visto, nos últimos 15 anos, uma semifinal de Libertadores envolvendo clube brasileiro ser disputada em outro dia diferente de quarta-feira.


Sergio Luis dos Santos


São Paulo




BURRICE E MENTIRAS


Dilma mentiu de novo: o DEM não recorreu contra o ProUni, mas sim contra o racialismo da proposta. Quem chamava as diversas "bolsas" do governo FHC de "esmola" era Luiz Inácio Lula da Silva, que depois as fundiu no Bolsa-Família. É fato, e está gravado em vídeo. Sobre o PSDB não ter tido projeto para o País, alguém deveria lembrar a Dilma o Plano Real. O jornalismo brasileiro precisa, com urgência, abdicar do simples "aspismo", sob pena de parecer apenas burro.

Conclusão sobre o debate dos presidenciáveis na Band: as TVs brasileiras não sabem fazer um programa de debates. Este modelo praticado no Brasil, engessado, burocrático, cheio de regras, mais se parece com uma sabatina mal feita. Não existe nenhum debate de ideias, de fato, nem há sequer tempo hábil para desenvolver qualquer discussão. É tudo muito superficial, limpinho, vazio e chato.


M. Cristina da Rocha Azevedo





É preciso dizer mais alguma coisa?



Nota: Se o leitor quer ler um texto mais acadêmico sobre o debate político brasileiro leia o artigo de Heitor de Paola "Eleições no Brasil, uma piada" no "Mídia sem Máscara".