domingo, 12 de julho de 2009


O ESTADO DE DIREITO E A JUSTIÇA


Valter de Oliveira




Há certos termos do Direito ou da Ciência Política que vemos com freqüência nos meios de comunicação. Um deles é “Estado de Direito”. Outro é: “a sociedade civil”. O comum dos leitores não se preocupa ou não tem tempo ou interesse em entendê-los mais profundamente. É compreensível. Especialmente quem vive neste mundo atribulado. Eu, por dever de ofício, ou seja, por ser professor universitário, tive que pesquisar um pouco para entendê-los melhor.

A primeira coisa que fica clara na pesquisa, e que não é novidade, é que o “Estado de Direito” é interpretado de modo diferente por liberais, positivistas, marxistas e tomistas. Aliás, é o que acontece também com o próprio conceito de “Direito”.

No Brasil os estudiosos consideram que a ciência jurídica e o modo como nossos juízes interpretam a lei foram fortemente influenciados pelo positivismo de Augusto Comte, o que nos levou a um conceito legalista e/ou formalista da lei. Recentemente tem crescido a corrente sociológica do Direito que considera que é papel do legislador adaptar as leis aos costumes sociais. É uma interpretação mais conforme o relativismo moral. (1)

O homem comum não se preocupa com a Filosofia do Direito. A enorme maioria das pessoas não tem dela a mínima noção. Contudo o povo clama por justiça quando exige leis mais duras para criminosos; punição severa para os crimes de colarinho branco, rapidez nos processos judiciais, fim da cultura da impunidade.

O brilhante artigo do prof. Ubiratan Jorge Iorio, que colocamos no site olivereduc.com, critica com toda a razão a politização do Judiciário brasileiro e aponta os grandes males da Doutrina do Direito Alternativo que permite que os juízes usurpem o poder do Legislativo. E lembra com propriedade que FHC e principalmente Lula nomearam 9 juízes do STF.

Ora, nós brasileiros, quando elegemos o Presidente, nem pensamos nisso. A imensa maioria por desconhecimento; bom número porque não dá importância ao fato. Falta-nos escolaridade e cultura política. Sobra-nos também ingenuidade. Basta ver a classe média que votou no PT acreditando que o partido era comprometido com a ética!

Creio não errar se disser que o prof. Ubiratan quer para nosso país uma democracia na qual realmente prevaleça o Estado de Direito. O que pede em seu artigo? Juízes imparciais e fiéis ao princípio da legalidade, respeito ao princípio de subsidiariedade (2), independência do judiciário, etc. Tudo isso deve existir em um Estado de Direito.

Agora, sem mais delongas, vamos ver o que a respeito escreveu o insigne jurista Manoel Gonçalves Ferreira Filho: (3)

1. A finalidade do Estado e o Estado de Direito

“Estrutura-se o Estado de Direito em duas bases: a legalidade e o controle judiciário.

O primeiro desses princípios significa que a atuação de toda autoridade pública deve efetivar-se de acordo com a lei, segundo as formas prescritas pela lei, dentro dos limites postos pela lei. Significa, basicamente, que a atuação do Estado deve seguir um paradigma, uma norma, geral e impessoal, como deve ser a lei, verdadeiramente.

Portanto, segundo um paradigma previsto para a generalidade dos casos, e não para um caso especial e determinado. Deve ser destinada a todas as pessoas e não sob medida para algumas, quer para beneficiá-las, quer para oprimi-las (...)”.

Confesso que se por legalidade devêssemos entender apenas o que está acima, continuaria preocupado. Para mim, leigo, faltava um critério, algo que me fizesse sentir que estou realmente protegido. E este algo encontrei na continuação do texto do ilustre jurista:

“Claro está que o Estado de Direito pressupõe que o Direito não seja definido apenas formalmente, não seja aquilo que o poder quis e, querendo – denominou de lei. A concepção puramente positiva do Direito – o jus quia jussum, a identificação do Direito com a vontade do Estado, independentemente de seu conteúdo justo ou injusto – renega o Estado de Direito. Esvazia-o, reduzindo-o a nada. De fato, nada significa subordinar o Estado à lei, se a lei é tudo o que o Estado quer." (4)

“O Estado de Direito pressupõe que a lei e, portanto, o Direito, seja apenas a norma que vise à Justiça, a norma que, direta ou indiretamente, incorpore um conteúdo de Justiça. Deflui, pois, da filosofia jusnaturalista, concepção segundo a qual há um Direito anterior e superior ao direito positivo de cada Estado, direito esse que serve da medida da justiça e da injustiça desse direito positivo, de seu valor e da sua disvalia."

"Assim sendo, o Estado de Direito é o Estado de Justiça. Não se pode distinguir um do outro. O Estado de Direito é Estado de Justiça porque, na concepção que o inspira e vivifica, só é direito aquilo que é justo. "


Aqui há vários pontos que merecem consideração:


1. “Claro está que o Estado de Direito pressupõe que o Direito não seja definido apenas formalmente, não seja aquilo que o poder quis e, querendo – denominou de lei."

Tenho lido muita gente defendendo o império da lei mas não conforme o texto acima. A lei é aplicada de modo legalista, baseando-se apenas no que está escrito. Aplica-se a lei sem preocupação com a justiça como exige o ponto 2 abaixo.



2. “O Estado de Direito pressupõe que a lei e, portanto, o Direito, seja apenas a norma que vise à Justiça, a norma que, direta ou indiretamente, incorpore um conteúdo de Justiça."


3. O juiz e o cidadão diante da lei injusta

Aqui as coisas ficam mais complicadas. O que deve fazer o juiz diante da lei manifestamente injusta?

O prof. Ubiratan nos dá uma resposta:

"De fato, como nem todas as leis são justas, a lei não esgota o Direito, mas isso não é argumento para que juízes devam postar-se acima delas, por mais nobres que sejam as suas intenções. Tal silogismo é um embuste ideológico disfarçado."

Mais adiante:

"É preocupante quando uma doutrina sustenta que um juiz está acima da lei,

E ele completa:

O juiz não pode substituir o legislador.(...), porque se uma determinada lei é “injusta”, o correto é que o Legislativo a revogue e não que o juiz a modifique de acordo com o que pensa com os seus botões."


Muito bem, eu e o prof. concordamos neste ponto no que se refere ao chamado Direito Alternativo. Mas, e se o juiz não aplicar a lei afirmando que ela viola o direito natural? Vejamos ainda uma vez o que ensina o texto de Manoel Gonçalves:

"Há um Direito anterior e superior ao direito positivo de cada Estado, direito esse que serve da medida da justiça e da injustiça desse direito positivo, de seu valor e da sua desvalia."

Caso um juiz decida desafiar a lei – em nome do Direito Natural – é necessário que haja o respaldo da Constituição? Ou seja, que explicitamente aceite o direito natural?

Se um juiz deve aplicar a lei, independentemente de seu conteúdo justo ou injusto, os juizes e promotores fiéis às leis nazistas de Nuremberg estavam moral e juridicamente corretos?

Esqueçamos os governos totalitários. Atenhamo-nos aos que se dizem democráticos e façamos algumas perguntas:

O que deve fazer um juiz americano se Obama aprovar as leis que proíbem a objeção de consciência para médicos e profissionais da área de saúde? Pode aplicar a pena de prisão ao médico que se recusar a fazer um aborto? Será correto alegar que não foi ele quem fez a lei e, portanto, não pode ser responsabilizado pela aplicação da pena?

Um juiz brasileiro – caso tenhamos a desgraça de ver aprovada a lei da homofobia – deve penalizar a quem, fiel a seus valores e sua consciência, continuar a defender que a prática homossexual é indigna e imoral?

Finalmente, supondo que os juízes possam não aplicar a lei nos casos citados, como impedir que os defensores do direito alternativo utilizem o pretexto do direito natural para fazer valer o pseudo direito gramsciano? O MST chega a citar S. Tomás...

Creio que apesar das frases do prof. Ubiratan Iório nem ele e nem eu, caso fossemos juízes, puniríamos alguém por seguir a lei natural. Se não tivéssemos alternativa, ou seja, se fossemos obrigados a punir inocentes para seguir um pretenso princípio de legalidade, renunciaríamos a nossos cargos.

E passaríamos a lutar contra essa leis.

É isso. Termino apelando para os leitores, advogados, juristas e outros estudiosos que nos escrevam sobre o assunto. E peço-lhes de antemão desculpas por meus parcos conhecimentos.



Notas:

(1) Por exemplo, se a prática homossexual ou o uso de drogas vão ficando comum na sociedade, não tem porque a lei considerar tais atos imorais ou criminosos.

(2) Princípio que afirma que o superior não deve fazer o que o inferior pode fazer sozinho. Seria maravilhoso, por exemplo, que o MEC o respeitasse. E que nós brasileiros não ficássemos, docilmente, aceitando como ordens o que são apenas indicações.


(3) Ferreira Filho, Manoel Gonçalves. A democracia Possível. SP. Editora Saraiva, p.32-34


(4) O que seria a visão rousseauniana da lei.


terça-feira, 30 de junho de 2009



JÓ, O POVO BRASILEIRO E JUDAS MACABEU

Valter de Oliveira



Meu caro amigo Ubiratan Iório (1), está inconformado com nossa classe política. Cansou-se. Desabafou escrevendo dois artigos em seu blog. Suas palavras iniciais no primeiro, de 16 de junho, intitulado “Atos secretos e ratos abjetos” mostram-nos todo seu desalento:

Sinceramente, o Brasil está cansando a gente! Dá vontade de desistir, de mudar de país, ou de escolher a alternativa de deixar-se alienar. O que acontece aqui, especialmente em Brasília (mas não só lá) é realmente desanimador.

No dia 25 ele continua a mostrar sua indignação com o artigo:

Brasileiro, teu nome é Jó!

Está cada vez mais difícil suportar as declarações de muitos de nossos políticos.

Confesso que, nos últimos dias, tenho tentado escrever para o Blog e, depois de um ou dois parágrafos, tenho apagado tudo e desistido. Penso que seja uma reação natural em um “contribuinte” brasileiro que é espoliado – como quase todos os demais – por tributos e mais tributos, sem qualquer retorno em termos de serviços públicos; em um professor de uma universidade pública brasileira que vem assistindo à sua degradação progressiva, nada podendo fazer para impedir esse processo, a não ser escrever um artigo aqui, outro ali; em um sujeito que, com muito esforço - seu e de seus pais -, passou incontáveis horas estudando até completar um curso de doutorado na Fundação Getulio Vargas, em uma época em que fazer um doutorado ou mesmo um mestrado era tarefa muito mais difícil do que hoje em dia, já que esses cursos proliferaram como tiririca em jardim, enquanto sua qualidade caiu como gotas de chuva em capim.

Confesso também que fico triste quando observo que o grande sonho de muitos de meus alunos de graduação na UERJ é fazer um concurso público para passar o resto de suas vidas trabalhando pouco e, naturalmente, sendo sustentados por recursos do erário, mas reconheço que não é deles o grande erro nesse tipo de atitude, é do ambiente que prevalece no país e que os conduz a pensar assim.

O que fazer diante das declarações de ontem do presidente, de que “um país que tem uma carga tributária de 10% não tem Estado?”, ou de que “muitas vezes você dá R$ 1 milhão para uma pessoa, que coloca no banco, não faz nada. Só ele vai ganhar dinheiro. Na hora que você dá R$ 100 para cada pobre, em meia hora volta para o comércio. Nem que ele vá para um boteco tomar uma canjebrina (sic). Não fica no banco, não vai para derivativos”.

Apenas solicitar a um de seus incontáveis assessores que lhe explique, necessariamente em linguagem de botequim, que, quando o Estado é enxuto, a carga tributária não precisa ser alta e que quando um banco recebe depósitos o dinheiro não fica “parado” lá.

O que fazer diante dos tristes episódios que vêm maculando indelevelmente a imagem de nosso Senado e protagonizados por seu próprio presidente, por sua família e por alguns de seus inúmeros afilhados? Apenas alertar os eleitores para que mudem as suas escolhas no futuro. Mas será que eles mudarão? Afinal, o referido senhor, ao deixar o cargo de presidente do país, nos legou uma inflação de 84% ao mês, uma relação dívida interna/PIB de quase 90% e três congelamentos de preços, mas sempre consegue ser reeleito para o Senado Federal (pelo Amapá)...

O que podemos esperar de nossos jovens diante de tantos maus exemplos a que somos obrigados a assistir diariamente, despejados pela mídia? Como incentivá-los a ter iniciativa para abrir um negócio, se a burocracia e os custos tributários e trabalhistas lhes dizem o oposto? Como fazer-lhes ver que estudar ainda é o melhor caminho, se o próprio presidente do país, em sandices diárias proferidas com a regularidade de um velho relógio suíço, chega a desdenhar de quem estudou?

Creio que o melhor a fazer, nos dias atuais, é ler e reler o relato bíblico de Jó, aquele patriarca da terra de Ur que primou pela fé e pela paciência e que, ao cabo dos 42 capítulos do Livro, ganhou de Deus o dobro de tudo o que antes possuía de bens materiais, além de vir a ter outros sete filhos e três filhas, e a viver mais cento e quarenta anos.

Brasileiro, teu nome – compulsoriamente – é Jó!


É verdade, meu caro Ubiratan, tudo o que você relata é muito triste. Pode chegar a ser deprimente.

Muitos de nós, realmente, diante de tantos males nos sentimos desencorajados. Mas, nestes momentos, refletindo um pouco mais, penso com meus botões e me pergunto: devemos?

Você compara o brasileiro com Jó. Chagado, sofrido, criticado até pelos amigos.

Você também lembra que após tanto sofrimento foi recompensado por Deus. Jó era um homem justo...

Nós somos o povo brasileiro. Sabemos de nossas fraquezas e até misérias. Mas somos bem mais do que muitos setores da mídia apresentam. O brasileiro é antes de tudo um forte. E meu amigo Ubiratan é um exemplo disso. Em que pese dizer que é só um professor “de uma universidade pública brasileira que vem assistindo à sua degradação progressiva, nada podendo fazer para impedir esse processo, a não ser escrever um artigo aqui, outro ali”.

Na verdade, quando vejo o seu idealismo, e de tantos outros brasileiros que remam contra a maré promovida pelas oligarquias, penso em lutadores cheios de entusiasmo e otimismo.

E que não se preocupam com a força dos adversários. Ou com o número deles. Pelo contrário, sentem gáudio em enfrentar a muitos.

Como Katsumoto, em “O Último Samurai”, que se encantava com as flores e com os 300 de Esparta que enfrentaram os persas.

É bom tentar a todo momento ser como Jó. Só pergunto se não está na hora de sermos também como Judas Macabeu que lutou heroicamente por Deus.

Heroísmo e grandeza retratados magnificamente no grande oratório de Haendel.

Recordo-me de meus 18 ou 19 anos quando pela primeira vez, ouvi, encantado, o tenor John Maccolum (representando Judas na música) chamando o povo eleito para a luta:

Soai os alarmes! Vossas trombetas de prata soai!

E chamai os bravos, e somente os bravos dos arredores.

E o coro, representando o povo, replicava:

Nós ouvimos, nós ouvimos o poderoso e terrível chamado;

E se for preciso cair, em defesa de Deus, da religião, da liberdade, nós cairemos!

É isso meu grande Ubiratan e caros leitores amigos. Sejamos Jó e sejamos Judas Macabeu. Como Jó vivamos na fidelidade ao bem ainda que, como seres humanos, sintamos muitas vezes desalento. Mas, sobretudo, como o bravo Macabeu, nunca deixemos de soar nossas trombetas de prata.



NOTA

1 – Veja o perfil do prof. Ubiratan Iório no blog www.ubirataniorio.org. E aproveite para ouvi-lo ao piano...




domingo, 21 de junho de 2009




SINTO VERGONHA DE MIM

ROLANDO BOLDRIN

Texto de Cleide Canton


Sinto vergonha de mim
por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!




"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".

Rui Barbosa


Texto de Cleide Canton
Interpretação de Rolando Boldrin

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SÓ DE SACANAGEM

Ana Carolina


Texto de Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro.

A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'.

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará!

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!

Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!

E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.'
Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.

Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'

E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'

Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!



Texto de Elisa Lucinda
Interpretação de Ana Carolina

sábado, 13 de junho de 2009



PRECATÓRIOS ABERRATÓRIOS

Ubiratan Iório de Souza


O governador e o prefeito de São Paulo, assim como quase todos os seus pares em todo o Brasil, defendem com unhas e dentes (e, ao que parece, com garras) a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 351/2009, que institui "regime especial" de pagamento de precatórios pelos estados, municípios e Distrito Federal. A OAB qualifica a referida PEC como a "institucionalização do calote".


É muito mais do que isto, porque ela enfeixa um conjunto de aberrações, todas atentatórias aos mais rudimentares ensinamentos morais. Primeiro, porque agride o princípio básico de que leis não devem ser retroativas, mas prospectivas; segundo, porque propõe que os débitos passem a ser corrigidos pela remuneração da poupança (TR mais 0,5% ao mês) e veda a incidência de juros compensatórios, o que diminui sua taxa de crescimento (que tal aplicar-se a mudança de regra proposta também aos contribuintes, quando atrasam os pagamentos de tributos?); terceiro, porque estende para até 70 anos o pagamento de dívidas dos entes federativos que a Justiça já determinou fossem pagos, ou seja, transfere para netos e bisnetos créditos de avôs e bisavôs - a não ser que estes vivam até os 140 ou 150 anos (ou mais); quarto, porque enfraquece o Poder Judiciário perante o Executivo, ou seja, agride a boa praxe democrática; quinto, porque beira as raias da indecência e da ofensa à nossa inteligência a alegação da Confederação Nacional de Municípios de que "os municípios querem pagar os débitos existentes, porém sem aviltar a utilização dos recursos públicos, impedindo o contribuinte de usufruir do mínimo que o Estado hoje lhe oferece, para pagar com lucros exorbitantes àqueles que fizeram dos precatórios do trabalhador, a melhor forma de investimento existente (ver a "argumentação" da CNM em www.fnp.org.br/files/documentos/CNM.ppt); enfim - em bom português e resumindo tudo -, porque é uma safadeza inominável, com todas as letras!


O argumento do prefeito paulistano chega a ser risível: "Risco maior é a capacidade de a cidade quebrar. Tenho responsabilidade". Afirmou ainda ser a aprovação da PEC a "única solução". Ora bolas, senhor prefeito - e senhores prefeitos e governadores de todo o país - que tal seguir a lição que devem ter recebido (espera-se) de seus pais e avós, em tempos em que os valores morais ainda eram respeitados minimamente - de que dívidas devem ser pagas tempestivamente, para não "sujar o nome" dos devedores? Cortem gastos supérfluos - e são tantos! - que os senhores verão que não faltarão recursos para pagar o que devem!


Em um país em que as três esferas do Estado pouco mais fazem de explorar o cidadão, em que a educação, a saúde, a segurança e a infraestrutura públicas são verdadeiramente vergonhosas, em que proliferam secretarias e mais secretarias com as únicas finalidades de atender ao "politicamente correto", acomodar alianças políticas e oferecer a apadrinhados altos DAS e em que se pretende inventar algo como a PEC 351, os cidadãos comuns, explorados por uma batelada de tributos (e que precisam pagá-los em dia, sob pena de multas, moras e juros) têm todo o direito de supor que o conceito de honra de alguns representantes dos entes federativos, de ontem e de hoje é, digamos, bastante relativo: quando o Estado é credor é um e quando é devedor é outro, bem diferente...

Fonte: www.ubirataniorio.org

domingo, 31 de maio de 2009


OBAMA E O CARÁTER PROCESSIVO DA CULTURA DA MORTE


Valter de Oliveira




Até agora nem uma só vez fiz comentários sobre a eleição de Barack Obama e nem sobre seus primeiros meses de governo.

Não fiquei nem um pouco entusiasmado com sua vitória, e nem a desejei. Sabia o suficiente sobre seu passado político e seus ideais para não me deixar levar pela propaganda da mídia.

E antes que algum desavisado me acuse de preconceituoso quero dizer que não apoio ou discordo de pessoas por atributos acidentais tais como simpatia, beleza, cor da pele, gênero ou raça. Ou se torcem para o meu time de futebol. Um candidato político tem que ser escolhido por suas qualidades éticas, pela justiça de seus ideais, por seu compromisso com o verdadeiro bem comum, por sua coerência de vida. .

Os que foram seduzidos por slogans como “Yes, we can”, esqueceram de se perguntar o que Obama poderia mudar na grande nação americana e no mundo. Todos podemos mudar. Para melhor e para pior...

No Brasil poucos sabem que Obama fora um dos mais radicais abortistas do Senado Americano. Talvez por isso não espanta que pessoas decentes, grandes defensoras da cultura da vida, mas desinformadas e também ingênuas, tenham se alegrado com sua vitória. Não é bom ver pela primeira vez um presidente negro? Não é bom para a democracia que um jovem simpático, bem falante, agradável, carismático assuma o poder?”

Claro que seria, desde que assumisse o poder baseado em verdadeiros valores. Sucede que Obama e seu séqüito fazem parte da corrente ideológica que defende e propaga a cultura da morte. Cultura que, ao negar o valor inviolável da vida, nega o próprio homem e, por conseqüência, a liberdade e a verdadeira democracia.

Barack Obama, dissemos, sempre foi um radical abortista. Tal como Hillary Clinton. Ele defendeu veementemente no Senado que uma criança nascida após uma tentativa de aborto poderia ser eliminada logo após o nascimento. Assim mesmo, sem atenuantes. (1)

Por isso não foi surpresa que uma de suas primeiras medidas foi abolir uma lei dos republicanos que impedia o financiamento do aborto em outros países (2).

Tal como Lula e a esquerda latino-americana Obama procura favorecer legislações internacionais contrárias ao direito natural em relação à vida humana.

As feministas abortistas, por exemplo, lutaram e lutam para que o aborto possa ser praticado pelo simples desejo da mulher. Mas não são bobas. Há 50 anos sabiam que nenhum país no ocidente aprovaria lei tão radical. Era necessário se chegar ao fim último por um processo gradual, mais ou menos rápido conforme os valores e a resistência da opinião pública de cada país. Na Europa e nos EUA avançaram realmente bastante.

No nosso caso, onde a lei é ainda bastante restritiva, querem que o Legislativo – ou o Judiciário que no Brasil resolveu fazer leis- aprove o aborto de anencéfalos. Já será um primeiro passo. Depois será a vez de outros deficientes. E assim por diante. Recentemente mudaram o discurso. Simplesmente não se fala no feto. Fala-se em saúde pública, sofrimento de jovens grávidas que sofreram abusos, mães pobres que não podem cuidar de outro filho. Toda essa luta, financiada pelo governo federal, é para, no fim, se aprovar o que tanto querem, ou seja, a criança só deverá nascer se a mulher quiser. Afinal, abortar ou não, seria um problema só dela. Só ela teria o direito de decidir. (3)

Só há um problema. Os defensores dessas idéias não têm a intenção de parar por aí. A questão é simples. Não basta a liberdade em esquecer a ética. O último passo consiste em perseguir e punir criminalmente os que defendem os valores da vida.

Alucinação de minha parte? Não. Pura realidade.

Na Europa, já há um bom tempo, as feministas lutam para que sejam aprovadas leis que penalizem médicos e enfermeiras que se recusem a praticar o aborto. Querem negar-lhes o direito à objeção de consciência.

Barack Obama gostou da idéia. Resolveu colocá-la em prática nos EUA. “Yes, we can!”

Artigo da Zenit de 8 de abril mostra que a Conferência Episcopal dos Estados Unidos e numerosas organizações cristãs uniram-se pedindo aos fiéis e cidadãos que lutassem contra o projeto do governo que pretende proibir a objeção de consciência aos profissionais da saúde.

Entre as associações está a Cardeal Newman Society que, em um comunicado à imprensa, faz um apelo pungente:

«Por favor, os médicos e as enfermeiras que estão a favor da vida precisam da sua ajuda hoje mesmo!» (4)
Artigo de Notícias Globais, de Buenos Aires, intitulado “A perseguição anunciada” cita o que a administração Obama fez em poucos meses de governo:

(...) podemos enumerar a “exportação” do aborto como direito humano a todo o mundo; a anulação das disposições que asseguravam a objeção de consciência aos profissionais da saúde, a distribuição sem receita a menores da “pílula do dia seguinte”; o financiamento da experimentação com embriões humanos, o corte total de recursos tanto aos programas de educação na abstinência sexual e como aos programas de experimentação com células mães não-embrionárias .Além disso, deu seu apoio ao projeto de lei contra a discriminação, que inclui a discriminação por orientação sexual e o crime de ódio, duas figuras jurídicas impulsionadas pelo movimento homossexual que atentam contra a liberdade de expressão, a liberdade de ensinamento e a liberdade religiosa; tomou medidas administrativas reconhecendo supostos direitos aos casais do mesmo sexo, e promove o projeto de revogação da legislação favorável ao matrimônio. (Defence of Marriage Act-DOMA), além de uma longa lista de privilégios para a comunidade “LGTB” (homossexual), (Life Site, Special Report II, 08-05-09; vid. NG 915, 922, 951, 953, 955, 957, 96)

E agora vem o lado paradoxal e trágico: apesar de tudo isso, a Universidade Católica de Notre Dame resolveu homenagear Obama!

De nada valeram os protestos de bispos e associações católicas. O Reitor, invocando a autonomia universitária, homenageou quem nega o direito natural e os valores cristãos.

A Universidade, tão acolhedora, tão amante da inclusão, especialmente tão carinhosa com membros da comunidade LGTB (5) aplaudiu Obama.

Só não foi tão acolhedora com um padre idoso que resolveu protestar. Convido meus leitores a assistir o vídeo. Fica mais fácil entender o que ameaça desabar sobre nós também no Brasil. Aqui, a lei da homofobia, patrocinada pelo PT, também quer algemar e colocar nas grades quem defende os verdadeiros valores humanos.

É hora de resistir. E confiar. Vale a pena.



Notas

1. Veja a menção a esta lei americana no discurso de Gianna Jessen, jovem americana que escapou de um aborto.

2. O que, conforme notícia da época, repercutiu mal no Vaticano. Artigo do prof. Cláudio de Cicco, intitulado “Abrindo mal uma nova era” analisa muito bem o que a medida de Obama significava. E conclui:

Barack Obama invocou a benção de Deus sobre os Estados Unidos, no seu discurso como candidato vitorioso. Por que então, logo em seguida, feriu gravemente a vontade divina, patrocinando o aborto? Mau sinal. A menos que retroaja, o novo presidente americano corre o grave risco de passar para a História como o presidente que começou uma “Nova Era” de desgraças para o povo yankee e para o mundo. Deus tal não permita.

3. Certa vez, em um seminário apresentado em minha aula de Estudos Brasileiros, um grupo de meninas apresentou um “projeto de lei” (cada grupo apresentava um tema que escolhera livremente) favorável à liberação do aborto. Foram radicais. No final a representante do grupo defendeu claramente que para que fosse praticado bastaria que fosse aceita a vontade da mulher. Como seu namorado estava na sala perguntei: Supondo que você se case com um ótimo rapaz e vocês se amem muito, que são saudáveis e têm muito boa situação financeira, e você descobre, três meses após o casamento que está grávida, mas seu plano era ter um filho só mais tarde. O que você faria?
Resposta: abortaria. Sem dúvida nenhuma!
Olhei para o namorado e perguntei a ela: E se o seu marido não concordar?
Resposta: ele não tem nada a ver com isso!
E há quem se case sem jamais conversar sobre temas tão relevantes... É a casa edificada sobre a areia.

4. As organizações criaram um site, www.freedom2care.org, para recolher assinaturas, informar as pessoas do que está em jogo a fim de resistir à lei totalitária de Obama.. Há também na rede o site de proteção de consciência da Conferência Episcopal: http://www.usccb.org/conscienceprotection/.
Ver também: freedom2Care: http://www.freedom2care.org

As organizações criaram um site, www.freedom2care.org, para recolher assinaturas para apresentar este pedido e informar as pessoas do que está em jogo.
http://www.usccb.org/conscienceprotection/
Freedom2Care: http://www.freedom2care.org

5. Corresponde no Brasil à sigla GLTS.

sexta-feira, 15 de maio de 2009



CNBB CONTRA ANTECIPAÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

VOCÊ CONCORDA COM A CNBB?


Valter de Oliveira


Os bispos do Brasil, reunidos em Itaici, publicaram importante documento criticando projeto de lei do Senado que pretende antecipar a maioridade penal, ou seja, jovens com 16 ou 17 anos seriam penalmente responsabilizados por seus crimes.

Na declaração nossos prelados fazem um apelo:

A Igreja no Brasil conclama os poderes públicos – Executivo, Legislativo e Judiciário – bem como a sociedade civil a debater o assunto.

É o que faremos hoje em nosso blog. Pedimos que nossos amigos leitores leiam a declaração e, em seguida, respondam nossa enquete (pesquisa). Aguardamos também postagens no blog com suas opiniões.

Naturalmente já temos opinião sobre o assunto e iremos expressá-la em próximo artigo.






X








Declaração da CNBB contra redução da maioridade penal Divulgada durante a 47ª Assembleia Geral do episcopado


“Todas as vezes que fizestes isso a um desses mais pequenos (...) foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40)


O Brasil enfrenta uma onda generalizada de violências sob os mais variados aspectos e pontos de vista. São violências que vão desde a negação ou privação dos direitos básicos à vida até àquelas que geram insegurança, apreensão, medo.

Campanhas equivocadas criminalizam crianças, adolescentes e jovens como principais responsáveis dessas ações violentas, quando na verdade, frequentemente, os maiores culpados ficam totalmente impunes.

Os atos violentos, os crimes, o narcotráfico, envolvendo-os, a cada dia, em sua perversa trama, tiram-lhes as possibilidades de plena realização e os afastam de sua cidadania.

Neste contexto, o Senado volta a discutir a redução da maioridade penal com argumentos que poderiam ser usados também para idades menores ainda, como se esta fosse a solução para a diminuição da violência e da impunidade. A realidade revela que crianças, adolescentes e jovens são vítimas da violência. Muitas vezes são conduzidos aos caminhos da criminalidade por adultos inescrupulosos.

A CNBB entende que a proposta de redução da maioridade penal não soluciona o problema.

Importa ir a suas verdadeiras causas, que se encontram, sobretudo, na desagregação familiar, na falta de oportunidades, nas desigualdades sociais, na insuficiência de políticas públicas sociais, na perda dos valores éticos e religiosos, na banalização da vida e no recrutamento feito pelo narcotráfico.

Reafirma a CNBB que a redução da maioridade penal violenta e penaliza ainda mais adolescentes, sobretudo os mais pobres, negros, moradores de periferias.

Persistir nesse caminho seria ignorar o contexto da cláusula pétrea constitucional - Constituição Federal, art. 228 - além de confrontar a Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente, as regras Mínimas de Beijing, as Diretrizes para Prevenção da Delinquência Juvenil, as Regras Mínimas para Proteção dos Menores Privados de Liberdade (Regras de Riad), o Pacto de San José da Costa Rica e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instrumentos que demandam proteção especial para menores de 18 anos.

Crianças, adolescentes e jovens precisam ser reconhecidos como sujeitos na sociedade e, portanto, merecedores de cuidado, respeito, acolhida e principalmente oportunidades.

A Igreja no Brasil conclama os poderes públicos – Executivo, Legislativo e Judiciário – bem como a sociedade civil a debater o assunto. Urge a busca de soluções focadas nas políticas públicas que efetivem melhores condições de vida para todos, na implementação de medidas sócio-educativas previstas no ECA e no desenvolvimento de uma política nacional de combate ao narcotráfico, penalizando com maior rigor a manipulação e o aliciamento de crianças, adolescentes e jovens pelo crime organizado.

A Igreja Católica, através de suas comunidades eclesiais, pastorais, movimentos e entidades sociais, desenvolve projetos sócio-educativos, profissionalizantes, de recuperação de dependentes químicos e de atendimento a adolescentes autores de ato infracional, obtendo resultados que indicam à sociedade caminhos a partir de ações educativas e não punitivas.

A CNBB se une a todos os brasileiros que trabalham para que se cumpra a premissa básica da Constituição Federal, art. 227: “CRIANÇA E ADOLESCENTE PRIORIDADE ABSOLUTA” e reafirma sua posição contrária à redução da maioridade penal.

Indaiatuba, São Paulo, 24 de abril de 2009

domingo, 10 de maio de 2009


PT PROPAGA CULTURA DA MORTE


Valter de Oliveira




Notícias recentes mostram a escalada da cultura da morte na América do Norte, na América do Sul (com os chamados governos bolivarianos), e no Brasil do governo Lula.

Em nosso país, fiel a seu programa ideológico, o governo petista, com forte apoio de organizações nacionais e internacionais, está profundamente decidido a tentar aprovar uma legislação abortista. Não importa o fato de termos aproximadamente 70% de brasileiros contrários à matança de inocentes. Ou melhor, exatamente porque entre nós a rejeição ao aborto é tão forte o governo – que já é apoiado por grande parte da mídia - decidiu gastar o dinheiro do contribuinte para tentar levar a opinião pública a mudar seu ponto de vista. A proposta herodiana é apresentada de modo desonesto. E a razão é simples: em nome do direito à saúde da mulher se viola o mais sagrado direito humano: o direito à vida.

Dois vídeos que recebemos mostram como o Ministério da Saúde está empenhado em propagar a defesa do aborto.

Clique para assistir aos vídeos.

http://www.youtube.com/watch?v=pJyF1VCVDfk&feature=related



Fim do Silêncio... ou Grito Silencioso?


http://www.youtube.com/watch?v=84DLsyns_gc


Convidamos a todos que nos lêem a lutar cada vez mais em defesa dos verdadeiros valores humanos.




sexta-feira, 1 de maio de 2009


Recebemos de uma amiga o seguinte vídeo. Iremos comentá-lo em futuro artigo.

"A mídia amestrada produz surpresas. O comentarista Luiz Carlos Prates, da RBS Santa Catarina, afiliada da Rede Globo, chutou o balde contra os políticos, na edição do dia 20. O vídeo, que circula na internet, vale a pena ser visto e revisto. Momento raro de liberdade de expressão:
"



http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=59705&channel=47



sábado, 25 de abril de 2009


PEPSI COLA: CAMPANHA PRÓ GAY


Recebemos um artigo divulgado pela Noticias Globales referente à postura da PepsiCo nos Estados Unidos em relação ao movimento Gay e à questão da família. Vamos reproduzi-lo para que o amigo leitor veja como os propagadores da imoralidade atuam e como não mais se preocupam em esconder sua rejeição dos valores familiares e democráticos.


USA: BOICOTE À PEPSI: BLÁSFEMA E PRÓ GAY

Por Juan Bacigaluppi

A American Family Association (AFA) convocou outro boicote, esta vez contra a gigante de bebidas PepsiCo. A empresa promove ativamente a reengenharia social anticristã apoiando a “agenda gay”.

A gota que fez transbordar o copo foi a publicidade da PepsiCo no programa Family Gay, da cadeia FOX, no último dia 08 de março. O programa, no qual se blasfemou contra Nosso Senhor Jesus Cristo, foi qualificado pela AFA como “pervertido e repugnante”.

PepsiCo. Empresa pró gay.

O apoio da Pepsi à agenda homossexual não é novo. Nos últimos dois anos concedeu um milhão de dólares para organizações que promovem o ativismo homossexual. Em concreto a metade desta quantidade foi recebida pela associação Families and Friends of Lesbians and Gays (Famílias e Amigos de Lésbicas e Gays - PFLAG) e será utilizada na formação de ativistas pró-gay (Life Site, 02-01-09).

A outra metade do dinheiro foi para a Human Rights Campaign (CDH), grupo que se autodescreve como “a maior organização de direitos civis que trabalha para obter a igualdade de lésbicas, gays e transsexuais”.

As duas organizações centraram seus esforços na Califórnia, nas eleições de novembro passado, para derrotar a Proposição 8 (NG 946), que estabelece o matrimônio como união entre o homem e a mulher. Em concreto, a CDH investiu 2,3 milhões de dólares para derrotar a proposta (1). Atualmente, pressionam a Corte do Estado para que faça caso omisso do resultado do plebiscito e legalize outra vez o mal chamado casamento homossexual (NG 895).

Insistência da AFA

A American Family Association (AFA) expressou reiteradamente seu mal-estar pela postura mantida pela Pepsi, já que “a empresa indicou que continuaria com o apoio financeiro das principais organizações homossexuais” segundo declaração do presidente da AFA, Donald Wildmon. Wildmon assegura que a multinacional “não tem intenção de ser neutra na guerra cultural. Em troca, a PepsiCo lançou todo seu peso e influência no apoio do movimento homossexual”.

Assim mesmo Wildmon declarou que “ao financiar a Families and Friends of Lesbians and Gays (PFLAG), PepsiCo e seus acionistas ajudam a promover o medo e a hostilidade contra a comunidade EX-GAY e heterossexuais”. E conclui:

A atitude da Pepsi é excludente: “Pepsi se nega a dar dinheiro a qualquer organização a favor da família que se oponha à agenda homossexual”,(2) afirmou Wildmon. Ademais afirma que os diretores da AFA nunca foram recebidos pela empresa, mas que somente receberam uma carta educada e Paul Boykas, diretor de política pública da Companhia. A AFA solicitou reuniões com os diretores da Pepsi duas vezes, a 14 e a 29 de outubro passado.

Impedir sair da homossexualidade

A PFLAG financiada pela Pepsi começou uma campanha de violenta pressão contra outra organização (a PFOX – Parents and Friends of ExGays and Gays) que tem por finalidade ajudar a quem abandonou a homossexualidade ou pretende abandonar este estilo de vida. (Life Site, 27-03-09). Promover a cura da homossexualidade é politicamente incorreto para a nova ordem mundial. PFLAG pretende que quem superou seu comportamento antinatural deve voltar a ele.

Boicote à Pepsi

(...)

A American Family Association convoca (a população) a “não comprar produtos da PepsiCo” e “que a empresa saiba que se está desenvolvendo um boicote "on line" a seus produtos e à sua empresa”. A AFA lembra que os produtos da multinacional são: Pepsi Cola, Mountain Dew, Sierra Mist, Mug Root Beer, Frito Lay chips, suco de laranja Tropicana; Gatorade, Quaker oatmeal, Chá verde Lipton, sucos Dole e água engarrafada Aquafina.

(...)


CONCLUSÃO (DO BLOG)

Como se vê a Pepsi “não tem a intenção de ser neutra na guerra cultural” e rejeita qualquer apoio a quem defenda a família baseada no direito natural. Pior: promove medo e antipatia contra os defensores da heterossexualidade.

É espantoso ver tanto empenho em propagar o que vai contra a natureza.

Pena que muitos não tenham tanto empenho em defender os verdadeiros valores humanos.

Está na hora de acordarmos. Adesão total ao boicote.

PEPSI: OUT OF OUR HOMES!



NOTAS

1. Observe-se que a proposta que estabelece que só há casamento na união do homem com a mulher foi amplamente vitoriosa no pleito californiano. O que não tem a mínima importância para a PFLAG. (nota do blog)

2. Os destaques em azul são nossos.

Fontes do artigo:

NOTICIAS GLOBALES, Año XII. Número 841, 16/09. Gacetilla nº 964. Buenos Aires, 03 abril 2009 964)
USA: BOYCOTT A PEPSI: BLASFEMA Y PRO GAY. Fuentes: Propias; Life Site; Forum Libertas, 16-01-09; http://www.boycottpepsico.com; NG 845, 931.


www.afa.net

sábado, 18 de abril de 2009


HOLOCAUSTOS E CRIMES CATÓLICOS – 2


Valter de Oliveira


NAZISMO: PIO XII E OS CATÓLICOS FORAM OMISSOS?

Para um dos críticos do artigo "Holocaustos: Crimes contra Deus e a Humanidade" não há nenhuma dúvida a este respeito. Ele é taxativo:

"Quanto a Hitler a igreja foi bem conivente e agora vem (vocês) com essa conversa de que o papa atuou nos bastidores, porém, nem todo mundo compra essa, aliás existem livros com pilhas de evidências sobre a inércia do papa".

Como foi visto até agora este missivista e os outros têm razão em dizer que houve católicos pró nazismo. E certamente houve quem ajudou nazistas a conseguir refúgio. Como há quem defenda os maus católicos de hoje. E outros que acobertam e protegem os que se apresentam como católicos e não o são. Curiosamente eles não citam os “católicos” brasileiros que decidiram ser terroristas e guerrilheiros para implantar o socialismo no Brasil. Será que não foram batizados? Muitos não passaram da Ação Católica para a AP (Ação popular)? Não chegamos a ter no Brasil um “maoismo cristão” com Herbert de Souza, o famoso Betinho e Cia? (1)

Por que não culpar esses católicos pelos crimes que cometeram? Por que não denunciar o cinismo das senhoras "católicas" pelo direito de decidir, ou seja, “católicas” pelo direito de matar inocentes? Ou esses são heróis que lutaram pela democracia?

Critico a todos esses como teria criticado Hitler, Pavelic, Mussolini e semelhantes se tivesse vivido na época. Não ficaríamos entusiasmados com suas realizações sociais: fim da inflação, do desemprego, recuperação do orgulho nacional, etc. Entendo que se apontasse males doutrinários alguém me olharia com desdém e diria: Olha o que ele faz pelo povo! Olha o fusca! Olha o fusca! Cá entre nós. Não me interessa o fusca, o bolsa-família ou o leve-leite. Interessa-me o modelo de Estado e de sociedade que um governo quer impor em meu país. E por isso me oponho a qualquer laicismo totalitário. Com ou sem bênçãos eclesiásticas.

Claro está que defendemos a punição para qualquer crime. Cometidos por socialistas ou fascistas. E também por católicos. Por crimes políticos ou comuns. Isso é exatamente o que ensina a moral católica. E aqui entra uma contradição dos críticos da Igreja. Quando ela desautoriza ou pune “católicos” extraviados o que eles gritam? Não há liberdade na Igreja! Autoritários! Inquisidores!

E lá vem a defesa de abortistas de sacerdotes guerrilheiros, como Camilo Torres, de teólogos sem fé. No passado também foi assim. Não quer apoiar o nazismo? Não é alemão! Não se deixa seduzir pela pretensa piedade de Pavelic? Não ama a Croácia! E tanto em um lugar quanto noutro poderia ser acusado de comunista ou de bajulador do capitalismo judaico... Nosso convite no primeiro artigo foi para rejeitarmos todos os crimes e por isso os denunciamos. Inclusive por quem os comete em nome da religião. Somos pró vida humana. Pró dignidade humana.

A Igreja teve, tem e terá filhos infiéis. Mas, por outro lado, a História aí está para atestar tudo o que, através de seus filhos, fez e faz pelo bem da humanidade. Para mostrar a beleza do martírio de milhões de cristãos que souberam ser fiéis às promessas do batismo, viver para Deus e para o próximo, ser sal na terra. Aqui mesmo no Brasil houve importantes figuras no laicato e no episcopado que combateram claramente o nazi-fascismo já bem antes do início da Guerra.

Mas, e Pio XII? E o Vaticano?

Que tal apelarmos para as maiores vítimas do nazismo? Vamos ver o que testemunharam os JUDEUS. Ralph McInerny, no seu livro The Defamation of Pius XII (“A Difamação de Pio XII”), cita o que judeus, famosos ou não, disseram naquele tempo, ou seja, durante a guerra ou logo após ela. (2)

1. O Dr. Alexandre Safran, rabino-chefe da Romênia, escreveu em 1944:

“Nestes tempos duros, nossos pensamentos, mais que nunca, voltam-se com respeitosa gratidão ao Soberano Pontífice, que fez tanto pelos judeus em geral... No nosso pior momento de provação, a generosa ajuda e o nobre apoio da Santa Sé foram decisivos. Não é fácil encontrar as palavras adequadas para expressar o alívio e o consolo que o magnânimo gesto do Supremo Pontífice nos deu, oferecendo vastos subsídios para aliviar os sofrimentos dos judeus deportados. Os judeus romenos jamais esquecerão esses fatos de importância histórica.”


2. O rabino-chefe de Jerusalém, Isaac Herzog, enviou pessoalmente uma mensagem de agradecimento a Pio XII em 28 de fevereiro de 1944, na qual diz:

“O povo de Israel nunca esquecerá o que Sua Santidade e seus ilustres representantes, inspirados pelos eternos princípios da religião que formam as próprias fundações da civilização verdadeira, estão fazendo pelos nossos desafortunados irmãos e irmãs no momento mais trágico da nossa história, o que é a prova viva de que a Providência Divina age no mundo”.

3. E não faltou o agradecimento do Rabino-chefe de Roma, Israel Zolli:

“O que o Vaticano fez ficará indelevelmente gravado em nossos corações Sacerdotes e altos prelados fizeram coisas que sempre honrarão o catolicismo”.

Depois da guerra, Zolli tornou-se católico e, para homenagear o Papa pelos seus feitos em favor dos judeus e pelo papel que teve na sua conversão, escolheu o nome de Eugenio como nome de batismo (lembremos que Pio XII se chamava Eugenio Pacelli antes da eleição).

No seu livro Three Popes and the Jews (“Três papas e os judeus”), Lapide estima o número de judeus poupados graças às ações clandestinas da Igreja sob Pio XII. Após totalizar os judeus salvos em diferentes regiões e deduzir aqueles salvos por outras causas, tais como os nobres esforços de alguns protestantes europeus, escreve: “A quantidade final de vidas judias salvas pela Igreja Católica é, pois, no mínimo, de 700.000 almas, mas com bastante probabilidade está perto de 860.000”. Esse número ultrapassa o total de judeus salvos por todas as organizações européias de auxílio juntas. Lapide calcula que a Igreja de Pio XII constituiu a mais bem-sucedida organização de assistência aos judeus de toda a Europa em guerra, superando a Cruz Vermelha e todas as outras instituições.(destaque nosso)

4. GOLDA MEIR

"Nós compartilhamos do grande pesar que atinge o mundo por causa da morte de Sua Santidade Pio XII. Durante os dez anos do terror nazista, quando o nosso povo passou pelos horrores do martírio, o Papa levantou a sua voz para condenar os perseguidores e condoer-se das vítimas”
(Golda Meir, então representante de Israel na ONU e futura primeira-ministra israelense).


5. ALBERT EINSTEIN:

“Apenas a Igreja Católica protestou contra a violação da liberdade por Hitler. Até então, eu nunca me havia interessado pela igreja, mas hoje sinto uma grande admiração por ela, que teve a coragem de combater sozinha pela verdade espiritual e pela liberdade moral”.


Conclusão: Precisa?

NOTAS

1. GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. 3ª edição. São Paulo, 1987. Cap. 16.

2. As citações que fazemos foram retiradas do artigo Pio XII e a Segunda Guerra Mundial, escrito por James Akin. O artigo completo está em nosso site na seção de Igreja Católica.