Se a eutanásia consiste na ação ou na omissão dos cuidados básicos, com o fim de direta e intencionalmente provocar a morte de outra pessoa, o problema ético-político começa quando a ação ou a omissão de buscar diretamente a morte ganha uma vestimenta legal e se agrava quando se pretende ainda que o sistema público de saúde deva ocupar-se de buscar a morte de seus pacientes.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
EUTANÁSIA: DIMENSÃO ÉTICO-POLÍTICA
Se a eutanásia consiste na ação ou na omissão dos cuidados básicos, com o fim de direta e intencionalmente provocar a morte de outra pessoa, o problema ético-político começa quando a ação ou a omissão de buscar diretamente a morte ganha uma vestimenta legal e se agrava quando se pretende ainda que o sistema público de saúde deva ocupar-se de buscar a morte de seus pacientes.
terça-feira, 1 de maio de 2012
EDUCAÇÃO (ESCOLAR?) PARA UMA JUVENTUDE EM CRISE
José Ramón Ayllón
O grande número de adolescentes e jovens que apresentam sérios problemas de comportamento e profundas crises de personalidade é um fenômeno preocupante. A situação na Espanha, que aparece nos exemplos deste artigo, tem muitas semelhanças com o que ocorre nos outros países. As causas do problema são profundas e complexas: a sua correção exige algo muito mais amplo do que simples campanhas estatais de informação preventiva.
Se educar é preparar para a
vida, não é possível uma vida boa sem uma boa educação. Mas o fracasso escolar
cresce na Espanha, e isso preocupa ainda mais quando vemos que esse é um solo
de cultivo perfeito para o fracasso existencial entre os jovens. Vários podem
ser os remédios eficazes, mas penso que todos devem ter em comum uma condição imprescindível:
chegar a tempo.
A IMPORTÂNCIA DE CHEGAR A TEMPO
Tenho visto entre os meus alunos vários casos de adolescentes que começam a entortar apesar da sua boa cabeça e do seu bom ambiente familiar. Descrevo e resumo uma má evolução típica: Problemas de relacionamento com colegas de classe, ou a má influência de alguns, produzem num rapaz ou numa moça de treze anos a perda de concentração no estudo e baixo rendimento. Esse fracasso os distancia dos seus pais. A frustração cresce e se tenta paliá-la com a bebida, com brincar com as drogas e com relações sexuais ocasionais com colegas de perfil parecido. À idade de vinte anos, a vida desses jovens pode ser já um completo caos, e acodem ao psiquiatra com um quadro mais ou menos agudo de alcoolismo, de dependência de drogas e de depressão. Nesse momento a solução talvez já seja difícil, mas quando tinham treze anos teria sido fácil. A pergunta que se impõe é: O que poderíamos ter feito naquela altura para não ter de chegar agora a tais extremos? Poderíamos ter chegado a tempo?
É um erro atribuir à autoridade a possível infelicidade de um filho ou aluno. O
que na verdade ocorre é o contrário. Uma correta autoridade faz a criança e o
jovem sentirem-se queridos e seguros, pois notam que são importantes para
alguém. Mafalda – a célebre personagem das histórias em quadrinhos de Quino –
sente a autoridade dos seus pais em questões tão cotidianas como a obrigação de
tomar sopa, que ela detesta. Um dia, estando sozinha no seu quarto, fala:
Mamãe? E esta lhe diz: Que foi? A menina responde: Nada. Só estava querendo
confirmar que existe pelo menos uma boa palavra que ainda está em vigor.
Até aqui, o enfoque errado a
respeito da autoridade. Outro enfoque errado típico da educação atual é a
chamada síndrome lúdica. Como exemplo poderia ser citado o daquela escola
pública que começava a exposição do seu projeto educativo para o ano 1995-96
com estas palavras: Nosso principal objetivo é que os nossos meninos e meninas
sejam felizes. Além de ser uma enorme ingenuidade, uma declaração de intenções
como essa nem sequer é discutível, pois a atividade principal de um centro
escolar não é nem deve ser a lúdica, e menos ainda quando observamos que o
nível acadêmico de muitos colégios está ao rés do chão, enquanto vão sendo
transformados em ludotecas ou ateliês de artesanato. Se há alguns anos os
inspetores ou diretores da escola podiam questionar o professor cujos alunos
aos seis anos ainda não sabiam ler, hoje suspeitam do professor cujos alunos já
sabem ler com essa idade. (O que será que ele andou fazendo? Pobrezinhos, como
foram forçados!)
A crise de autoridade e a
confusão entre aprendizado e brincadeira são aliadas perfeitos para que na
classe se gere um clima de indisciplina que não beneficia ninguém e prejudica
todos. Qualquer professor admite que hoje vinte alunos por classe são mais
difíceis do que quarenta há dez anos. E esse mesmo professor não se sente
respaldado pelos pais dos seus alunos: sabe que com freqüência não é
apresentado aos olhos das crianças e dos jovens como uma pessoa que merece
respeito, deferência e atenção. Agora o problema é que uns garotos que ainda
estão por civilizar, que ainda não têm suficientes conhecimentos, que mal se
desenvolveram emocionalmente, e que estão forçosamente carentes de critérios,
têm como única informação recebida a de poderem criticar e denunciar tudo o que
contrarie o seu parecer.ENFOQUES CORRETOS
Como a realização do bem costuma ser árdua, o terceiro dos traços educativos fundamentais é a fortaleza, esforço por conquistar e defender aquilo que vale a pena. Além disso, a animalidade que faz parte da nossa constituição fornece à conduta humana um recurso fundamental: o prazer. A educação do prazer – a sua administração racional – constitui o quarto traço indispensável a toda boa educação: chama-se autocontrole, domínio de si, temperança.
domingo, 25 de março de 2012
O FRACASSO DE SUMMERHILL

Alfonso Aguilló
O famoso internato britânico Summerhill, escola que foi carro chefe da educação tolerante e antiautoritária, foi notícia nos últimos anos por suas repetidas ameaças de ser fechada devido ao baixo rendimento de seus escassos sessenta alunos.
Summerhill, fundado em 1921 por Alexander Neill, teve um auge espetacular na década de sessenta e depois foi gradualmente perdendo alunos até ficar semideserto.
Seu método pedagógico era realmente peculiar: não havia exames nem provas, a assistência à aula era voluntária e a vida do centro se regia em grande medida através de decisões dos próprios alunos.
A questão é que os alunos do internato de Summerhill não saiam dele bem preparados. Apenas iam às aulas, e sua formação acadêmica e humana, apresentava, segundo um informe do Ministério de Educação britânico, assombrosas deficiências.

A tentativa da escola em educar na tolerância e erradicar o autoritarismo merece todos os elogios. Contudo, seus resultados mostraram que nas bases de seu fundamento filosófico havia muita ingenuidade.
Por outra parte, para aprender a esforçar-se seriamente em algo, nada mais prático do que procurar submeter-se – livremente, mas submeter-se – a um plano exigente. E isso é assim porque fazer o que achamos que devemos fazer supõe muitas vezes um esforço considerável. Por isso, uma educação responsável tem que estabelecer um alto nível de exigência pessoal.
E isso não significa nenhum atentado contra a tolerância, mas simplesmente saber o que é educar.

No caminho de qualquer processo formativo ou educativo é de grande importância facilitar prudentemente as boas escolhas. Não há educação nem formação sem uma certa constrição, e por isso não há porque escandalizar-se de que haja regras e normas, que expressam precisamente o tipo de educação que livremente se escolheu.
Por exemplo, se colocamos uma garrafa de gin ou whisky diante de uma pessoa alcoolizada, provavelmente não conseguirá deixar de tomá-lo. Talvez acredite que é uma pessoa livre, mas parece bem mais ter perdido uma grande parte da liberdade de escolha, pois suas decisões são cada vez menos livres.
Há restrições que ajudam a conservar a liberdade, a saber empregá-la positivamente, a dar-lhe apoio, a não perde-la seguindo caminhos que não têm saída ou que terminam subitamente em um precipício ou se perdem pouco a pouco nas areias de um deserto.
As utopias libertárias são como elixires que, depois de provar-se, mostram-se desencantadores e frustrantes. Não existem essas panaceias nem paraísos terrenos, e os que caíram em tais promessas se sentem enganados. O homem é um ser de capacidades limitadas, que vive em um meio adverso, e cuja liberdade somente se desenvolve quando adquire consciência do dever, autodomínio e ética, (2) não quando se deixa hipnotizar pelas promessas da permissividade.
NOTAS
1. Claro que, quando uma criança ou adolescente, decidem brincar em vez de estudar, quando deveriam fazê-lo, nem sempre percebem que optaram mal. (observação do blog).
2. Os destaques em negrito são do blog.
Fonte: www.interrogantes.net
sábado, 15 de outubro de 2011
A CONCEPÇÃO LUTERANA DO ESTADO




segunda-feira, 29 de agosto de 2011
O CORINTHIANO E O ESTADO LAICO
Era um domingo, 14h. Benê saiu de casa com a jovem esposa, com destino ao Pacaembu. Ambos bem uniformizados. Ele com a camisa branca, ela com a nova camisa vinho do Timão. O que ambos não imaginavam é que iriam se defrontar com os “vigilantes” do Estado laico, formados após oito meses de curso de “direitos humanos na perspectiva humana”. Benê e a esposa não sabiam que 800 homens e mulheres tinham sido treinados e que, a partir daquele dia, iriam patrulhar os bairros da capital.
O casal foi abordado pouco depois de sair de casa, antes ainda de chegar ao metrô. Curiosam
ente, em uma rua quase deserta.- “Pare aí!” Gritou um dos 4 “vigilantes” ao lado de uma perua do tipo usada pela Rota.
Assustados, pararam. Que desejariam aqueles homens tão parecidos nos rostos quanto nas vestimentas? Por que pareciam sem alma?
Outro grito fez nosso corinthiano voltar a si:
- “Não lê jornal não? Não tem TV? Vai tirando a camisa!”
Benê, que não estava entendendo nada, tentou argumentar:
-“Que que é isso, seu moço. A gente só qué vê o jogo do Timão!”
-“Conversa fiada! Tá fingindo que não sabe de nada? Não viu a nova medida provisória? Não sabe que usar símbolo religioso atenta contra o Estado Laico?”
“Num acompanho política não seu guarda. Sou só um fiel do Timão!
“Pois é: vocês não dizem que Corinthians é religião? O Estado é laico, entendeu? E...
“Que diabos é laico?”, pensou Benê...

O vigilante continuou:
“E símbolo religioso não pode. Só na sua casa. Na rua não! É espaço público. E vai tirando a camisa!”
O tempo ia passando. Aflita, Chiquinha sussurrou ao marido:
“Vambora bem, a gente vai perdê o jogo. É aquele ditado que os rico fala: leva os aner, fica com os dedo. Deixa a camisa com os home. O importante é os jogadô vê que nóis tá lá com eles”...
“Tudo bem, tudo bem. Mas a camisa dela não... tentou dizer Benê. Na moral, seu guarda, e... também não é muito certo ela ficá sem camisa na rua, né?”
A resposta foi inesperada:
“Ficar sem camisa não é problema nenhum. Para nós não tem essa de certo e errado, de moral e imoral. Estado laico também não segue moral nenhuma. Nem sabe dizer o que é certo ou errado e...”
“Cruz credo!”, exclamou Chiquinha.
“e... chega de prosa. Dá aqui seu símbolo religioso.”
Chiquinha entregou a camisa. Benê também. Tirou uma toalha da mochila, colocou no ombro da mulher e ousou perguntar:
“Não é perseguição contra nóis não? Não é preconceito?”
O vigilante 2, cópia do 1, respondeu com voz metálica:
“Preconceito é contra minoria, entendeu? Vocês são maioria! Maioria tem que ficar quieta!”
Vendo que não tinha papo Benê perguntou:
“A gente pode ir?”
“Pode. Mas antes tem que ser fichado. E vai receber um folheto em casa com as novas regras para a torcida corinthiana no campo de futebol. E as primeiras começam hoje”.
-‘Hoje?! Que tem que fazer hoje?”
-“Tem que ficar no Tobogã”.
-“Mas eu comprei ingresso pra arquibancada!”
-“Problema seu. Se quiser ver o jogo vai pro Tobogã”. Vai e aguarda em casa o folheto com as regras.
Desconsolado Benê foi embora. Deu ainda para ouvir um grito:
“E não pode mais cantar o hino!”.
Foi muito triste, mas... o Timão ganhou. Benê, Chiquinha e mais 5.000 corinthianos voltaram felizes para casa. (os demais, barrados por outros vigilantes, ficaram de fora)...
Na semana seguinte chegou o livrinho com novas regras:
1. Era proibido torcer em voz alta. Incomodava os moradores do bairro que não gostam de futebol.
2. Também não se podia dançar. Poderia causar complexos em quem tivesse dificuldades motoras.
3. Regra para certos clubes: Nenhum time pode ter nome de santo! Nenhum nome religioso!
Pois é, numa penada acabaram com São Paulo, São Caetano, Santos...
E estava tudo bem claro: quem quer participar tem que colaborar. Tem que seguir as regras.
“E quem fez essas malditas regras, o governu?” Perguntava Chiquinha?
“Sei lá, dizia Benê. Qué dizê, é coisa dos político do tal de Estadu Laico. Ele diz que nóis tem fé demais”.
-“Cruz Credo!” exclamou Chiquinha persignando-se. E continuou: Magine só a gente jogando contra o Paulo, o Caetano, o André, o Bernardo, o... Ih! Como fica o Santos? Baleia Futebol Clube?
-“Sei não. O que sei é que a gente não vai desisti. E tá na hora du jogo. Vamo lá!”.
É minha gente, fé é fé. O amor falou mais alto. Foram lá mais uma vez. O Timão venceu! De novo saíram felizes.
Terceira semana.
Nova regra. Torcida corinthiana tinha que ficar em silêncio absoluto. Não podia fazer sinal da cruz nem mover as mãos secando o time adversário na hora de cobrar falta. E era para ficar o tempo todo de costas para o jogo.
-“E agora, Chiquinha?” perguntou Benê. “Que adianta ir lá?”
-“Adianta amô, adianta. Os jogadô vão vê que nóis tá lá. Vão ouvir a gente e os anjo cantando. E nóis ganha. Vamo sê campião. Acredita?”
“Acredito, meu bem, acredito”.
Foram. Não cantaram. Não viram. Ganharam!
Moral da história: Os fiéis sempre vencem.
segunda-feira, 7 de março de 2011
O USO DE ARMAS PELA POLÍCIA
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
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sábado, 30 de outubro de 2010
PROMESSAS DO PRESIDENTE LULA
Podemos confiar nelas?

A promessa de Lula foi cumprida?


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